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Último Passe

O empate a zero do Sporting contra o Steaua de Bucareste, que deixa mais complicado o acesso leonino à fase de grupos da Liga dos Campeões, veio trazer mais evidências para a constatação que já se tinha podido fazer na vitória por 1-0 que a equipa de Jorge Jesus arrancara a ferros contra o Vitória de Setúbal na sexta-feira: falta qualidade na construção pelo corredor central sempre que a equipa deixa de contar com William Carvalho. Ter ali Adrien e Battaglia juntos torna-se um problema para uma equipa que, tal como na última partida, voltou a não conseguir ter posse de bola dentro do bloco adversário e se viu forçada a um jogo de cruzamentos para um Bas Dost sempre muito só na área. O problema pode avolumar-se se o mercado acabar por levar William. Battaglia converteu-se numa coqueluche para Jesus, que ainda hoje voltou a elogiar-lhe a exibição, mas o seu futebol muito físico, com dificuldades na recepção, no passe e na arquitetura dos ataques dificilmente será conciliável com o jogo de Adrien, também um médio mais intenso do que criativo. Tanto um como o outro podem ser muito úteis, mas dificilmente o serão em simultâneo. Adrien precisa de William, da mesma forma que Battaglia precisa de Bruno Fernandes. Quer isto dizer que se vai vender um dos seus dois médios campeões da Europa, o Sporting bem podia vender os dois, de forma a poder construir um meio-campo do zero, sem amarras a um passado feito de um entendimento perfeito entre a dupla que marcou os últimos anos. Assim, se é levado a somar Adrien a Battaglia, Jesus está a fazer deste Sporting uma equipa que não terá nada a ver com as que vem construindo nos últimos anos. O que caracteriza as equipas de Jesus? Entre muitas outras coisas, a exploração do espaço interior, a capacidade para jogar dentro do bloco adversário, para triangular ali. Ora com esta dupla de médios, raramente o conseguiu nestes dois jogos. Culpa de Podence, o segundo avançado que se coloca nas costas de Bas Dost e deveria ocupar esse espaço entre linhas? Nem por isso. Culpa sobretudo de um meio-campo que nunca fez movimentos de aproximação com bola para tirar os médios do Steaua da poltrona onde se sentaram desde o início da partida, à entrada da área. Só Mathieu tentou fazer isso em todo o jogo de hoje. O que isso provoca é que os leões sejam forçados a abusar dos corredores laterais e, se não aparecem um Gelson ou um Acuña superlativos, nota-se mais o paradoxo que é ter Bas Dost sozinho a batalhar pelas bolas aéreas entre as torres adversárias. No final do jogo, Jesus voltou a citar o mercado como fator dissuasor para contar com William, por exemplo, nos jogos que se aproximam. Os dois jogos que aí vêm, contudo, serão bem diferentes destes dois últimos: em Guimarães e em Bucareste, frente ao outro Vitória e outra vez ao Steaua, os leões não vão ter de enfrentar adversários tão fechados e poderão jogar mais em ataque rápido e contra-ataque. Podem ser mais duas oportunidades para esta dupla de médios. E se não correrem bem talvez sejam as duas ultimas.
2017-08-15
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Último Passe

O novo Sporting de Jorge Jesus é uma incógnita quase tão grande como o novo FC Porto de Sérgio Conceição. O segundo falhanço na tentativa de ataque ao título nacional – e sobretudo a clara noção de que a equipa esteve mais longe de lá chegar do que na primeira vez – levaram a mais uma revolução no plantel, a um abalo que pode até estar ainda longe de conhecer o fim, uma vez que falta saber o que vai acontecer com os alvos que o leão tem mais apetecíveis no mercado internacional: Rui Patrício, William, Adrien e Gelson. No fundo, tudo depende deles e da política adotada por Bruno de Carvalho para lidar com os apetites internacionais por eles. Nem tão mole como era tradição em Alvalade antes da sua chegada, nem tão inflexível como se mostrou há um ano. A grande dificuldade na condução de uma equipa da dimensão do Sporting – que é grande num mercado periférico, mas cujos resultados internacionais e salários praticados mostram que é pouco mais do que irrelevante no panorama internacional – tem precisamente a ver com a gestão de expetativas dos jogadores mais renomados. A excelente primeira época de Jesus, seguida de um Europeu onde Portugal foi muito para lá do esperado, sagrando-se campeão europeu com uma série de jogadores leoninos no onze, levou a que lá fora se olhasse para Alvalade como se de um mercado de pechinchas se tratasse. Porque os jogadores até podem ter cláusulas de rescisão muito altas, mas se elas forem pouco condizentes com os salários que lhes são pagos isso acaba sempre por se virar contra o clube que as estabelece. De que serve proteger um jogador com uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros, se depois ele ganha dez vezes menos do que os jogadores cujo valor real de mercado são mesmo esses 100 milhões de euros?  Na prática, serve para que o clube possa segurar o jogador, é verdade. Mas isso é bom se de repente houver quem lhe ofereça um salário quatro ou cinco vezes maior do que ele ganha mas queira pagar apenas um terço da cláusula de rescisão, isto é, o real valor do jogador? A dúvida é: vale a pena ficar com jogadores contrariados? Não há certezas a este respeito. No ano passado, Bruno de Carvalho aceitou perder João Mário e Slimani, mas teve de se atravessar para ficar com Adrien, por exemplo, que fez de tudo – incluindo uma entrevista à revelia do clube, na qual assumiu a vontade de ir embora – para forçar a saída para o Leicester. E se é verdade que nenhuma equipa que tenha aspirações deve ser de um ano para o outro forçada a perder mais do que dois ou três jogadores, o que o fracasso da última época terá dito é que também não pode assentar a estrutura em elementos cuja cabeça esteja longe. O mais razoável é que haja um fluxo de comunicação desempoeirado entre clube e jogadores, em que estes aceitem a lógica do par de saídas por ano e o clube assuma uma fila de prioritários. Olhemos para casos práticos. Em 2003, por exemplo, José Eduardo Bettencourt assumira que, já tendo vendido Quaresma ao Barcelona, e sem necessidades de tesouraria prementes, não ia deixar sair mais nenhum jogador de peso. Mas apareceu o Manchester United por Ronaldo e o Sporting não resistiu. Foi um erro? Creio que sim. Um ano depois, o jogador poderia certamente ser muito mais rentabilizado financeiramente e de caminho até poderia ter conquistado algo com a camisola do Sporting. Saiu logo ali porquê, então? Porque o clube não era capaz de resistir à pressão do mercado, dos jogadores, dos empresários, dos colossos europeus. A cena repetiu-se vezes sem conta no Sporting desde essa altura. Jogadores a saírem antes de tempo, antes da glória desportiva, antes de terem um valor decente no mercado, um valor que compensasse o clube por se separar deles. Porquê? Porque eles queriam. Chegava-se ao ponto de qualquer jogador formado no Sporting já não ter como objetivo imediato de carreira o fixar-se na equipa principal mas sim o sair para o estrangeiro. A geração dos Bruma, dos Ilori, dos Edgar Ié, já não tem raiz em Portugal. Bruno de Carvalho mudou isso e assumiu a atitude rigorosamente inversa desde o seu primeiro defeso, onde teve de lidar com os casos Dier e Bruma, por exemplo. O Sporting passou a ser capaz de vender menos e muito melhor, mas a forma como correu a última época desportiva deixa dúvidas acerca de tanta inflexibilidade e pode ser uma forma de lançar o que aí vem. Até ver, os leões estão a construir um super-plantel. Falta perceber duas coisas. Se as estrelas que por cá estavam ficam e se, em caso afirmativo, isso não pode transformar os novos recrutas em peças sobressalentes sem uso, acabando por torná-los tão inúteis como aconteceu há um ano com Petrovic, Elias ou Markovic.
2017-07-09
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Chipre não é propriamente um adversário de enorme valor, o jogo era um simples particular, mas a vitória por 4-0 que Portugal conseguiu na preparação para a viagem à Letónia e para a Taça das Confederações deixou indicações positivas, algumas dúvidas e ainda uma curiosa preocupação. Os portugueses fizeram dois golos em cada parte, os dois primeiros beneficiando da inspiração de João Moutinho nos livres diretos, os dois últimos a premiar uma exibição mais bem conseguida do ponto de vista coletivo. Foi neste segundo período que a equipa mostrou coisas melhores, como a aceleração e a criatividade de Gelson, o critério de William na saída de bola ou a chegada de Pizzi à área. Tudo somado, leva à grande preocupação: é que, ao contrário do que sucedeu há um ano, a equipa está bem na entrada para a reta final da época. E, pelo menos nas competições como os Europeus e os Mundiais, isso não costuma ser bem. Falta ver como é na Taça das Confederações. Fernando Santos tinha dito que os campeões europeus não estão nunca em teste, mas a verdade é que têm de estar, quanto mais não seja por comparação com eles mesmos. Primeiro, porque é preciso deslindar a questão do onze titular. E se ao onze de hoje somarmos Pepe e Cristiano Ronaldo, já se vê que é preciso sacar de lá dois homens. Se depois verificarmos que o treinador fez algumas poupanças e muito mais experiências, não fica fácil entender quem vai começar em Riga, no final da próxima semana, ou muito menos quem vai arrancar na Taça das Confederações, daqui a duas semanas. William ou Danilo? João Moutinho ou Adrien? João Mário ou André Gomes? Nani, Bernardo Silva ou Gelson? Ou até Pizzi? Tudo questões de difícil resposta. Porque Danilo fez melhor época que William, mas a equipa respira melhor com este a pautar o jogo de ataque do que com aquele à frente dos centrais. Porque tanto Moutinho como Adrien tiveram esta época Ligas menos extenuantes, o que lhes permite chegar a Junho e disputar o lugar apenas com base na capacidade de cada um. E a coisa complica-se ainda mais quando se percebe que para Ronaldo entrar no onze, no lugar ontem ocupado por Nani – e a partir de meio da segunda parte por Pizzi – os dois terão de disputar vagas noutras posições. Se Fernando Santos persistir na ideia de compor o meio-campo a quatro com um extremo puro e um médio que permita os equilíbrios, a Nani resta disputar a vaga com Bernardo e Gelson, que foi dos três o melhor frente a Chipre, por ser capaz de ir para cima dos adversários e explorar as acelerações e o um contra um. Por outro lado, Pizzi, que foi dos médios o que evidenciou melhor chegada à área – sim, jogou no lugar que vai ser de Ronaldo e isso também conta – poderia bater-se com Moutinho e Adrien pela posição de segundo médio se Fernando Santos fosse mais arrojado, mas restar-lhe-á um lugar de suplente de luxo ou a disputa da vaga de médio-ala mais dado a cair no meio e a equilibrar atrás, em cuja órbita têm andado João Mário e André Gomes. No final do jogo, Fernando Santos dizia que não podia ter opções melhores do que as que teve no Europeu, porque Portugal ganhou o Europeu e os jogadores que lá estiveram foram “absolutamente brilhantes”. Mas a verdade é que o selecionador tem mesmo mais opções. E tem opções em melhor momento. A começar por Ronaldo, que foi poupado a muitos dos jogos do Real Madrid na ponta final da época para poder brilhar na Champions, não se veem neste grupo jogadores presos por arames, como se viam há um ano, antes do Europeu. E isso é bom. Mesmo que daqui por um mês possamos estar a dizer que a equipa chegou ao topo cedo demais para poder aguentar esse momento até à fase decisiva da Taça das Confederações.
2017-06-03
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Foram bem diferentes as dificuldades sentidas por FC Porto e Sporting para vencerem os seus jogos da 18ª jornada da Liga, na antecâmara do clássico que vai complicar muito mais a vida a um deles – ou até a ambos, se empatarem. Os dragões voltaram a ver-se em défice ofensivo, fruto da recuperação da opção conservadora por parte do treinador, Nuno Espírito Santo, que começou por tentar vencer o Estoril com a equipa muito atrás. Os leões sentiram um défice defensivo quando já ganhavam por 3-0, quando Adrien começou a proteger-se face à hipótese de ver um amarelo que o afastasse da próxima jornada e Jorge Jesus deixou que o seu próprio conservadorismo se manifestasse quando tardou em retirá-lo de campo. No fundo, a história devia ser a de duas vitórias claras. Não foi assim, porém. Na Amoreira, o FC Porto só desbloqueou o 0-0 aos 82 minutos, quando um penalti de André Silva permitiu a Nuno Espírito Santo um suspiro de alívio que as suas opções iniciais dificultaram. A equipa começou com André Silva como ponta-de-lança, Diogo Jota a apoiá-lo e com a missão de cair na esquerda, e com André André e Herrera como médios-ala que frequentemente procuravam o espaço interior. Afinal de contas são essas as suas caraterísticas. As consequências eram duas: falta de largura e falta de gente na frente. Quando Brahimi se levantou do banco para entrar, ainda na primeira parte, não me passou pela cabeça que o sacrificado pudesse ser Jota. O problema manteve-se até que pouco depois da hora de jogo surgiu finalmente a opção atacante, com as entradas de Corona e Rui Pedro com a saída de dois médios. O mexicano dava largura, Rui Pedro acentuava a presença na frente, tirando o foco da defesa estorilista um pouco de cima de André Silva e os golos apareceram. Esse problema, de desbloqueio do jogo, não o teve o Sporting, que marcou cedo e aos 35’ já ganhava por 3-0. Com Gelson de regresso às noites boas, Schelotto a ajudá-lo ofensivamente, Alan Ruiz a desenhar trajetórias menos previsíveis no apoio ao imperturbável Bas Dost, a equipa parecia no caminho de uma vitória tranquila até ao minuto 45. Nessa altura, William Carvalho viu um cartão amarelo que o afastava do clássico de sábado próximo e a situação afetou Bruno César e – sobretudo – Adrien Silva, os outros dois jogadores leoninos que estavam a um cartão da suspensão. O que se viu no regresso para a segunda parte, na qual me surpreendeu até que Adrien tenha sequer reentrado em campo, foi um Sporting defensivamente passivo. Quando não há Adrien – e face ao risco assumido, naquele início de segunda parte foi quase como se não houvesse – o Sporting deixa de funcionar defensivamente. O Paços também sabia disso e Whelton aproveitou para fazer dois golos que, antes do bis de Bas Dost, colocaram o resultado em risco. A dúvida que vai alimentar a semana que aí vem tem a ver com as opções para o clássico. Irá Nuno Espírito Santo repetir a equipa sem pontas e com aposta no meio-campo que titubeou ante o Estoril? Não creio, porque isso equivalerá a dar a iniciativa ao Sporting. E quem irá Jorge Jesus utilizar no lugar de William? Palhinha entrou tímido no jogo com o Paços, mas teve contra ele uma equipa que naquela altura já duvidava muito, e deve ser ainda assim a melhor aposta. A outra opção – Adrien com Bruno César – viria impedir aquele que parece ser o Plano A leonino, no qual Bruno César deverá ser, como foi em Madrid ou na receção ao FC Porto, na primeira volta, simultaneamente segundo avançado e terceiro médio. Porque se é verdade que na época passada Jesus foi à Luz e ao Dragão com dois atacantes (Gutièrrez e Slimani), ganhando ambos os jogos com clareza, as circunstâncias atuais são muito diferentes.
2017-01-28
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Último Passe

Apanhado entre duas frentes, Jorge Jesus decidiu optar por “acreditar na capacidade de superação” dos seus jogadores. E fez bem, porque ganhou com toda a justiça o direito a seguir para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Mas o mais importante no facto de ter entrado no Estádio do Bonfim, para defrontar o V. Setúbal, com o melhor onze disponível, mudando apenas um elemento relativamente à equipa que alinhou de início contra o Benfica no domingo não é o facto de contrariar aquilo em que o treinador acredita há anos: que ninguém é capaz de render ao mais alto nível quando joga de três em três ou de quatro em quatro dias. É o facto de nesta escolha ter ficado bem à vista que ele não transpira confiança nas segundas escolhas. É verdade que os leões ficaram fora das provas europeias, mas essa ausência de desgaste só se fará notar lá para Fevereiro, quando em condições normais seriam chamados a jogar para a Liga Europa. Para já, a realidade é o calendário nacional, sempre muito congestionado por Dezembro e Janeiro, de forma a que se encontre espaço para a breve pausa de Natal e para a fase de grupos da Taça da Liga. Durante anos se viu Jesus poupar jogadores até antes de se chegar a esta fase. Já esta época, o mesmo Jesus veio justificar a opção de ter resguardado momentaneamente homens como Coates ou Bas Dost com o facto de, sendo jogadores pesados, terem mais dificuldades de recuperação. É uma teoria diferente da seguida, por exemplo, por Rui Vitória, mas é uma teoria cientificamente validada. Desta vez, porém, a importância do momento levou Jesus a ter fé na tal “capacidade de recuperação dos jogadores” – e alguns, como Adrien, estiveram uns furos abaixo do habitual. Acontece que, mesmo não tendo o treinador gostado que lhe fizessem a pergunta logo na flash-interview, o facto de ter ficado fora da Europa veio aumentar a exigência relativa à carreira na Taça de Portugal. Ainda por cima numa Taça de Portugal onde já não estão FC Porto e Sp. Braga mas que pode levá-lo a novo duelo com o Benfica. Como veio aumentar a exigência relativa à carreira na Liga, onde a derrota no dérbi deixou o Sporting a cinco pontos dos encarnados. Só que este ciclo infernal – Legia, Benfica, V. Setúbal, Sp. Braga e Belenenses em 16 dias e sem direito a errar mais – ainda está longe de acabar e o mais certo é Jesus ter nos próximos dois jogos de continuar a acreditar na capacidade de superação dos 12 homens que neste momento contam para ele, que são os onze titulares de ontem, mais Bryan Ruiz (Markovic está lesionado, tal como Schelotto). E num ano em que o Sporting até investiu mais do que o habitual no reforço do plantel, era boa altura para se perceber se os restantes não contam por problemas de gestão de recursos humanos ou se foram apenas erros de casting.
2016-12-14
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A dramática derrota do Sporting frente ao Real Madrid no Santiago Bernabéu (1-2) e o insuficiente empate do FC Porto em casa ante o Copenhaga (1-1) puseram um ponto final modesto na semana das equipas portuguesas na Liga dos Campeões. Os dois jogos tiveram histórias muito diferentes mas epílogos semelhantes, de desilusão. Saíram desiludidos os leões, que foram a melhor equipa em campo durante 70 minutos mas não conseguiram congelar o desafio nos últimos 20, ficando à mercê da remontada madridista, como desiludidos saíram os dragões, incapazes de criar desequilíbrios na defesa dinamarquesa, nem mesmo quando o adversário ficou reduzido a dez. A derrota do Sporting veio recheada de uma demonstração de personalidade que não está ao alcance de qualquer equipa. Com um posicionamento irrepreensível e face a um Real pouco dinâmico, a equipa de Jorge Jesus foi sempre assegurando superioridade numérica nos vários duelos a meio-campo, fundando aí a capacidade de assegurar a maior dose de iniciativa de jogo: o Real só chutou à baliza de Rui Patrício à passagem da meia-hora, e de fora da área, por Cristiano Ronaldo. Gelson, mais uma vez o melhor em campo, foi um pesadelo constante para a defesa do Real Madrid, tendo começado nele o lance em que Bruno César abriu o marcador. Foi ainda o jovem ala quem, num lance pela direita, deu a Bas Dost a melhor ocasião do jogo – o holandês tentou meter o pé onde se impunha a cabeça e o cruzamento perdeu-se. O Real acabou por virar o jogo quando já poucos nisso acreditariam, fruto da conjugação de vários fatores. Primeiro, as alterações introduzidas por Zidane: Morata, Lucas Vasquez e James Rodríguez melhoraram muito o rendimento do campeão europeu. Depois, o facto de os leões terem piorado com as trocas de Adrien e Gelson por Elias e Markovic. Por fim, é verdade, a inexperiência de muitos jogadores da equipa portuguesa em momentos como aqueles, em que se impõe quebrar o ímpeto ao adversário. A verdade é que, tendo feito o empate num livre irrepreensível de Ronaldo (após falta de Elias), aos 89’, o Real ainda teve tempo para ganhar, num cabeceamento de Morata após cruzamento de James. Houve muito banco numa reviravolta que deixa o Sporting com zero pontos e a precisar de ganhar ao Legia já na segunda jornada. A pressão, senti-la-á também o FC Porto, que seguirá para Leicester com um ponto e a precisar pelo menos de pontuar em Inglaterra, depois de uma exibição pouco conseguida frente ao Copenhaga. Nuno Espírito Santo voltou ao 4x3x3, remetendo Depoitre para o banco, e parecia até poder sair-se bem, depois de um início premiado com um golaço de Otávio, após bela assistência de André Silva. Já nessa altura, porém, o FC Porto revelava parte dos pecados que haveriam de custar-lhe dois pontos, nomeadamente a falta de controlo do espaço aéreo defensivo face à potência de Santander e Cornelius, os dois avançados dos dinamarqueses. O resto ver-se-ia no segundo tempo, sobretudo depois de o Copenhaga ter empatado – por Cornelius, após mais um cruzamento não desfeito pelo último reduto portista – e de o adversário ter ficado reduzido a dez homens, por expulsão de Gregus. Nessa altura, em que Espírito Santo descobriu falta de eficácia, o que se viu foi falta de capacidade para criar desequilíbrios numa equipa organizada mas de qualidade inferior. O FC Porto voltou então ao 4x4x2, com Depoitre em vez de Corona, e mais tarde com a entrada de Brahimi para as vezes de Herrera, mas nem assim criou verdadeiras ocasiões de golo, parecendo sofrer sempre que as probabilidades estão a seu favor. Talvez não seja esse o caso em Leicester, como não era em Roma.
2016-09-14
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O papel do capitão de equipa não está escrito em lado nenhum. No papel, sabe-se que é ele quem fala com o árbitro durante o jogo, quem escolhe campo ou bola no início dos jogos, quem oferece o galhardete do clube ao capitão do adversário. Mas ser capitão é mais do que isso: é ser o líder de um balneário, o exemplo de comportamento para os outros, uma espécie de representante do clube na equipa, de extensão do treinador em campo. Neste particular, Adrien Silva e Luisão não estão a ter um início de semana à altura da função de porta-estandarte dos clubes de que são a referência maior. Porque o futebol é cada vez mais um desporto individual na qual a noção de coletivo está pela hora da morte. Vejamos caso a caso. Adrien Silva é o capitão do Sporting, jogador da casa há mais de uma década. Assinou um novo contrato há seis meses, válido até 2020, com cláusula de rescisão de 45 milhões de euros. É muito? É! É mais do que pode valer um jogador da idade e do nível de Adrien? Muito provavelmente. Mas acredito que o jogador, o seu pai e o agente que lhe trata da vida se terão feito pagar por essa cláusula, seja com um prémio de assinatura robusto ou um salário à altura. Entretanto, é verdade, surgiu o Europeu de futebol, onde Adrien foi arma importante na vitória da equipa portuguesa. O mercado não reagiu de imediato mas, seja ou não com a interferência de Jorge Mendes, como foi denunciado pelo presidente do Ol. Lyon, eis que aparece uma proposta de Inglaterra, a poucos dias do fecho do mercado. Gerir é avaliar os pros e contras de cada ação e terá sido isso que fez o Sporting, que face ao montante da proposta (fala-se em 25 milhões) e à dificuldade de encontrar substituto para o seu capitão, terá recusado as abordagens do Leicester. O jogador, que pensa naturalmente nos seus interesses pessoais antes de pensar nos da equipa que capitaneia, ficou afetado. Deu uma entrevista na qual, a bem, disse que era altura de dizer adeus a casa e, face à resposta que o Sporting deu, libertou o empresário e o pai para falarem, a única forma de radicalizar sem se comprometer. A questão, porém, é muito simples: da mesma forma que o clube não tem o direito de despedir um jogador por falta de rendimento (e o Sporting e o Benfica muito gostavam muito de poder despedir Labyad ou Taarabt, por exemplo), também não tem a obrigação de os libertar se eles se destacarem e de repente tiverem propostas mais tentadoras. Se lhe prometeram a liberdade, como o pai e o empresário dizem, não estavam no direito de o fazer. A liberdade de Adrien tem um preço: são 45 milhões de euros. Ele sabe isso e, mais ainda sendo capitão de equipa, devia estar em condições de o entender. Menos claro é o caso de Luisão. O capitão do Benfica protagonizou, anos a fio, vários casos de mercado, nos quais tentou forçar a saída da Luz. Nunca chegou uma proposta que o Benfica considerasse boa e o jogador foi ficando, até ao momento em que já não é sequer escolha para titular do clube. Neste momento, os melhores centrais do Benfica são Lindelof, Jardel e Lisandro, sendo o capitão uma alternativa. E é a partir daqui que o caso se torna obscuro: o Benfica não tem interesse em dar ao capitão mais um ano de contrato, este acha que pode continuar a jogar e, mais, tem dificuldade em entender que o seu papel mudou, que poderá continuar a ser uma referencia dentro do balneário sem jogar regularmente. Nunca ficou claro se foi o Benfica a querer "despachar" Luisão para o Wolverhampton, do segundo escalão inglês, aproveitando as ligações de Jorge Mendes aos proprietários do clube, e se o fez por achar que não é fácil manter Luisão como suplente, ou se, pelo contrário, é o jogador que quer partir, em busca de um último contrato em grande. Seja como fôr, a verdade é que os 13 anos de ligação de Luisão ao Benfica e a braçadeira de capitão que ostenta mereciam algo diferente do que o "é difícil ficar calado" que o jogador publicou na sua conta de instagam.
2016-08-30
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Meio Slimani foi o suficiente para o Sporting sair de Paços de Ferreira com uma difícil vitória por 1-0. Claro que não foi só ele. Houve um Adrien dos grandes dias, dois defesas-centrais em tarde-sim e melhorias, por exemplo, na combinação entre defesas-laterais e extremos, sobretudo no plano defensivo, onde Gelson parece mais crescido. Mas a questão é que no jogo em que deixou de ter João Mário e recuperou o avançado argelino, o Sporting só teve direito a metade: a metade que luta até à insanidade. Aos que suspeitavam que Slimani estaria desencantado e especulavam que por isso podia não se entregar a 100 por cento, esta foi uma boa resposta. O golo decisivo, obtido por Adrien mesmo a fechar a primeira parte, nasceu de uma insistência do argelino, de uma bola que só ele acreditou que podia ir buscar à linha de fundo, em tackle. Bruno César cuzou-a para Gelson, que a entregou para uma bela finalização de Adrien. Mas a resposta de Slimani não pode ser só a esses. Ao Sporting faltou o Slimani goleador, o jogador que resolve jogos em nome próprio. Teve pelo menos duas ocasiões claras para acabar com o jogo, mas em ambas perdeu a possibilidade de fazer o 2-0. Numa delas, após passe de Gelson, já nem tinha guarda-redes à frente, mas não conseguiu dar bem na bola e esta perdeu-se. Na verdade, ao Sporting fez mais falta esse meio-Slimani que João Mário, que Jorge Jesus disse – e sem se rir – que não tinha sido convocado por causa de uma situação física no último treino, mas que está em vias de se transferir para o Inter de Milão. Teve razão o treinador leonino quando disse que os leões estiveram melhor a defender do que a atacar – e isso notou-se sobretudo nos passes perdidos a meio-campo – mas criaram ainda assim situações de golo suficientes para não terem passado pelo aperto final, quando o Paços se lançou em busca do empate com dois pontas-de-lança (Cícero e Whelton) a forçarem a igualdade numérica na frente pelo corredor central. Nessa altura, pela primeira vez no jogo, o Paços de Ferreira fez figura de mandão e instalou-se no meio-campo leonino, ganhando quase sempre espaço para cruzar. É verdade que nem aí criou autênticas situações de perigo para Rui Patrício, porque o setor mais recuado dos leões funcionou sempre bem, com grandes jogos de Coates e Ruben Semedo. Só que foi tendo livres e cantos em número suficiente para afligir Jesus e para o fazer lamentar-se com os seus botões acerca do jeito que lhe teria dado ter o Slimani inteiro.
2016-08-20
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Portugal entra na meia final do Europeu, contra Gales, na condição de favorito mas com a noção das dificuldades que terá de enfrentar. A poucas horas do jogo, Fernando Santos já terá escolhido a equipa que vai fazer jogar, tendo para isso superado algumas dúvidas que a mim ainda me assaltam. Têm a ver com gestão física do plantel, com escolhas técnico-táticas e até com a estratégia a adotar face às particularidades do adversário. As respostas à frente são as minhas. As de Fernando Santos ficam para mais perto do jogo. O que fazer se não houver Pepe? Evidentemente, terá de avançar outro defesa-central. A escolha mais óbvia pode ser Bruno Alves, por várias razões. Porque é um jogador tão impetuoso como Pepe (até mais, provavelmente) e isso não é de desprezar face a uma equipa como Gales. Porque depois da asneira que fez em Wembley também ele sente que deve alguma coisa a esta equipa e isso poderá reforçar-lhe o empenho e a concentração. E finalmente porque esta é a forma de o selecionador provar uma coisa que já afirmou vezes sem conta: que esta equipa não são onze, são 23. Ora além dos dois guarda-redes suplentes, é Bruno Alves o único que ainda não jogou neste campeonato. Quem substitui William Carvalho? Vai ser Danilo. Aqui não há grandes dúvidas. Será um estereótipo – ainda por cima errado – dizer que Gales joga como a Inglaterra ou como a Islândia. Não joga. Esta não é uma equipa de “kick and rush”. Aliás, a Inglaterra não joga como a Islândia e isso percebeu-se na forma como Danilo fez uma exibição excelente em Wembley mas depois isso não lhe chegou para ser mais do que sofrível contra os islandeses. De qualquer modo, mesmo sem a capacidade de William para lançar jogo, para arriscar nos primeiros passes, Danilo é quem melhor cumpre a posição de pêndulo à frente da defesa na ausência do titular. E sim, em caso de necessidade, pode aparecer melhor como auxiliar dos centrais de forma a condicionar os movimentos sem bola de Bale. Se o tiver em condições, Fernando Santos deve arriscar Raphael Guerreiro? Sim. Mesmo que perceba que se o colocar a jogar hoje corre riscos elevados de não o ter na final. É verdade que a gestão da condição física de Raphael Guerreiro tem levado o treinador a alterná-lo entre a relva e a bancada e que basta somar um mais um para perceber que esse risco existe. E que qualquer adversário que Portugal venha a ter numa eventual final colocará problemas mais difíceis de resolver que Gales na meia-final. Tudo isso poderia levar o treinador a pensar em poupar o titular da posição no lado esquerdo da defesa. Mas a única realidade que Portugal tem certa pela frente neste momento é a meia-final. Para haver final, é preciso lá chegar. E para isso há que colocar em campo os que mais garantias derem hoje. Qual é o melhor meio-campo para o jogo de hoje? Esta é a pergunta de mais difícil resolução, uma vez que todos os jogadores que têm vindo a ser chamados em vez dos titulares têm dado boas respostas. Havendo André Gomes e João Moutinho em condições, não deixa de haver Adrien Silva, João Mário e Renato Sanches. Certo é que só há três lugares disponíveis para estes cinco jogadores. Aqui, Fernando Santos tem de tomar decisões com base no que viu nos últimos jogos e nas caraterísticas da equipa adversária. Ora, com estes jogadores, dificilmente Portugal pode apresentar um meio-campo em 4x4x2 clássico, porque além de João Mário não tem quem seja capaz de jogar como médio-ala clássico. A questão é que, como Gales procura sobretudo os laterais na profundidade, isso pode acarretar um problema defensivo na largura para qualquer meio-campo em losango, sobretudo se nas alas estiverem jogadores de menor predisposição defensiva, como Renato Sanches e João Mário. Ainda assim, a melhor opção parece-me ser o regresso ao losango, com uma alteração: com Danilo atrás e Renato à frente, na posição que Santos costuma entregar a João Moutinho, dando-lhe indicações para investir na pressão sobre a saída de bola adversária. Assim, Portugal poderia manter Adrien como interior, a tentar condicionar Joe Allen, e João Mário (ou Moutinho, se preferir um jogador mais forte defensivamente) do outro lado. E como é que isso afeta a dinâmica de Gales? A saída de bola de Gales é geralmente feita por Ashley Williams ou com recurso à baixa de Joe Allen, mas com os dois laterais projetados nas alas, à procura de situações de dois para um com os laterais adversários potenciadas pelo apoio de um dos médios. Com a pujança de Renato na pressão ao central responsável pela saída de bola e Adrien Silva a condicionar Allen, como fez com Modric, Santos obrigaria os galeses a mudar: ou Allen baixava demasiado para pegar no jogo e depois faltava na frente, ou a saída teria de ser mais segura, com os laterais menos projetados no ataque. Aí, Nani e Ronaldo também têm uma palavra a dizer. Não se desgastando em infrutíferas (ainda que vistosas) ações de pressing, mas ocupando o espaço de forma a condicionar o jogo do adversário, como Ronaldo fez, por exemplo, contra a Croácia, quando conseguiu impedir as saídas pelo lado de Srna simplesmente procurando a meia esquerda em momentos de transição defensiva. E Quaresma? Que papel tem reservado? É verdade que o facto de Gales jogar com três centrais poderia levar Portugal a apostar num 4x3x3, deixando-os sem referências óbvias e condicionando também assim a ação dos laterais. Aí, Chris Coleman teria de optar: ou transformava o seu habitual 3x4x2x1 em 5x2x2x1 e perdia força ofensiva nas alas ou arriscava mantê-lo e quase jogava um para um na última linha defensiva. Só que isso também teria implicações na estratégia de Portugal. Quem jogaria no “três” de meio-campo? Danilo, Adrien e Renato? E quem sobraria no banco para dar uma volta ao jogo se isso vier a ser necessário? Só Rafa? Quaresma tem funcionado melhor a sair do banco que a jogar de início. E fazê-lo compreender isso, que as equipas não têm só onze titulares, tem sido uma das maiores vitórias de Fernando Santos.
2016-07-06
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Último Passe

Um jogo muito diferente dos três anteriores e até daquilo a que a seleção nacional está habituada permitiu a Portugal atingir os quartos-de-final do Europeu, mercê de uma vitória sobre a Croácia, por 1-0, com um golo de Quaresma a três minutos do final do prolongamento. O golo nasceu de um contra-ataque perfeito e coroou de sucesso a tática do esticão em que Fernando Santos apostou quando percebeu que era impossível tirar o domínio ao adversário e chegar lá através de um futebol mais consistente. Também por isso se falou tão pouco de Ronaldo: o primeiro remate do capitão aconteceu precisamente no lance do golo e exigiu uma defesa enorme a Subasic, tendo Quaresma sido o mais rápido a acorrer ao ressalto para marcar de cabeça na baliza deserta. As maiores virtudes lusitanas, no entanto, tiveram pouco a ver com brilho. Foram a exibição imperial de Pepe no comando da defesa, a disponibilidade física de Adrien para contrariar o jogo de posse do meio-campo croata, o jogo quase sem erros de Cédric e Guerreiro e, depois, quando foi preciso mudar o chip ao jogo, as arrancadas de Renato Sanches, a fustigar um adversário que apesar dos dois dias a mais de recuperação de que dispôs também não estava assim tão fresco. Entre os citados estão várias das alterações feitas por Fernando Santos no onze inicial, revelando uma avaliação perfeita do grupo e do que lhe era exigido. Um jogo não se faz com onze jogadores, mas sim com 14. Um jogo não tem de se ganhar nos primeiros minutos: pode ganhar-se nos últimos. Não costuma ser boa política esperar até lá para o ganhar, mas esta seleção tem-no feito com tanta frequência que dá que pensar. Fernando Santos optou por fazer quatro alterações ao onze que tinha defrontado a Hungria. Por três ordens de razões. Raphael Guerreiro regressou à equipa em vez de Eliseu porque é já o titular da posição e já não estava fisicamente impedido de alinhar. José Fonte ocupou a vaga de Ricardo Carvalho no centro da defesa porque os 38 anos do titular não lhe permitem já uma recuperação física tão rápida como a dos companheiros e a fadiga já se lhe notara no jogo com os húngaros, mas também porque era preciso combater o jogo físico do possante Mandzukic. Cédric e Adrien entraram em vez de Vieirinha e João Moutinho por questões ao mesmo tempo estratégicas e de análise do grupo: o lateral direito conteve bem Perisic e o médio não só inibiu Modric de exercer maior influência no jogo como conseguiu ir à frente municiar o ataque: é dele, por exemplo, a recuperação seguida de passe para Nani no lance em que o atacante sofreu uma grande penalidade não assinalada pelo árbitro. Portugal entrou na mesma em 4x4x2, com André Gomes em vez do reclamado Renato Sanches e se a opção parece revelar que Santos não quer Renato numa ala do seu 4x4x2 – e é evidente que não pode jogar com ele ao meio, só com dois médios – a forma como decorreu o jogo deu-lhe razão. Porque entrando aos 50’, Renato ainda teve tempo de se tornar uma força motriz nas chegadas de Portugal à frente. Nessa altura, com a saída de André Gomes, Portugal passou a um 4x3x3 que serve mais as caraterísticas de Renato mas sacrifica João Mário, que teve de se encostar na esquerda do ataque. E não é a mesma coisa ser ala no meio-campo de quatro ou extremo no ataque a três: João Mário, que joga melhor ao meio, pode desempenhar a primeira função mas terá sempre muitas dificuldades em dar à equipa o jogo pleno de velocidade que a segunda exige, razão pela qual foi depois naturalmente sacrificado para dar entrada a Quaresma, quando o treinador percebeu que não ia lá através do jogo consistente e mais valia apostar na tática do esticão. O 4x4x2 português tentava encaixar no 4x2x3x1 croata. Não havia marcações individuais, mas notava-se que William Carvalho se preocupava muito com as movimentações de Rakitic, o croata que jogava mais perto do ponta-de-lança, e que Adrien subia em pressão para ir buscar Modric, o principal cérebro do jogo axadrezado. O jogo era muito feito de encaixes, mas enquanto Portugal baixava para se organizar defensivamente, a equipa de Ante Cacic pressionava a saída de bola portuguesa, levando os centrais lusos a jogar mutas vezes longo e a perder a bola. Isso levou ao domínio territorial e de posse dos croatas, mas nem por isso a um jogo com ocasiões de golo. Em toda a primeira parte não houve um único remate bem enquadrado com as duas balizas e três dos quatro que saíram ao lado (três da Croácia e um de Portugal) nasceram em lances de bola parada. No segundo tempo, com a entrada de Renato Sanches e a passagem dos portugueses para um 4x3x3 que encaixava ainda melhor no 4x2x3x1 croata, só o desgaste natural das duas equipas permitiu que o jogo partisse um pouco e que começassem a entrar contra-ataques e ataques rápidos. Brozovic esteve perto do golo aos 52’, mas chutou cobre a barra da baliza de Patrício e, aos 57’, foi a vez de Renato chutar ao lado de boa posição, após uma boa tabela com João Mário. Até ao final dos 90’, só um cabeceamento de Vida, após livre de Srna, aos 62’, deixou a defesa de Portugal em cuidados. Fernando Santos atacou o prolongamento com Quaresma em vez de João Mário e percebia-se que o jogo estava para os raides do extremo do Besiktas. Ainda assim, o maior volume de jogo croata deixava Portugal em cuidado permanente. Kalinic chutou ao lado de boa posição aos 97’ e Vida voltou a ameaçar num canto, cabeceando por cima da barra aos 112’. Nessa altura já Portugal trocara Adrien por Danilo, numa tentativa de tapar a entrada da área e ganhar altura nas bolas paradas que a Croácia ia tendo com frequência e nas quais criava sempre perigo. Perdia-se a capacidade de Adrien nos penaltis, mas acabou por não ser necessário lá chegar porque a equipa fez valer os argumentos que tinha em campo. Após um cabeceamento de Perisic detido a meias por Rui Patrício e pelo poste, Quaresma desarmou Strinic perto do bico da área portuguesa, a bola sobrou para Ronaldo que a entregou de imediato a Renato Sanches, tirando a bola da zona de pressão croata. Este, com condições para correr, conduziu um contra-ataque de quatro para quatro por uns 50 metros antes de entregar a Nani na esquerda. Nani cruzou de trivela para o segundo poste onde, em boa posição, Ronaldo obrigou Subasic à primeira defesa do jogo. Quaresma, que tinha acompanhado a jogada, só teve de encostar de cabeça para enviar Portugal para os quartos-de-final.
2016-06-26
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Um dia, quando se aproximava um jogo contra um adversário que abusava do jogo aéreo, sempre direto para o ponta-de-lança, Johan Cruijff surpreendeu Guardiola dizendo-lhe expressamente que não o queria a saltar com o gigante, mas sim colocado uns metros mais atrás, para se concentrar na tarefa de recolher a bola que iria sobrar do duelo que alguém iria disputar – e quase sempre perder – com ele. Ali, o que importava não era saltar mais alto que o armário, não era ser mais forte do que ele no choque: era só atrapalhá-lo o suficiente para que ele não pudesse escolher o local para onde ia dirigir a bola que lhe caía dos ares. O jogo começaria a seguir e aí estaria Guardiola para lhe dar início. Depois de ver o Portugal-Islândia e de analisar todas as estatísticas do jogo, fiquei convencido de que foi um erro a opção por Danilo em detrimento de William Carvalho, porque ao assumi-la o selecionador nacional estava a escolher as batalhas erradas, aquelas que nunca poderia ganhar, face à qualidade de Sigthorsson no jogo aéreo. Acredito que Fernando Santos concordará e que será ali que começarão as alterações na equipa que empatou com a Islândia quando for preciso ganhar à Áustria. Resta perceber se ficarão por aí. “Se uma batalha não pode ser ganha, não a traves”. Este era o conselho de Sun Tzu, na velha “Arte da Guerra”. Ora a batalha corpo a corpo com os possantes islandeses – não era só uma questão de estatura, mas também de peso e sobretudo de predisposição para aquele tipo de futebol – era das que não podia ser ganha. Depois do jogo, olhando para os números é fácil de entender que esta era uma das batalhas que não devia sequer ser travada. Todos os jogadores baixaram a percentagem de duelos corpo-a-corpo ganhos em comparação, por exemplo, com o jogo ante a Inglaterra. Só na linha defensiva, Vieirinha caiu de 71% para 56%, Ricardo Carvalho de 75% para 64%, Pepe ficou pelos 65% e portanto abaixo dos 66% da soma de Bruno Alves com José Fonte em Wembley, e Raphael Guerreiro conseguiu 43% face aos 50% de Eliseu em Inglaterra. A maior diferença, contudo, esteve em Danilo, que tinha ganho 60% dos duelos em Wembley e se ficou agora por uns 32% que são o seu pior número desde Setembro. É claro que um onze não deve ser escolhido com base nos jogadores que ganham mais duelos corpo-a-corpo… a não ser que a base do jogo da equipa seja essa. A de Portugal não é e não será nunca, o que transformou a escolha de Danilo numa contra-medida paradoxal para a ideia de jogo da equipa. O problema não foi Danilo mas sim o facto de ele estar em campo com base em argumentos que são os da Islândia e não os de Portugal. Em vez de travar a batalha das lutas corpo-a-corpo, Portugal devia ter-se concentrado nas que podia vencer, com bola no chão, triangulações para envolver o adversário e ganhar o espaço entre as linhas defensivas do adversário, de onde poderia solicitar os avançados com muito maior perigo. Pois isso raramente foi conseguido: Portugal só criou perigo a jogar por fora e isso teve muito a ver com a forma como priorizou os valores errados no primeiro momento de construção. Será, evidentemente, impossível definir agora se a incapacidade da equipa nacional para meter gente entre linhas teve a ver com uma má gestão da transição ofensiva – o primeiro passe –, com o facto de tanto João Mário como André Gomes estarem demasiado abertos junto às linhas e procurarem pouco as diagonais para dentro ou ainda com um menor rendimento de Moutinho face ao que o treinador dele espera. Olhemos para João Moutinho, por exemplo. Acabou o jogo com uma boa percentagem de passes certos: ficou-se pelos 91%, acima até da sua média do último mês (que é de 89%) e bem acima da média para toda a época, que é de 84%. Ora este é o primeiro dado que pode fazer-nos desconfiar. A olho nu parece que ele está a jogar menos, mas apresenta uma percentagem de passe melhor do que a sua própria média? Provavelmente porque está a proteger-se mais: desde o jogo com a Noruega que Moutinho não tenta sequer um passe de rotura – daqueles que deixam os companheiros com espaço para correr atrás do bloco adversário – quando a sua média para a temporada é de 2,5 por jogo e fechou os meses de Janeiro e Fevereiro com três tentativas por cada 90 minutos. As médias ofensivas da temporada de Moutinho são de longe as melhores entre os candidatos ao lugar de médio-centro: soma 7,0 passes na área por jogo contra 2,3 de Renato e 1,9 de Adrien; 2,5 passes de rotura contra 2,0 de Renato e 1,6 de Adrien. Defensivamente, o melhor é Adrien, com 6,0 interceções contra 4,2 de Moutinho e 3,5 de Renato; e 6,0 recuperações, contra 4,2 de Renato e 3,7 de Moutinho. Adrien tem ainda a melhor percentagem de passe: 88% de entregas certas, contra 85% de Renato e 84% de Moutinho. Aqui, no entanto, começa aquela área da decisão que tem a ver com as convicções. A aposta de Fernando Santos em João Moutinho tem a ver com o facto de querer devolver-lhe o ritmo que ele perdeu com a lesão a tempo de o ter a carburar nos oitavos-de-final. Neste momento a questão que se coloca é: haverá condições para continuar a assumir o risco? Este é um daqueles momentos em que o treinador é o homem mais só do Mundo.
2016-06-16
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Último Passe

O resultado foi bom, a exibição não foi má, mas Portugal precisa de melhorar mais do que os 3-0 à Noruega deixam antever para poder fazer um Campeonato da Europa de grande nível. É verdade que faltaram Ronaldo, Nani e Pepe, mas a Noruega, que nem é um dos 24 qualificados para a fase final, ainda chegou para dividir o jogo com os portugueses durante uma boa meia-hora e para deixar a pairar no ar o espectro de um empate que só um livre superiormente executado por Raphael Guerreiro veio extinguir. Quaresma e Éder fizeram os outros dois golos de um ensaio que, pelo menos, permitirá seguir a preparação com tranquilidade e que, além disso, terá levado Fernando Santos a algumas conclusões. Umas mais satisfatórias do que as outras. As boas primeiro? Danilo pode perfeitamente quebrar o galho como defesa-central, posição que ocupou na última meia-hora, em vez de Ricardo Carvalho, acertando sempre no tempo de entrada aos lances. João Mário continua a respirar classe e vai mesmo lançado para um excelente Europeu, como se percebeu no modo como serpenteava entre os adversários a criar desequilíbrios na direita. Anthony Lopes é uma alternativa muito credível a Rui Patrício nas redes e isso viu-se no modo como tirou a King o que podia ter sido o golo do empate, ainda na primeira parte. Adrien entrou bem, a dar dinâmica a um meio-campo que se tinha deixado adormecer pelo jogo pausado e depois direto dos noruegueses. Guerreiro bate bem livres e Quaresma é um génio, mesmo quando faz o contrário do que está no plano de jogo. Porque o primeiro golo português nasce tanto da inspiração do extremo do Besiktas como da constatação de que com ele é difícil pôr em prática a estratégia dos dois avançados móveis e mesmo assim ter gente na área. Durante a transmissão televisiva lembrei-me da velha história de José Maria Pedroto, que um dia, num jogo do FC Porto, teria gritado a António Oliveira para que este soltasse a bola e, tendo este prosseguido com a jogada individual e feito golo, terá depois balbuciado algo como: “também está bem”. O lance do 1-0 de Portugal foi igual. Combinação entre João Mário e Cédric na direita e cruzamento para a área onde, face à tendência de Quaresma para abrir no flanco oposto, só estava Éder e chegava André Gomes. Os noruegueses repeliram a bola, esta chegou ao flanco oposto, onde Quaresma lhe pegou, saiu da frente de um defesa e chutou em arco para um golo de bandeira. Foi a vitória da inspiração sobre a organização e o prémio para 13 minutos de bom nível, nos quais Portugal teve quase sempre a bola e esteve bem, tanto em ataque posicional como, sobretudo, na pressão defensiva que permitia recuperar muitas vezes a iniciativa ainda bem dentro do meio-campo da Noruega. Instantes depois, Éder teve nos pés a oportunidade para o 2-0, mas como o avançado do Lille falhou o golo, o jogo entrou numa fase de indefinição e até de alguma supremacia norueguesa. Os nórdicos começaram tímidos, sobretudo a explorar a profundidade dada pela velocidade de King ou a estampa física de Berisha, a sair da direita para o meio, mas na segunda parte aproveitaram o retraimento português para se assenhorearem do jogo, estando de forma consolidada mais perto do empate. Notou-se aí que João Moutinho está sem ritmo, não espantando que tenha sido o primeiro a sair quando Fernando Santos resolveu mexer. Com Adrien, o meio-campo de Portugal ganhou amplitude e foi numa falta ganha pelo médio à entrada da área e superiormente convertida por Raphael Guerreiro com um remate ao ângulo que, aos 65’, a seleção pôs termo à indefinição. Aos 2-0, os noruegueses desistiram e os portugueses descansaram. Fizeram ainda o terceiro golo, por Éder, a responder cinco minutos depois a mais uma combinação entre Cédric e João Mário com um remate na cara do guarda-redes. E até final o jogo não teve muitos motivos de interesse a não ser a avaliação do que Renato Sanches pode dar à equipa a partir de uma ala. O médio que o Benfica transferiu para o Bayern fez os últimos 18 minutos em vez de João Mário, sobre a meia-direita, e embora fique a sensação de que a meia-esquerda lhe convém mais, até pode lutar por um lugar de médio-ala com André Gomes, desde que aprenda taticamente as necessidades da posição. 
2016-05-29
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Benfica e Sporting vão decidir o título de campeão nacional, na última jornada da Liga, sem Renato Sanches e Adrien Silva, os jogadores que são a alma dos respetivos meios-campos e que tão importantes foram na forma como as duas equipas aqui chegaram em condições de serem campeãs. Ninguém mereceria mais do que eles celebrar o título em campo mas, ocorra o que ocorrer no último dia, os patrões dos dois candidatos ao título terão de ficar a torcer por fora. E num dos casos – porque a Liga não pode ter dois campeões – vai ser “dia santo na loja”. Os jogos das duas equipas têm graus de dificuldade muito diferentes: o Benfica recebe o Nacional, enquanto que o Sporting visita o Sp. Braga. Mas festejará o final deste alucinante sprint quem souber ultrapassar melhor a ausência do coração do seu meio-campo. Renato Sanches foi fundamental na refundação do futebol do Benfica, dando à equipa a explosão de que ela necessitava para fazer a ligação do meio-campo a Jonas. Entrou na equipa quando o Benfica defendia o terceiro lugar face aos avanços do Sp. Braga e acabou por ajudar a carregá-la até esta situação privilegiada em que se encontra neste momento, com 19 vitórias nos últimos 20 jogos e a apenas mais uma do tricampeonato, pois lidera com dois pontos de avanço do Sporting. Ao mesmo tempo, Adrien foi um dos argumentos principais que o Sporting apresentou na época em que já garantiu a melhor pontuação da história e em que entra na última jornada em condições de ser campeão pela primeira vez desde 2007. O capitão dá ao meio-campo agressividade no momento da perda de bola, mas também a capacidade de aproximação à área em posse que lhe permite somar golos e assistências semana após semana. A verdade é que, mesmo sabendo-se que mais de metade do país preferirá contestar as arbitragens – e sim, o cartão amarelo a Adrien frente ao V. Setúbal é mal mostrado, da mesma forma que me parece injustificado o primeiro dos dois amarelos a Renato Sanches nos Barreiros –, os afastamentos dos dois jogadores têm a ver com aquilo que eles são neste momento. Pela forma agressiva como disputa cada duelo, Adrien é um jogador muito propenso aos amarelos. É, de longe, o elemento dos três grandes com mais cartões na Liga: soma 12, contra dez de Maxi Pereira, que é quem mais dele se aproxima, e nove de Eliseu, o benfiquista mais admoestado. Por sua vez, Renato Sanches é ainda um jovem bastante inexperiente, que não teve a necessária contenção depois de ter visto o primeiro amarelo e fez, minutos depois, uma falta que lhe valeu o segundo e podia bem ter deixado o Benfica em muito maus lençóis, tivesse o Marítimo condições para discutir o jogo. A culpa foi dos árbitros? Também. Mas a recusa em aceitar as próprias limitações é sempre um primeiro passo para adiar o crescimento. E nem Renato nem Adrien merecem isso. Em casa contra o Nacional, Rui Vitória não deverá ter muitas dúvidas na forma de formar o onze. Se tiver toda a gente em condições, será Talisca a substituir o jovem da Musgueira, até como forma de premiar o baiano pelo extraordinário golo de livre que marcou, a resolver definitivamente o jogo com o Marítimo – um golo semelhante ao que tinha feito ao Bayern, na Liga dos Campeões. Nestas circunstâncias, o treinador do Benfica não costuma inventar, antes acreditando muito na rotina que vai criando. Por sua vez, em Braga, contra uma equipa que até pode sentir a tentação de tirar o pé, a pensar na final da Taça de Portugal, mas que mesmo assim tem mais potencial e já criou muitas dificuldades ao Sporting – uma vitória na Taça e uma derrota tangencial na Liga, com 6-6 em golos no somatório dos dois jogos –, Jesus terá mais dúvidas para decidir. O grau de dificuldade do jogo sugeriria a aposta em Aquilani, que tem sido o substituto de Adrien em quase todas as ausências, mas o italiano não fez um minuto nas últimas quatro partidas e a boa prova de Gelson contra o V. Setúbal – dois golos – pode até aconselhar a sua manutenção em campo e a reentrada de João Mário para a zona central. É que a resposta usual de Jesus a momentos de dificuldade tem sido, este ano, meter mais gente na frente – e tem resultado. In Diário de Notícias, 09.05.2016
2016-05-09
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Último Passe

O Sporting manteve a distância relativamente ao Benfica no topo da Liga em dois pontos, ao vencer em casa o Marítimo por 3-1, numa partida que fica marcada pela continuação do bom momento de Teo Gutièrrez e pelo regresso de Slimani aos golos em Alvalade mas também pela confirmação da influência de Adrien Silva na equipa e pelo lançamento de algumas dúvidas acerca da possibilidade de Bruno César continuar a ser lateral-esquerdo. Sem o capitão, o meio-campo leonino perdeu qualidade e agressividade nos momentos defensivos e colocou-se várias vezes à mercê de perigosos ataques maritimistas. Aí, por mais de uma vez, valeram intervenções de qualidade de Rui Patrício, a fazer a diferença entre os dois ataques. Não pode sequer dizer-se que a vitória se justifique com um excelente índice de aproveitamento das ocasiões de golo criadas, pois tal como habitualmente os avançados leoninos pareceram apostados em tirar expressões de desespero da face de Jorge Jesus, como a que o treinador fez logo aos 15’, quando Ruiz perdeu um golo feito, cabeceando ao lado após um cruzamento de Gutièrrez. Não foi caso isolado, porém, e felizmente para os leões foi até um problema comum ao Marítimo, que chegou ao intervalo com o dobro dos remates (seis contra três) da equipa da casa. A forma como o Sporting chegou à vantagem, aliás, foi duplamente afortunada. Edgar Costa já tinha perdido uma ocasião soberana aos 17’, quando surgiu nas costas de Bruno César, mas desviou a bola sobre a barra, mas o momento definidor do primeiro tempo tem a ver com as botas de João Diogo: aos 41’, o lateral maritimista fez uma bela jogada na direita, superou os passivos Ruiz e Bruno César e chegou a uma boa posição para marcar, mas permitiu a defesa de Rui Patrício; um minuto depois, desviou com a ponta da bota um remate de fora da área feito por Teo Gutiérrez, levando a bola a fazer um arco e fugir da tentativa de defesa de Salin, aninhando-se nas redes. Gutièrrez, que até tinha sido o melhor do Sporting na primeira parte, colocava a equipa da casa numa situação de vantagem que, verdadeiramente, ela só mereceu no segundo tempo. Mais alerta, o Sporting entrou bem no segundo tempo, fazendo uma boa meia-hora, na qual chegou aos 3-0 sem grandes dificuldades. Logo aos 53’, William Carvalho fez o segundo, com um remate muito colocado após iniciativa de João Mário. E aos 76’, pouco depois de Aquilani ter estado perto do terceiro, num lance que também teve direito a carambola mas que desta vez Salin conseguiu defender, foi a vez de Slimani pôr fim ao jejum de golos em casa que já datava desde a partida com o Tondela, há três meses, aparecendo na ponta final de mais um remate de João Mário que a defesa maritimista desviou. Com o jogo resolvido, os lisboetas relaxaram e talvez até o tenham feito em demasia, porque o Marítimo pôde assim crescer. Ghazaryan fez o merecido golo de honra insular, aos 81’, e os últimos minutos foram particularmente abertos, com ocasiões de golo de parte a parte, perdidas pelo maritimista Djoussé e pelo sportinguista Matheus (esta escandalosa, após um lance em que os leões apareceram em três para um, num contra-ataque). Nenhum dos dois marcou, pelo que o jogo ficou nuns 3-1 que se aceitam sem problemas, ainda que a margem mínima talvez fosse mais acertada para uma partida que mostrou que o Marítimo vale mais que o 12º lugar que ocupa na tabela e que, defensivamente, o Sporting não vive muito bem com as ausências de Adrien.
2016-04-10
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Stats

Adrien Silva, que viu o nono cartão amarelo na Liga na última jornada, na deslocação ao Restelo, para defrontar o Belenenses, estará ausente na receção do Sporting ao Marítimo. Jorge Jesus fica assim sem o maior contribuinte para a série de seis vitórias seguidas que os leões levam nos jogos com os insulares: o capitão de equipa marcou em quatro dessas seis partidas, tendo mesmo sido ele a garantir o sucesso com um golo solitário nas últimas duas. Em início de Dezembro, nos Barreiros, foi Adrien quem fez o golo que valeu ao Sporting a vitória por 1-0 nos Barreiros. Marcou no início da segunda parte, a aproveitar uma jogada de João Mário pela direita, seguida de passe rasteiro para um remate seco à entrada da área. Já em Março do ano passado, na partida da segunda volta da Liga anterior, os leões tinham ganho por 1-0 nos Barreiros, também com um golo de Adrien, dessa vez a punir uma grande penalidade cometida por Raul Silva sobre Jefferson. Nos 4-2 de Alvalade em Outubro de 2014, o médio limitou-se a assistir Montero para o golo com que os leões encerraram a contagem, não marcando nenhum em nome próprio. Em Março de 2014, foi também de penalti, assinalado a punir derrube de Márcio do Rozário a Carlos Mané, que Adrien começou a desenhar a vitória do Sporting nos Barreiros, por 3-1. Sem ligação aos golos nos 3-0 com que o Sporting se impôs em partida da Taça da Liga, em Janeiro de 2014, Adrien decidiu ainda a favor dos leões na vitória por 3-2, em Alvalade, em Novembro de 2013. Esta será a quarta ausência de Adrien Silva em jogos de campeonato esta época, a terceira por castigo. Não esteve na nona jornada, a vitória em casa frente ao Estoril, por 1-0, por ter visto o quinto amarelo na competição contra o Benfica, na semana anterior. Falhou depois o empate em Guimarães (0-0), na 24ª ronda, por causa de uma lesão que já o impedira, a meio da semana, de estar na derrota em Leverkusen (1-3). E voltou a faltar na vitória no Estoril (2-1), à 26ª jornada, porque estava a cumprir um jogo de castigo na sequência da expulsão na derrota frente ao Benfica, em Alvalade (0-1).   O Marítimo também não poderá contar com Dyego Souza, o goleador que foi expulso na vitória que os verde-rubros conseguiram contra o Nacional, na última jornada. Dyego Souza é o melhor marcador do Marítimo na Liga, com 11 golos, a maior parte dos quais (seis) fora de casa: marcou no terreno do U. Madeira (1-2), do Sp. Braga (1-5), do Boavista (1-0), do Arouca (1-4), do Tondela (4-3) e do Paços de Ferreira (2-2).   Os últimos oito golos de Slimani pelo Sporting foram todos fora de casa. O argelino anda há seis jogos à procura de um golo em Alvalade, algo que já lhe escapa desde 15 de Janeiro, quando fez o primeiro de um empate caseiro com o Tondela (2-2). Depois disso, não marcou à Académica (3-2), ao Rio Ave (0-0), ao Leverkusen (0-1), ao Boavista (2-0), ao Benfica (0-1) e ao Arouca (5-2). A maior série de jogos de Slimani em branco em Alvalade foi de sete jogos, iniciada precisamente depois de marcar ao Marítimo, a 2 de Novembro de 2013 (3-2). Depois disso, ficou a zeros contra Paços de Ferreira (4-0), Belenenses (3-0), Nacional (0-0), FC Porto (0-0), Marítimo (3-0), Académica (0-0) e Olhanense (1-0), interrompendo o jejum caseiro com um golo ao Sp. Braga (2-1), a 1 de Março de 2014. Em cinco destes sete jogos, porém, foi apenas suplente utilizado.   Nelo Vingada ganhou na última vez que levou uma equipa a Alvalade. Foi em 16 de Outubro de 2005 que um golo de Marcel chegou à Académica, então dirigida pelo atual treinador do Marítimo, para ganhar em Lisboa ao Sporting de José Peseiro, motivando a demissão do treinador leonino e a ascensão de Paulo Bento ao comando técnico dos leões. Depois disso, Nelo Vingada defrontou o Sporting por mais duas vezes, ambas em casa, perdendo sempre: 0-3 para o campeonato, em Fevereiro de 2006, e 0-2 para a Taça de Portugal, em Março do mesmo ano.   Na última vez que Nelo Vingada visitou uma equipa liderada por Jorge Jesus… também ganhou. Foi a 5 de Março de 2006 que a Académica se impôs em Leiria à União, que na altura era comandada pelo atual treinador do Sporting, por 2-0, com golos de Filipe Teixeira e Joeano. Depois disso, em Agosto de 2009, os dois voltaram a enfrentar-se, em Guimarães, e o Vitória de Nelo Vingada acabou batido no Minho pelo Benfica de Jesus por 1-0, graças a um golo de Ramíres no último minuto de jogo.   Jorge Jesus, porém, ganhou os últimos cinco jogos contra o Marítimo: 1-0 pelo Sporting nos Barreiros, já neste campeonato; 4-1 em casa e 4-0 fora pelo Benfica no campeonato passado; 2-1, igualmente pelo Benfica, na última final da Taça da Liga; e 2-0 em casa na época de 2013/14. O último percalço de Jesus contra os leões do Funchal foi em Agosto de 2013: perdeu por 2-1 com o Benfica nos Barreiros.   Rui Patrício e João Mário estrearam-se na Liga portuguesa a jogar contra o Marítimo. O guarda-redes fê-lo a 19 de Novembro de 2006, lançado por Paulo Bento numa vitória por 1-0 nos Barreiros, na qual até teve de defender um penalti. O médio estreou-se a 10 de Fevereiro de 2013, lançado por Jeusaldo Ferreira na derrota leonina por 1-0, em Alvalade.   O Sporting ganhou as últimas seis partidas contra o Marítimo, as duas últimas sem sofrer golos, ambas nos Barreiros. A última vez que os insulares escaparam à derrota no confronto com os leões foi em Alvalade, a 10 de Fevereiro de 2013, quando ali foram ganhar por 1-0, com um golo do coreano Suk, que agora joga no FC Porto.   Aliás, se contarmos só jogos da Liga, o Marítimo marcou sempre nas últimas quatro visitas a Alvalade. A última vez que ali ficou em branco foi em Agosto de 2010, quando um penalti de Matias Fernández deu a vitória aos leões, por 1-0. Depois disso, até ganhou duas vezes: 3-2 em Agosto de 2011, com golos de Rafael Miranda, Sami e Baba a responderem a tentos de Izmailov e Jeffrén, e o tal 1-0 de Fevereiro de 2013, com a assinatura de Suk. As últimas duas partidas ganhou-as o Sporting: 3-2 em Novembro de 2013 (Capel, Slimani e Adrien marcaram para os lisboetas, Ruben Ferreira e Heldon para os insulares) e 4-2 em Outubro de 2014 (com um bis de Maazou a revelar-se insuficiente para contrariar um autogolo de Bauer e os tentos de João Mário, Paulo Oliveira e Montero).   O Sporting sofre golos há quatro jogos consecutivos, não mantendo a baliza a zeros na Liga desde o empate em Guimarães, a 29 de Fevereiro: 0-1 com o Benfica, 2-1 ao Estoril, 5-1 ao Arouca e 5-2 ao Belenenses. Esta foi a terceira série de quatro jornadas seguidas da Liga com os leões a sofrerem golos esta época. Para se encontrarem cinco jogos consecutivos dos leões na Liga sempre a sofrer golos é preciso recuar a Março e Abril do ano passado, quando a equipa de Marco Silva defrontou o V. Guimarães (4-1), o Paços de Ferreira (1-1), o V. Setúbal (2-1), o Boavista (2-1) e o Moreirense (4-1).
2016-04-08
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Último Passe

O Sporting não desiste do campeonato e respondeu à goleada do Benfica ao Sp. Braga com outra goleada ao Belenenses no Restelo, com um resultado quase idêntico (5-2). Livres de todas as outras obrigações e compromissos, os leões voltaram a fazer uma grande exibição, impondo desde o início o seu habitual futebol feito de triangulações e apagando com naturalidade a luz que dava esperança ao Belenenses. Slimani bisou durante a primeira parte, Téo Gutiérrez imitou-o na segunda, tendo Adrien, Bakic e Tiago Silva feito os restantes golos de um segundo tempo em que Julio Velásquez desequilibrou a equipa azul com substituições atacantes que não tiveram o efeito desejado. Mas não foi por aí que o jogo se resolveu. Jorge Jesus voltou a apostar em Bruno César como defesa-esquerdo, mostrando que a solução não lhe serve apenas para os jogos em casa, enquanto que o Belenenses entrava com a equipa esperada, em 4x2x3x1, com Carlos Martins a comandar as operações. A chave da partida foi a forma como, logo desde o início, os jogadores do Sporting iam à procura da bola ainda bem dentro do meio-campo adversário, cortando linhas de passe e conseguindo muitas recuperações altas, das quais partiam para situações de golo, umas atrás das outras. Quando Slimani abriu o marcador, aos 23’, após passe de Adrien, já Jorge Jesus praguejava no banco com tanta falha na finalização: Téo Gutiérrez, por duas vezes, e William Carvalho, noutra, a mais escandalosa de todas, porque caiu com a baliza à mercê, depois de passar o guarda-redes, perderam esse golo de abertura. Não os imitou o argelino, como também não falhou depois, quando Jesus deu para dentro do campo ordens expressas para que fosse ele a bater o penalti cometido por Tiago Almeida sobre Bryan Ruiz; à passagem da meia-hora de jogo. Com 2-0 ao intervalo, Julio Velásquez tentou repetir o que fizera contra o FC Porto. Trocou Tiago Almeida e Tiago Caeiro por Tiago Silva e Juanto, mandou Sturgeon tapar o flanco direito e incentivou a equipa a ir para cima da baliza de Rui Patrício. O problema é que, ao contrário do que sucedeu nesse jogo, desta vez a equipa teve de encarar mais ou menos o mesmo desfecho que tinha enfrentado na sequência da estratégia ofensiva adotada na receção ao Benfica: mais golos nas redes de Ventura. Adrien fez, com um belo remate, o 0-3. Minutos depois, Ruiz voltou a perder um golo cantado por excesso de confiança (que originou um corte oportuno de Gonçalo Brandão).O costa-riquenho deu depois, noutro lance, esse mesmo quarto golo a Téo, que desta vez não falhou. Com o jogo resolvido, o Belenenses ainda reduziu, num livre lateral em que Bakic foi mais forte que Slimani. Téo fez o 5-1, após jogada do recém-entrado Carlos Mané, tendo Tiago Silva fixado o 5-2 final num remate de fora da área. Mais golo, menos golo, a vitória do Sporting não sofre contestação e mantém os leões na corrida ao título. A equipa de Jesus manteve os dois pontos de atraso para o Benfica, que desta forma continua proibido de falhar.
2016-04-04
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Último Passe

A chamada de Renato Sanches aos jogos que Portugal vai fazer com a Bulgária e a Bélgica, no final deste mês, é absolutamente normal e esperada. Por muito que ela seja contestada, já se viram coisas muito mais estranhas. Aliás, no caso do médio benfiquista, estranho seria que Fernando Santos não aproveitasse os últimos jogos antes da convocatória final para o Europeu para ver a nova coqueluche do Benfica num ambiente de seleção A ao qual regressa Ronaldo, em princípio para voltar a jogar como ponta-de-lança. Renato Sanches tem passado nas seleções, pode dar à equipa nacional coisas que ela não tem em abundância, como a amplitude territorial em que se move, a meia-distância ou o arranque forte com bola. Mesmo longe de ser um jogador feito – ainda se lhe notam inconsistências, sobretudo nos comportamentos sem bola – tem sido fundamental na recuperação que trouxe o Benfica dos sete pontos de atraso que tinha quando ele entrou no onze para os dois de avanço que tem neste momento. Não tem um par de jogos como titular, como alguns elementos chamados no passado recente à seleção nacional, pelo que se justifica plenamente a sua convocatória. Aliás, em rigor, toda a convocatória de Fernando Santos parece absolutamente normal. É normal eu estejam Adrien e João Mário, os dois melhores médios do Sporting que, ainda assim, faz figura de desafiante na corrida ao título. É normal que apareçam William e Danilo, quanto mais não seja para Fernando Santos perceber qual dos dois quer levar ao Europeu, uma vez que não será fácil que caibam ambos. É normal que regressem Ronaldo, Danny e Ricardo Carvalho. Aliás, neste caso, o que foi anormal foi não terem estado na última convocatória. É normal que esteja Rafa, um fenómeno de aceleração de jogo no último terço, que pode ter um papel bem mais ativo do que há dois anos, quando foi a surpresa na lista para o Mundial. É normal que caiam Ruben Neves e Gonçalo Guedes, porque deixaram de ser opção no FC Porto e no Benfica. A única coisa anormal é mesmo que ainda esteja por testar um ponta-de-lança capaz de jogar com Ronaldo, algo que o regresso de Éder não vem propriamente resolver. O que me leva a crer cada vez mais que a ideia de Fernando Santos é mesmo a de sacrificar o CR7 na posição de avançado de referência. Talvez nem haja outra solução, mas a verdade é que não foi feito tudo para a encontrar.
2016-03-18
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Último Passe

Um Sporting muito abaixo do exigível comprometeu seriamente a continuidade na Liga Europa, ao perder em casa com o Leverkusen, por 1-0, numa noite em que Jesus até foi parco nas poupanças, mas na qual a equipa se mostrou demasiado descontraída e sempre incapaz de meter em campo combinações ofensivas e de criar situações de perigo. Como resultado, os leões foram submetidos durante quase todo o jogo à superioridade dos alemães. O 0-1 foi mesmo um resultado lisonjeiro para a equipa portuguesa, que viu os alemães desperdiçarem as melhores ocasiões para ampliar a marca, incluindo um remate de Bellarabi ao poste a quatro minutos do fim, e podia bem ter ido para casa com a eliminatória resolvida e sem o dilema acrescido acerca do que fazer na segunda mão: poupar ou arriscar para tentar virar. Desta vez, nem a poupança de titulares ou a prioridade à Liga portuguesa serve de justificação para o que se viu em campo. Jesus entrou em campo com a melhor equipa possível, exceção feita às poupanças de Adrien e Slimani, que foram substituídos por Aquilani e Teo Gutièrrez e entraram apenas a meia-hora do fim. Ainda assim, desde cedo se percebeu que o Leverkusen mandava no campo, fruto da superioridade no corredor central, não só em números, pois Mané estava sempre mais perto de Gutièrrez do que dos dois médios, mas também em vigor físico, uma vez que Kramer e Brandt impunham a sua força a William e Aquilani e empurravam a equipa para a frente. O jogo corria pouco fluído, muito à base de ressaltos, e ainda nem tinha tido muitas situações de golo (só um cabeceamento de Toprak por cima e um remate de Jefferson defendido por Leno) quando Bellarabi aproveitou um cruzamento de Jedvaj e a desatenção de Coates e João Pereira para surgir ao segundo poste a emendar para o 0-1. Jesus não mexeu, nem sequer ao intervalo, obedecendo impassível ao plano de jogo previamente desenhado. O desafio pedia um flanqueador como Gelson, pedia a intensidade de Adrien e a profundidade de Slimani, mas se o primeiro não chegou a entrar, os outros dois subiram ao relvado apenas aos 60’, fazendo com que o melhor que se viu dos leões tenham sido as iniciativas individuais de Ruiz e Mané. Quando Adrien e Slimani entraram, já Mehmedi tinha obrigado Rui Patrício a empenhar-se para evitar o 0-2. E antes de as substituições se refletirem no jogo, Ruben Semedo fez-se expulsar com segundo amarelo, acabando de matar as esperanças na reviravolta. Até final, com William Carvalho a defesa-central ao lado de Ewerton, que pouco antes substituíra Coates, o Sporting não chegou sequer a mostrar os dentes. A melhor ocasião de golo ainda pertenceu aos alemães, num remate de Bellarabi ao poste, mas o 0-1 já não se alterou. O que deixa os responsáveis leoninos ante um dilema: o que fazer na segunda mão? É que se as perspetivas de seguir em frente são agora menores, há ainda a somar a tudo isso a certeza de que o jogo de campeonato que se segue à viagem a Leverkusen (visita a Guimarães) pede muito mais poupança do que o próximo (receção ao Boavista).ruiz
2016-02-18
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Último Passe

Um jogo impositivo na Choupana, contra um Nacional que confirmou fragilidades já anteriormente detetadas, permitiu ao Sporting regressar ao comando isolado da Liga. O 4-0 final expressa muito bem a diferença de rendimento entre as duas equipas. Rui Patrício fez a primeira defesa aos 89’, num livre, tão permanente foi o domínio leonino e tão boa foi a presença da dupla de centrais criada entre Coates e Ruben Semedo. Na frente, as combinações trianguladas entre defesa-lateral, médio e extremo geraram inúmeras situações de finalização, só sendo verdadeiramente estranho que a equipa de Jorge Jesus tenha demorado tanto a chegar ao segundo golo e à tranquilidade. Em altura de renovação de contratos com vários jogadores, a equipa renovou a esperança dos adeptos pela forma como respondeu à derrota do Benfica no clássico contra o FC Porto e volta a olhar de cima para baixo para os adversários. É verdade que o Sporting entrou praticamente a ganhar, com um golo a nascer de um canto logo aos 3’, fruto da movimentação veloz de Slimani no ataque à bola. Mas o Nacional, que tentava surpreender em 4x4x2, com Ricardo Gomes perto do regressado Soares, nunca entrou no jogo em condições de ripostar. O jogo sem falhas dos dois centrais leoninos, que começaram pela primeira vez um jogo lado a lado, sempre bem auxiliados por um William Carvalho mais perto do seu real valor, anulava a única arma atacante dos madeirenses, que eram os cruzamentos largos. E, assegurando que tinha mais bola, era uma questão de tempo até o Sporting ampliar a vantagem. Não o fez na primeira parte, na qual Carlos Mané até teve nos pés um lance de golo cantado, na sequência de uma tabela entre Slimani e João Mário, acabou por fazê-lo bem cedo na segunda, num penalti de Adrien. Manuel Machado tentou mudar as coisas, chamando um ataque novo ao relvado. Vieram Román, Bonilha e Rodrigo Pinho, mas continuava a ser o Sporting a mandar, mesmo depois de Jorge Jesus ter começado a gerir a equipa face ao jogo da Liga Europa que aí vem, retirando Adrien e Zeegelaar. O 3-0, marcado por João Mário, na recarga de uma bola de Slimani à barra, matou muito cedo quaisquer esperanças do Nacional ainda reabrir a discussão do resultado e o 4-0, conseguido de penalti por Slimani, confirmou a ideia de que este Sporting vive muito melhor a jogar longe de casa do que em Alvalade: foi como visitante que conseguiu as últimas três vitórias por mais de um golo.  
2016-02-13
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Último Passe

Um golo de Montero, a seis minutos do final da partida, deu ao Sporting uma vitória por 3-2 sobre a Académica e três pontos muito importantes na luta pelo título, porque permitem pelo menos manter os adversários à distância e evitam que caia sobre a equipa a pressão acrescida que esta teria de suportar se fosse alcançada. Claro que na sequência do jogo se falará muito mais sobre a arbitragem de Cosme Machado do que sobre as dificuldades que o líder do campeonato vem revelando jornada a jornada, mas estas também devem ser dignas de análise em Alvalade. Porque se, como disse no final da partida Adrien Silva, “há fatores que a equipa não consegue controlar”, mais vale centrar-se naqueles que controla. Para Jesus, o que tem de importar é manter o foco no jogo. Frente à Académica, tal como acontecera nas receções ao Sp. Braga e ao Tondela, o Sporting viu-se em desvantagem no marcador durante a primeira parte, dando avanço ao adversário, tanto no marcador como na confiança com que este passou a enfrentar o jogo. Tal como há uma semana fizera o Paços de Ferreira, a Académica marcou numa bola parada ofensiva em que a equipa leonina desligou. Os gestos de Jesus no banco após o golo de Rafa Soares são sintomáticos do que pensou do lance. Certo é que, a perder, o Sporting teve de redobrar a energia com que se lançou sobre a baliza de Pedro Trigueira, tendo acabado por virar o resultado ainda antes do intervalo. Valeram um golo de bandeira de Adrien Silva e uma excelente jogada de Mané – mais uma opção para Jesus, a julgar pelo que mostrou até ser substituído – a oferecer uma concretização fácil a Ruiz. Temendo a repetição do que se passara frente ao Tondela, em que também chegou ao 2-1 depois de estar a perder, Jesus terá mandado forçar o andamento e substituiu William por Gelson à procura de um terceiro golo que matasse o jogo. Só que o Sporting já não estava com a velocidade nem com a certeza de passe da primeira parte, permitia que a Académica também chegasse perto da baliza de Patrício e acabou por ceder o empate, em mais uma bola parada onde nem o erro do árbitro anula a descoordenação entre o guarda-redes e o estreante Ruben Semedo no ataque à bola. Acabou por ser Montero a garantir o 3-2, a seis minutos do final, num lance em que os leões fizeram valer a superioridade numérica na área adversária, mas nem os três pontos devem desviar Jesus do que mais lhe importa neste momento. E, lamento desiludir os mais radicais, não é de arbitragem que falo.
2016-01-31
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Stats

O Sporting recebe a Académica, em jogo da 20ª jornada da Liga, precisando de ganhar para pelo menos manter a distância sobre Benfica e FC Porto na tabela classificativa. Além disso, a equipa leonina tentará somar o 22º jogo consecutivo a marcar golos em Alvalade, onde não fica em branco desde o empate a zero com o Wolfsburg, em Fevereiro do ano passado. Se marcarem pelo menos um golo, os leões superam a série obtida em 2007/08, época na qual estiveram precisamente 21 jogos seguidos a marcar em casa, entre uma derrota com o Manchester United (0-1, em Setembro de 2007) e outra com o Glasgow Rangers (0-2, em Abril de 2008). Caso consiga esse golo à Académica, a atual equipa leonina consegue a maior série de jogos seguidos a marcar no novo estádio de Alvalade, pois para se encontrar uma mais longa é preciso recuar até ao tempo em que a equipa jogava no antigo José Alvalade, mais concretamente até ao período entre Janeiro de 1999 e Maio de 2000. Após um empate a zero com o V. Setúbal, a 15 de Janeiro de 1999, a equipa na altura liderada por Mirko Jozic – mas que depois passou a ter Giuseppe Materazzi e mais tarde Augusto Inácio – marcou consecutivamente em casa durante 26 jogos, até voltar a ficar em branco naquele que poderia ter sido o jogo do título: uma derrota com o Benfica, por 1-0, a 6 de Maio de 2000. Ainda que a Académica tenha a quarta pior defesa da Liga, a receção aos estudantes não tem sido fácil para os leões nos últimos anos. Nos últimos três jogos entre ambas as equipas em Alvalade, o Sporting fez apenas um golo, por João Mário, que resultou na vitória por 1-0 em Janeiro do ano passado. Antes disso, empatou duas vezes a zero com a formação de Coimbra, em Outubro de 2012 e Fevereiro de 2014.   - Foi à Académica que Jorge Jesus marcou o seu único golo com a camisola do Sporting. Aconteceu a 2 de Novembro de 1975, quando Jesus saiu do banco ao mesmo tempo que Vítor Gomes, tendo ambos substituído os extremos Marinho e Chico Faria, a seis minutos do final de um Académica-Sporting que os leões já venciam por 3-1 e acabaram por ganhar por 4-1, com o golo do então jovem médio amadorense.   - Este é um jogo especial também para Adrien, que ganhou uma Taça de Portugal pela Académica (na final contra o Sporting, em 2012) e se estreou na Liga pelos leões a defrontar a Briosa: entrou a um minuto do fim de uma vitória por 4-1 em Alvalade, a 17 de Agosto de 2007, lançado por Paulo Bento.   - Quatro jogadores do atual plantel da Académica estrearam-se na Liga frente ao Sporting, no empate a uma bola, em Coimbra, na época passada. São eles o brasileiro Iago, o ganês Ofori, o nigeriano Obiora e o jovem português Pedro Nuno.   - A Académica perdeu as suas últimas cinco deslocações, não conseguindo um resultado útil desde o empate (0-0) frente ao Trofense, para a Taça de Portugal, a 21 de Novembro. Desde então a Briosa foi batida por Benfica (3-0), Boavista (1-0), FC Porto (3-1), Sp. Braga (3-0) e V. Setúbal (2-1).  Na Liga, os estudantes só conseguiram dois empates fora de casa esta época, com o V. Guimarães e o Estoril. E não ganham fora de Coimbra desde que se impuseram no terreno do Moreirense (2-0), a 8 de Março do ano passado.   - A última vitória da Académica sobre o Sporting na Liga aconteceu em Alvalade, em Fevereiro de 2010. Na altura, os estudantes impuseram-se por 2-1, com golos de Orlando e João Ribeiro, aos quais os leões responderam por João Moutinho. Depois disso, a Briosa também venceu os leões na final da Taça de Portugal de 2012, por 1-0, graças a um golo de Marinho.
2016-01-29
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Último Passe

Há pelo menos duas formas de olhar para a reviravolta que o Sporting conseguiu contra o Sp. Braga em Alvalade, acabando por vencer por 3-2 um jogo que parecia perdido ao intervalo, quando eram os minhotos a liderar por 2-0. Uma é concentrarmo-nos no caráter, na coragem e na qualidade de jogo ofensivo que os leões mostraram na segunda parte. Outra é olhar para a apatia do seu jogo defensivo durante o primeiro tempo. Sem descontar a qualidade do Sp. Braga, que está perto dos grandes e pode sempre discutir qualquer jogo com eles, consensual será apenas que este foi o terceiro grande espetáculo de futebol consecutivo em jogos entre estas duas equipas. Os três pontos que os leões somaram – e a forma como a eles chegaram, com um golo de Slimani em cima do minuto 90 – foram celebrados de forma entusiasta por um estádio cheio, que verá neles uma espécie de premonição de conquistas que estarão para vir. Mas, mesmo tendo reforçado que no primeiro tempo o Sporting teve ocasiões para fazer golos, certamente que Jorge Jesus não deixará de alertar os seus jogadores para o facto de na primeira parte se terem mostrado apáticos, lentos na reação e passivos sem bola. É certo que Slimani podia ter aberto o ativo, que Paulo Oliveira acertou com uma cabeçada no poste, mas defensivamente a equipa não se entendia com o futebol rápido dos bracarenses, sobretudo de Rafa, uma enguia a escapulir-se aos defensores leoninos. E se tinha escapado incólume a um início fraco, com o Sp. Braga por cima, o Sporting acabou por sucumbir a dois lances perto do intervalo, que valeram outros tantos golos a Wilson Eduardo e ao próprio Rafa. À entrada para a segunda parte, já se sabia que só um Sporting intenso podia sonhar com a ideia de uma reviravolta. Gelson entrou para o lugar de um William demasiado pausado e mexeu com o jogo por três ordens de razões. Primeiro, porque, forçando muitas vezes o um-para-um, desestabilizou a defesa do Sp. Braga. Depois porque, permitindo a passagem de João Mário para o corredor central, deu aos leões mais qualidade no seu jogo. E por fim porque foi num cruzamento dele que André Pinto cometeu o penalti que deu o 1-2 à equipa da casa, marcado por Adrien. Depois do golo, o Sporting acreditou, forçou ainda mais, com a entrada de Montero para o lugar de Bruno César, e esteve muitas vezes perto do empate, que acabou por obter com alguma sorte, quando Jefferson falhou um remate, Montero recuperou a bola e bateu Kritciuk. Faltava um quarto de hora para o final. E se por um lado o Sp. Braga se recompunha, com as entradas de Alan e Stojiljkovic, aproximando-se mais do 4x3x3, o Sporting acusava o esforço. A saída de João Mário, esgotado, parecia corresponder a uma desistência leonina de chegar mais longe e foi Rafa, nessa altura, quem esteve mais perto de desbloquear o jogo para os visitantes. Até que Ruiz e Slimani resolveram o jogo – o costa-riquenho com um cruzamento milimétrico, o argelino, que até já tinha falhado dois golos cantados, com um cabeceamento letal. O Sporting ganhava um jogo que parecia ter perdido e, antes de FC Porto e Benfica jogarem, garantira que chegará ao fim da primeira volta pelo menos com quatro pontos de avanço sobre o segundo. Mas para os manter – e tendo em conta que acaba o campeonato com deslocações ao Dragão e a Braga nas últimas três jornadas, convém que os mantenha – terá de ser mais vezes a equipa intensa da segunda parte e menos o coletivo apático da primeira.
2016-01-10
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Último Passe

Um Super Slim deu a vitória no clássico sobre o FC Porto a um Sporting "Slim Fit" e devolveu aos leões a liderança da Liga que haviam deixado na Choupana, na derrota com o U. Madeira. Falo de Super Slim porque foi Slimani quem fez os dois golos de um 2-0 que pôs justiça no placar e de "Slim Fit" porque os leões continuam a fazer valer o seu futebol estreito, com concentração de unidades no corredor central, face ao jogo mais feito de largura do adversário de hoje. E porque, além disso, em situações de equilíbrio, como a que se vivia na primeira parte, Jesus adaptou bem a estratégia da equipa às características do atacante argelino, criando condições para o libertar nas bolas paradas, por exemplo. Quando se avalia o que se viu no clássico, é impossível não destacar o papel de Slimani, sempre incansável na pressão sobre a saída de bola do adversário e na busca de profundidade nos flancos quando são os colegas que a têm, mas também por ter feito os dois golos do jogo e ainda ter enviado um cabeceamento à barra. Mas não foi só o argelino a separar duas equipas muito iguais a si mesmas. No Sporting há a realçar ainda uma exibição fulgurante do meio-campo, pela amplitude de movimentos de Adrien, cuja presença atrás não o impediu de aparecer em zonas de conclusão com frequência – também acertou uma vez no poste de Casillas – e de João Mário, sempre o maior causador de desequilíbrios na organização portista, pela facilidade com que saía do corredor direito e aparecia ao meio. E um Naldo sempre certo, a compensar a equipa nos momentos em que era o FC Porto a fazer valer as suas armas. Porque o FC Porto foi também igual a si mesmo, na aposta permanente na construção por fora. E nos momentos em que libertava Brahimi na esquerda ou, sobretudo, quando conseguir girar a bola com rapidez dali para a direita, explorando a estreiteza da organização leonina para descobrir Corona nas costas de Jefferson, criava também condições para chegar com perigo até perto de Rui Patrício. O jogo era assim um confronto de duas ideias diferentes, mas começou a resolver-se num detalhe – nisso tiveram razão os dois treinadores, na avaliação final – fruto do trabalho semanal. O Sporting adiantou-se, por Slimani, no aproveitamento de um livre lateral de Jefferson, graças a uma jogada trabalhada nos treinos e várias vezes tentada no jogo: o argelino escondia-se atrás de um colega e ganhava assim espaço para ludibriar a marcação individual feita pelo FC Porto nas bolas paradas. E ao marcar primeiro pôde gerir o jogo de forma diferente. Lopetegui tentou ganhar presença pelo meio com a troca de um médio mais posicional, como Ruben Neves, por outro com mais capacidade para esticar o jogo, como André André. Mas em vez de dar mais presença na frente ao FC Porto, isso libertou os médios do Sporting para uma segunda parte fulgurante. Pouco importou, de facto, que o basco tenha sido mais uma vez igual a si próprio ao recusar juntar os dois pontas-de-lança, trocando Aboubakar por André Silva. Era o Sporting quem mandava no relvado e se o 2-0 não chegou no tal cabeceamento de Slimani à barra nem num remate de Adrien ao poste, acabou por aparecer quando Ruiz isolou o argelino e este bateu Casillas com repentismo e potência. Confirmava-se a quarta vitória do Sporting em outros tantos clássicos e o estado de graça de Jorge Jesus, que regressa ao topo da Liga, mas o FC Porto está perto e o Benfica não ficou fora de combate – a Liga vai durar.
2016-01-03
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Carlos Manaca era um bom defesa-central, daquele tempo do futebol “rock and roll”, em que os jogadores eram todos bons. Ou pelo menos era isso que ouvíamos contar na rádio. Mas Manaca era mesmo bom. Notabilizou-se com a camisola do Sporting, que deixou aos 28 anos, para jogar nos Estados Unidos, mas nada fez tanto pela eternização do seu nome como um autogolo, já depois de ter regressado a Portugal. Os autogolos são o dia-a-dia dos defesas-centrais, mas o autogolo de Manaca foi especial, porque valeu a vitória do Sporting em Guimarães e porque essa vitória valeu aos leões o título nacional de 1980, ganho ao sprint ao FC Porto. Quase 40 anos depois, a história de Manaca regressou, mas agora Manaca chama-se Tonel. O problema de Tonel, o defesa-central que também se notabilizou com a camisola do Sporting, saiu para a Croácia e depois regressou a Portugal, é que o penalti que ele fez no último minuto do jogo com os leões foi filmado por mais de uma dezena de câmaras de televisão. Mais. Além disso, Tonel fez um penalti que valeu uma vitória ao Sporting – não um título, pelo menos por enquanto – numa altura em que há redes sociais. Tonel, o Manaca turbinado pelo Twitter e pelo Facebook, tem, tal como tinha Manaca, toda uma carreira atrás dele, mas nem isso impediu milhares de adeptos de garantirem que ele tinha feito o serviço encomendado em benefício do ex-clube, que sem o penalti que ele cometeu não teria ganho ao Belenenses. O assunto foi “trending topic” durante uma semana, até que os mesmos adeptos que tinham crucificado Tonel perceberam envergonhados que há por aí mais Manacas. Veio a jornada seguinte e o Benfica ganhou à Académica por 3-0. Não jogou enormidades, mas foi a única equipa em condições de chegar à vitória, a única que a procurou. Ainda assim, colocou-se em vantagem com dois penaltis perfeitamente desnecessários, cometidos por Trigueira e Ofori, e convertidos por Jonas, que aproveitou para passar a barreira dos dez golos antes do Natal pela primeira vez desde que está na Europa. Pressionado pelo Benfica, o FC Porto viu-se a perder contra o Paços de Ferreira, chegou ao empate ainda antes do intervalo, mas só virou o jogo de penalti, na sequência de um lance em que Marco Baixinho, defesa-central do Paços, começou por atrasar mal a bola para o seu guarda-redes, para depois ir rasteirar Herrera dentro da área, impedindo que ele tirasse vantagem do erro original. Manacas? Claro que sim. Mas só no sentido em que os erros podem perfeitamente acontecer a quem vive a profissão no fio da navalha. Quase parecia uma onda solidária, uma espécie de “Je suis Tonel” – ou “Je suis Manaca”… – dos jogadores que defrontaram os grandes. Mas é pena que os que se entretêm a identificar Manacas – ou Toneis -  não sejam capazes de perceber que se Benfica, FC Porto e Sporting ganharam os seus jogos desta jornada não foi por causa dos erros dos adversários. No Benfica-Académica houve o detalhe tático de um meio-campo que começa a carburar melhor devido à dupla missão de Pizzi, que parte de uma das alas mas compõe bem o meio, mas também ao vigor e à potência do júnior Renato Sanches, autor de um jogo muito interessante e de um golaço num remate a 30 metros que terá valido o bilhete a quem foi ao estádio. No FC Porto-Paços de Ferreira houve um excelente golo de Corona, pela ligação entre os dois extremos – ele e Brahimi – e pela classe do mexicano na definição face ao guarda-redes. E houve uma espécie de renascimento de Herrera, a manter os níveis de intensidade e competitividade da equipa. E no Marítimo-Sporting houve um líder operário, a saber sofrer antes e depois da bela jogada coletiva que deu o golo a Adrien, bem como um Rui Patrício de seleção, autor de duas defesas gigantes a preservar a vantagem. Disso, porém, só se lembram os adeptos dos clubes que ganharam. E diz muito sobre o nosso futebol que até esses prefiram lembrar os erros que levaram aos golos dos rivais. Porque quando vemos futebol estamos sempre em busca de um Manaca. Mesmo que Manaca tenha feito muito mais do que aquele autogolo. In Diário de Notícias, 07.12.2015
2015-12-07
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Rui Patrício, com duas defesas extraordinárias, esteve em destaque na vitória do Sporting frente ao Marítimo, por 1-0. O guardião leonino sofreu apenas cinco golos nas primeiras 12 jornadas da Liga, o melhor registo defensivo dos leões desde 1970/71, quando a defesa liderada por Damas chegou à 12ª ronda com apenas dois golos sofridos. Nessa época, o Sporting defendia o título nacional conquistado meses antes, liderava à 12ª ronda, mas mesmo mantendo a melhor defesa (14 golos encaixados nas 26 jornadas que tinha a prova) acabou o campeonato em segundo lugar, a três pontos do Benfica.   - Além disso, o guardião leonino encarrilou o quinto jogo seguido sem sofrer golos na atual Liga, depois dos 5-1 ao V. Guimarães: Benfica (3-0), Estoril (1-0), Arouca (1-0), Belenenses (1-0) e agora Marítimo (1-0). São já 458 minutos seguidos sem sofrer golos na Liga, desde o tento de Josué nos 5-1 ao V. Guimarães, a sua melhor série desde os 600 minutos de inviolabilidade que alinhou entre Novembro de 2013 e Janeiro de 2014. Patrício é o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos no campeonato, mas ainda a 44 minutos do recorde da época, os 502 minutos do bracarense Kritciuk.   - Os 32 pontos que os leões somam ao fim de 12 jornadas são o melhor registo pontual da equipa verde e branca desde 1990/91, quando o grupo comandado por Marinho Peres chegou à 12ª ronda com onze vitórias e um empate: 23 pontos pelo sistema antigo que seriam 34 no atual regime de pontuação. Esse Sporting, no entanto, acabou a Liga em terceiro lugar. Ninguém somava tantos pontos nas primeiras 12 jornadas desde 2012/13, quando FC Porto e Benfica chegaram a este ponto do campeonato com as mesmas 10 vitórias e dois empates.   - Sete das dez vitórias do Sporting na Liga (entre elas as últimas quatro) aconteceram por apenas um golo de diferença. Em toda a época passada, o Sporting só ganhou nove jogos da Liga pela margem mínima. E só uma nas primeiras doze jornadas.   - Além disso, o Sporting registou a sexta vitória consecutiva na Liga, algo que já não conseguia desde o período entre Dezembro do ano passado e Fevereiro. Se agora se impôs a V. Guimarães (5-1), Benfica (3-0), Estoril (1-0), Arouca (1-0), Belenenses (1-0) e Marítimo (1-0), na altura levou a melhor sobre Nacional (1-0), Estoril (3-0), Sp. Braga (1-0), Rio Ave (4-2), Académica (1-0) e Arouca (3-1), encalhando ao sétimo jogo, a receção ao Benfica (1-1).   - Adrien Silva voltou a ser decisivo na vitória do Sporting nos Barreiros. Já na época passada os leões tinham ganho por 1-0 no Funchal, graças a um penalti do médio. Em 2013/14 também tinha sido ele a abrir o ativo, de penalti, mas o resultado acabara em 3-1 para os lisboetas.   - O Marítimo perdeu o terceiro jogo consecutivo, depois das derrotas frente ao Amarante (1-0) e ao Nacional (3-1). Os insulares não perdiam três jogos consecutivos desde o final da época passada e do início da atual, quando foram duas vezes batidos pelo Benfica (4-1 na última ronda da Liga e 2-1 na final da Taça da Liga) e uma terceira pelo U. Madeira (2-1, na abertura do atual campeonato).
2015-12-06
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Último Passe

FC Porto e Sporting responderam bem à vitória do Benfica na abertura da 12ª jornada da Liga, ganharam também e deixaram tudo na mesma no topo da classificação. Não foram vitórias fáceis, mas chegaram com declaração de voto: o FC Porto superou pela primeira vez com Lopetegui o trauma de entrar a perder e virou o jogo contra o Paços de Ferreira, aproveitando da melhor forma a ingenuidade de um penalti nascido do nada, enquanto que o Sporting repetiu mais uma vez a margem mínima que vem sendo a sua imagem de marca, desta vez com direito a sofrimento contra um Marítimo que, com jogadores motivados para salvarem a cabeça do treinador, Ivo Vieira, exigiu o melhor que Rui Patrício tinha para dar. Duas super-defesas do guarda-redes da seleção nacional, uma ainda com o marcador em branco e outra depois de Adrien ter adiantado os líderes, enfatizaram o sucesso de um Sporting de fato-macaco vestido. Em condições difíceis, da relva à humidade do Funchal, que ajudaram o Marítimo a suplantar a equipa de Jorge Jesus na intensidade com que abordava cada duelo, sobretudo durante a primeira parte, os leões tiveram de aguentar um arranque exigente, foram equilibrando a equipa e chegaram à vantagem na mais bonita jogada de todo o desafio, uma triangulação perfeita com rasgo de imaginação de João Mário antes da assistência para o capitão de equipa. Depois, mesmo já não tendo começado com muita gente na frente – a lesão de Gutièrrez e o castigo a Slimani aproximaram mais o Sporting do 4x3x3 que do 4x4x2 preferido do seu treinador – Jesus foi puxando a equipa para trás, entendendo que seria essa a melhor forma de preservar a vantagem. Trocou Gelson por Aquilani e no final, para conter o maior assédio do Marítimo, ainda chamou Naldo ao campo, por troca com João Mário. É feio? Talvez. Mas deu três pontos num campo onde o FC Porto tinha deixado dois. Antes, o FC Porto tinha sofrido também para se colocar em vantagem contra um Paços de Ferreira personalizado e com gente que sabe bem o que está a fazer em campo. O golo de Bruno Moreira, fruto de um erro de posicionamento do bloco defensivo portista na sequência de um canto, apresentava um desafio de monta, pois até aqui nunca o FC Porto de Lopetegui conseguira virar um jogo. Mas os dragões foram empurrando o adversário para trás, criaram várias situações de golo – em noite negativa de Aboubakar, que, traído por um mau primeiro toque, confirmou as dificuldades para ser decisivo em espaços curtos –, empataram ainda antes do intervalo, numa bela movimentação de Corona em direção ao espaço interior, e acabaram por chegar à vantagem no seu primeiro penalti da época. O FC Porto jogou o suficiente para ganhar de outra forma, mas acabou por beneficiar de um mau atraso de Baixinho para o guarda-redes Marafona, de uma insistência pressionante de Herrera – bom jogo do médio mexicano – e de uma rasteira imprudente do mesmo Baixinho para se colocar em vantagem num penalti de Layun.
2015-12-06
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Último Passe

O terceiro Sporting-Benfica da época foi o mais equilibrado de todos e por isso mesmo só se resolveu no prolongamento. Foi o mais equilibrado dos três porque o Benfica adequou as ideias do treinador ao sistema tático apresentado e porque o Sporting se mostrou menos fresco do que nos outros dois, com alguns jogadores a acusarem problemas físicos. Ganharam os leões, com justiça, graças a um golo do providencial Slimani, mas o jogo deixou mais dúvidas do que certezas de parte a parte. Jorge Jesus terá ficado com a ideia de que, afinal, o seu plantel não tem a profundidade necessária para tantas batalhas, ao passo que Rui Vitória tem razões para hesitar acerca da ideia de jogo que quer para a equipa. No jogo propriamente dito, começou melhor o Sporting, mais veloz e decisivo nos duelos. Podia ter-se colocado na frente numa cabeçada de Slimani ao poste, mas rapidamente ficou vulnerável às alterações promovidas pelo Benfica. Seja porque Jonas estava lesionado, porque terá percebido que não tem capacidade suficiente para aguentar um meio-campo a dois neste tipo de jogos ou porque as duas derrotas anteriores o levaram a mais cautela no posicionamento, o Benfica assumiu o 4x2x3x1 e a preferência pelo ataque rápido em detrimento do ataque organizado. Com isso garantiu que se expunha menos a perdas de bola do que no 0-3 da Luz e, tendo marcado logo na primeira vez que foi à baliza do Sporting, por Mitroglou, passou a ter o jogo de feição: defendia com duas linhas de quatro e provocava grandes dificuldades ao Sporting para entrar na sua organização defensiva. Os leões empataram numa altura fundamental – mesmo antes do intervalo, por Adrien, num lance que começou numa insistência de Slimani – e Jesus mudou a equipa para a segunda parte: fez sair Montero, mudou João Mário para o corredor central chamou Gelson ao jogo. Com João Mário a juntar-se a Adrien e William ao centro, o Sporting passou a mandar no jogo. Teve 25 minutos de fulgor, mas não marcou, e quando Rui Vitória trocou Pizzi por André Almeida, avançando Talisca e derivando Gaitán para a esquerda, o equilíbrio voltou ao relvado. Mesmo assim, só o Sporting criava situações de golo: Slimani obrigou Júlio César à defesa da noite mesmo sobre o final da partida e, quando a equipa leonina já parecia fisicamente de rastos, fez mesmo o 2-1, numa recarga a um remate de Adrien. A vitória deixa o Sporting num momento único de superioridade sobre o maior rival, mas a forma sofrida como foi alcançada, com Ewerton e Jefferson a saírem por lesão, com jogadores muito fatigados a terem de aguentar os 120 minutos, como foi o caso de Ruiz, por exemplo, mostra que a euforia não é aconselhável e que o plantel precisa mesmo de reforços se Jesus quer encarar várias competições ao mesmo tempo. A poupança na Liga Europa talvez não tenha sido tão má ideia, afinal. A derrota provoca no Benfica um sentimento de frustração, pois não é normal o bi-campeão perder três vezes com o mesmo adversário, ainda por cima treinado pelo seu ex-comandante. E lança a dúvida acerca da identidade deste Benfica. Qual é o verdadeiro Benfica? O que joga em 4x4x2, procura a largura nos extremos bem abertos e um futebol de posse? Ou o que prefere o 4x2x3x1, que na falta de um grande médio suporta esses extremos num duplo-pivot e concentra mais gente atrás? É que uma das razões para as três vitórias do Sporting está aqui à vista: enquanto os leões jogaram sempre com a mesma ideia e já a sabem de cor, as águias mudaram tudo em cada jogo.
2015-11-22
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Último Passe

A vitória do Sporting frente ao Estoril foi difícil, fruto da boa leitura que os canarinhos fizeram da forma de jogar do líder da Liga e, ainda que, face ao 1-0 final, Jorge Jesus tenha optado por destacar que os leões estão “defensivamente muito fortes”, fruto também da diminuição da capacidade da primeira zona de pressão leonina face à ausência de Adrien. O Sporting guardou os três pontos, é verdade, mas deixou que os seus laterais ficassem mais expostos do que é habitual e não fosse a exibição de Rui Patrício podia ter permitido que o jogo se complicasse bastante durante a primeira parte. Face à suspensão de Adrien, Jesus devolveu João Mário ao corredor central, fazendo entrar Gelson para a direita, mas com ordens para também ele aparecer muito por dentro, como faz qualquer ala no sistema leonino. O Estoril respondeu com uma elevada concentração de unidades defensivas no espaço interior, cortando linhas de passe e, procurando depois transições velozes com a preocupação de meter a bola rapidamente nos extremos. Face à diminuição da intensidade da primeira zona de pressão leonina – João Mário não morde os calcanhares dos adversários como Adrien… - a bola chegava rapidamente aos corredores laterais, deixando os laterais da casa muitas vezes em situações de um para um. Foi aí que, fruto do arranque supersónico de Gerso no jogo, apareceu Rui Patrício, com duas intervenções na primeira parte a mostrar o que tem de ser um guarda-redes de um grande: pouco trabalho, mas trabalho de grande qualidade. No seu posicionamento defensivo, o Estoril abandonava as faixas laterais e daí resultaram inúmeros cruzamentos de qualidade dos laterais do Sporting, que em condições normais deveriam ter dado pelo menos um golo a Slimani ou Bryan Ruiz. Mas não deram. E o 0-0 ao intervalo veio mostrar que, para se manter na frente, o Sporting vai ter de superar muitos jogos complicados, contra equipas que se esforçam para lhe compreender os movimentos e para lhos contrariar. É verdade que a segunda parte leonina foi melhor, sabe-se lá se fruto de uma menor frescura que o Estoril já revelara nos segundos tempos na Luz ou no Dragão ou de correções feitas por Jesus ao intervalo, e que o golo acabou mesmo por chegar, num penalti de Teo Gutièrrez, permitindo a continuação da caminhada vitoriosa e metendo outra vez a pressão em cima de FC Porto e Benfica. Mas o jogo do Estoril, presenciado em êxtase por mais de 40 mil adeptos, pode ter arrefecido um pouco o otimismo de quem o viu com atenção, pois voltou a provar que o Sporting tem vulnerabilidades. Mesmo que o zero nas redes de Patrício possa contrariá-las.
2015-11-01
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Stats

O Sporting entra na nona jornada, em que vai receber o Estoril, na liderança isolada da Liga, algo tão raro que só lhe aconteceu em duas semanas na última década. Foi no ano em que Leonardo Jardim conduziu os leões ao segundo lugar final na Liga, que estes passaram duas jornadas isolados na frente da tabela. Resistiram ao primeiro obstáculo, mas baquearam logo no segundo. Ambos em Alvalade, onde voltam agora a colocar a liderança à prova. Nessa época, que arrancaram em primeiro lugar – ainda que com outras equipas a seu lado – fruto dos 5-1 com que despacharam o Arouca logo na primeira jornada, os leões chegaram à liderança isolada à 12ª jornada, quando venceram fora o Gil Vicente (bis de Montero), a 8 de Dezembro, tendo beneficiado do empate do Benfica em casa com o Arouca (2-2), dois dias antes. O Sporting ficou então com dois pontos a mais que FC Porto e Benfica e tinha pela frente dois jogos em casa, que acentuaram o otimismo pré-natalício. A 13ª jornada ainda foi de festa, pois o Sporting ganhou logo no sábado ao Belenenses por 3-0, com um penalti de Adrien, seguido de golos de André Martins e Wilson Eduardo. Benfica e FC Porto, porém, não esmoreceram, e ganharam também, no domingo (15 de Dezembro): as águias sofreram para levar de vencida o Olhanense, por 3-2, no Estádio do Algarve, ao passo que os dragões se impuseram ao Rio Ave, em Vila do Conde, por 3-1. Na 14ª jornada, o Sporting cedeu, empatando a zero em casa com o Nacional, com um golo anulado a Slimani a provocar muita polémica. FC Porto e Benfica já tinham ganho na véspera a Olhanense (4-0) e V. Setúbal (2-0), pelo que a liderança voltou a ser tripartida. Desde essa altura, nunca mais o Sporting esteve na liderança isolada da Liga. Teve uma boa ocasião recentemente, quando o FC Porto empatou fora com o Moreirense, mas também não foi capaz de ganhar ao Boavista (0-0 no Bessa) e de se isolar. Andando para trás, a liderança isolada do Sporting é também um acontecimento raro: é preciso recuar até Janeiro de 2005 para encontrar outra ocorrência. Nessa altura, o Sporting de José Peseiro passou o Natal a um ponto do FC Porto, a par do Benfica e com um ponto de avanço do Boavista. Depois, à 16ª jornada, começou por ganhar em casa ao Benfica, por 2-1 (bis de Liedson contra um golo de Nuno Gomes), beneficiando do empate caseiro do FC Porto com o Rio Ave (1-1) para se isolar. A queda, porém, foi súbita, logo na jornada seguinte: a 16 de Janeiro, na ronda que fechava a primeira volta, o Sporting foi perder por 3-2 à Choupana com o Nacional (e estava a perder por 3-0 aos 21’ de jogo, mas Liedson e Custódio ainda atenuaram a desvantagem), permitindo que FC Porto (que empatou fora com a Académica) e Benfica (que venceu o Boavista por 4-0) voltassem a estabelecer a liderança tripartida.   - Se jogar contra o Estoril, como é previsível, Rui Patrício iguala Pedro Barbosa e Anderson Polga como oitavo jogador com mais partidas feitas em toda a história do Sporting. Passarão a ser 342 os jogos nas redes dos leões. Esta época ainda poderá alcançar José Carlos (348) e Manuel Marques (355). Mas o “top 5” está dependente de mais um ou dois anos de permanência: Oceano é o quinto de uma tabela liderada por Hilário (471 jogos), com 401 jogos feitos pelos leões.   - O Sporting não vai contar com Adrien Silva, que tem vindo a ser peça fulcral do meio-campo, mas que viu frente ao Benfica o quinto cartão amarelo na Liga, ficando por isso suspenso. No último ano, os leões fizeram doze jogos sem Adrien, dos quais ganharam nove, empataram dois (em Paços de Ferreira para a Liga e em casa com o V. Setúbal, para a Taça da Liga) e perderam apenas um (no Restelo, com o Belenenses, para a Taça da Liga). Um destes empates e a derrota foram obtidos com a equipa secundária que o Sporting apresentou na edição da Taça da Liga do ano passado.   - Leo Bonatini, que é o melhor marcador do Estoril esta época, com seis golos divididos pelas diversas competições, também não vai poder alinhar, pois foi expulso no empate caseiro com o Rio Ave (2-2). Desde que ele se estreou na equipa, na vitória no Bessa, frente ao Boavista, por 2-1, a 18 de Janeiro, o Estoril não ganhou uma única vez sem ele: perdeu na Covilhã para a Taça da Liga (3-2) e depois, na Liga, empatou com Gil Vicente (1-1), Belenenses (2-2) e Moreirense (1-1). Marcou sempre golos, no entanto.   - O Sporting foi o único dos grandes ao qual Fabiano Soares conseguiu roubar pontos, desde que chegou ao comando técnico do Estoril, em Janeiro deste ano. Fê-lo num empate a uma bola, em casa, a 10 de Maio, com golos de Sebá (para o Estoril) e Ewerton (para o Sporting). De resto, o atual treinador estorilista já perdeu duas vezes com o FC Porto no Dragão (5-0 na época passada e 2-0 esta época) e uma com o Benfica na Luz (4-0, esta época).   - Jorge Jesus já começou a perder um campeonato num jogo com o Estoril, que empatou em casa a uma bola, em Maio de 2013: marcou Maxi Pereira, a anular um primeiro golo estorilista, de Jefferson (atual jogador do Sporting). Desde então, porém, Jesus ganhou sempre ao Estoril: 2-1 e 2-0 em 2013/14; 3-2 e 6-0 em 2014/15.   - O lateral estorilista Mano foi lançado no futebol profissional por Jorge Jesus, hoje treinador do Sporting, quando ambos estavam no Belenenses. A estreia deu-se numa vitória dos azuis em Setúbal (1-0), a 4 de Fevereiro de 2007.   - O Estoril só ganhou uma vez em 23 visitas a Alvalade para a Liga, mas foi a última equipa a ganhar ali ao Sporting em jogos de campeonato. Aconteceu em Maio de 2014, na última jornada do campeonato em que Leonardo Jardim levou os leões ao segundo lugar, graças a um penalti convertido por Evandro. Da 14 estorilistas que ganharam em Alvalade, restam apenas Mano, Diogo Amado, Yohann Tavares e Luis Phellype.   - Os 20 jogos que o Sporting leva sem perder em casa para o campeonato são a melhor série desde os tempos de Paulo Bento, quando os leões estiveram 26 partidas seguidas sem perder em casa na Liga, entre um 0-2 com o Benfica, a 1 de Dezembro de 2006 e um 1-2 com o FC Porto a 5 de Outubro de 2008.   - Jorge Ferreira, o árbitro deste jogo, foi quem dirigiu essa vitória do Estoril em Alvalade, tendo apontado dois penaltis, um para cada equipa. Evandro converteu o do Estoril, Adrien falhou o do Sporting. Essa foi a única vez que esteve numa derrota do Sporting, que ganhou cinco e empatou um dos sete jogos feitos com ele. O Estoril, em contrapartida, nunca perdeu com este árbitro: tem quatro vitórias e um empate (em Setúbal).
2015-10-30
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- Slimani construiu em Portugal uma reputação de cabeceador, mas o golo de ontem, ao Rio Ave, foi o primeiro que fez de cabeça esta época, pois à Académica e ao CSKA Moscovo tinha marcado de pé esquerdo. O último golo de cabeça de Slimani no Sporting sucedera a 19 de Abril e valera uma vitória (2-1) frente ao Boavista. Depois disso ainda fez mais dois golos ao Sp. Braga.   - A vitória do Sporting em Vila do Conde foi a quarta seguida fora de casa em jogos da Liga (Rio Ave, Tondela, Académica e, de novo, Rio Ave). A série, que se iniciou após o empate (1-1) no Estoril, é partilhada por Marco Silva e Jorge Jesus e iguala as melhores do próprio Marco Silva e de Leonado Jardim. A última vez que os leões fizeram melhor foi em 2010/11, quando venceram cinco deslocações consecutivas.   - Os dois golos em Vila do Conde significam que o Sporting marcou nas derradeiras 14 partidas da Liga, todas as que disputou desde os 0-3 no Dragão, a 1 de Março. Entre Maio de Dezembro de 2013 os leões conseguiram 15 jogos seguidos a marcar na prova.   - O Sporting sofreu golos pelo sexto jogo seguido esta época. Depois da baliza virgem na Supertaça, contra o Benfica, todas as equipas bateram Rui Patrício: Tondela, Paços de Ferreira, CSKA Moscovo (duas vezes), Académica e agora o Rio Ave. Na Liga, o último zero defensivo do Sporting foi na derradeira jornada da época passada, em… Vila do Conde (vitória por 1-0).   - Todos os jogos do Sporting na Liga tiveram penaltis. Na primeira jornada, os leões ganharam ao Tondela com um penalti de Adrien. Na segunda, cederam o empate com o Paços de Ferreira quando Pelé bateu Patrício da marca dos onze metros. Na terceira, além de terem sofrido um golo de penalti (Rabiola), marcaram um (Aquilani) e falharam outro (Adrien). Ontem, abriram o marcador graças a mais um penalti de Adrien.   - Em contrapartida, o Rio Ave é a equipa que mais grandes penalidades cometeu na Liga: a de Wakaso, ontem, já foi a terceira, depois de Capela ter feito uma contra o Belenenses e Cássio outra no empate em Setúbal.   - O golo de Slimani foi o primeiro que o Rio Ave sofreu esta época sem ser de bola parada. Até aí tinha sofrido golos num livre indireto, dois cantos e três penaltis (já incluído aquele com que Adrien abriu o marcador).   - Adrien Silva voltou a ser bem sucedido na conversão de uma grande penalidade depois de ter falhado uma em Coimbra, contra a Académica. Os três penaltis que marcou esta época foram todos para o lado direito, mas o de Coimbra acertou no poste.   - Depois do golo em Setúbal, Yazalde marcou pela segunda partida consecutiva, algo que não lhe acontecia desde Março de 2014, quando ainda representava os romenos do Astra Giurgiu. Nessa altura fez golos no empate (1-1) em casa com o Otelul e na vitória (2-0) frente ao Ceahlaul. Em Portugal não lhe sucedia semelhante coisa desde Abril de 2013, quando deu a vitória (1-0) do Beira Mar em casa com o Gil Vicente e marcou na derrota (1-2) frente ao Rio Ave, em Vila do Conde.  
2015-09-14
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Último Passe

A derrota (0-1) no teste com a França não deixou as melhores indicações à seleção nacional. No final, porém, o selecionador fez uma boa leitura dos acontecimentos, ao reconhecer que faltou mais presença na área. Fernando Santos afirmou que ela seria obtida se os médios subissem mais, o que é evidente, mas também que crê na articulação de um 4x3x3 em que as três peças da frente se movem de acordo com o que decide uma delas. Ora, como diz aquela menina no anúncio dos iogurtes, "nisso, eu já não acredito". Portugal voltou ao 4x3x3, abdicando das experiências que vinham sendo feitas em torno de um 4x4x2 de difícil interpretação que se destinava a compensar a falta de um ponta-de-lança de grande qualidade e a encontrar forma de enquadrar Ronaldo ao meio sem o abandonar ao adversário como ponta-de-lança único. Em 4x3x3, no entanto, voltaram os problemas que se viam antes. Defensivamente, a saída constante de Ronaldo do corredor que lhe é destinado deixa o lateral desse lado em permanente inferioridade sempre que o adversário roda a bola e sai por ali: com a França, Adrien foi sempre a ajuda de Eliseu, o que pode explicar que não tenha aparecido com tanta frequência na frente, em apoio ao ponta-de-lança. Ofensivamente, num sistema em que Ronaldo escolhe a cada momento o seu corredor e Nani e Éder têm de perceber e ocupar os outros dois, a questão que se coloca é a da criação de rotinas que permita a coordenação efetiva dos três homens da frente. Neste jogo repetiram-se às situações em que apareceram dois deles no mesmo corredor, abandonando o terceiro a uma imensidão de espaço, sem esperança de sucesso.Esta é uma questão para a qual não há resposta evidente. Fernando Santos tem o mérito de andar à procura da solução. Ainda que, enquanto não a encontrar, Portugal esteja condenado a ser uma equipa de fraco potencial atacante, que nos jogos contra adversários a sério dependerá demasiado do contra-ataque, das bolas paradas ou da momentânea inspiração de um ou outro jogador para fazer golos. E isso não é aceitável numa equipa que tem tanta gente de qualidade do meio-campo para a frente.
2015-09-04
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Último Passe

A Federação Portuguesa de Futebol quis jogar ao ataque na premente questão do meio-campo e, face aos impedimentos dos lesionados William e Moutinho e do castigado Tiago, mandou Adrien e João Mário, dois dos prováveis substitutos, à sala de imprensa para confrontarem os jornalistas. Fez bem. Não pelo discurso dos dois jogadores - mais vazio seria de todo impossível -, mas porque o ato veio mostrar confiança em dois jovens lobos numa seleção plena de consagrados e a acusar alguma veterania.A verdade é que se o jogo da seleção a meio-campo tem sido difícil de perceber pelos jogadores (e tem), isso só tem tido a ver com o elevado grau de exigência da articulação com este ataque de peças móveis a que forçam a presença do CR7 e a ausência de um ponta-de-lança de qualidade internacional. Nesse aspeto, Adrien e João Mário, bem como Danilo e Bernardo Silva dão todas as garantias de poderem substituir os titulares sem que haja perda exagerada de capacidades. Se Danilo é uma primeira versão do futebol de passada larga de William, João Mário é capaz do jogo vertical, a queimar linhas com bola, que celebrizou Tiago. Adrien não é Moutinho, sobretudo na reacção à perda, mas continuo a achar que é quem mais dele se aproxima nos médios lusos. E Bernardo acrescenta em criatividade o que perde em velocidade para Danny, que está disponível mas tarda em justificar a titularidade.Claro que se estes fossem melhores que os titulares e não apenas boas réplicas, a conversa nem faria sentido. Mas tenho a certeza de que com eles há futuro para a equipa nacional. Talvez já no par de jogos que aí vem, com a França e a Albânia.
2015-09-02
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- Maicon marcou, de livre direto, ao Estoril, o 11º golo pelo FC Porto e o primeiro que não foi obtido de cabeça. Os dez anteriores tinham sido todos na sequência de livres laterais ou cantos de Belluschi, João Moutinho, Hulk, James Rodríguez e Carlos Eduardo. A exceção a esta regra foi um golo de livre direto na única ocasião em que o central brasileiro representou a equipa B portista: a 3 de Fevereiro de 2013 surpreendeu João Pinho e marcou, quase de meio-campo, um livre à Oliveirense que ajudou a uma vitória por 3-1.   - Aboubakar marcou nos últimos três jogos do FC Porto em casa. Bisou ao Penafiel nos 2-0 com que os dragões encerraram a última Liga, repetiu a graça nos 3-0 aplicados ao V. Guimarães na abertura da atual e agora abriu o marcador nos 2-0 ao Estoril.   - Ao manter a baliza inviolada contra o Estoril, Iker Casillas voltou a contribuir com mais 90 minutos para o alargamento da série de imbatibilidade dos dragões nos jogos da Liga disputados em casa. São já 1125 minutos que Fabiano, Helton e agora Casillas levam sem sofrer golos em casa para a Liga, desde o segundo tento de Lima, na vitória do Benfica por 2-0, no Dragão, em Dezembro. O próximo jogo dos portistas em casa será precisamente contra o Benfica e, nele, bastarão três minutos para superar a série de 1127 estabelecida por Vítor Baía em 1995/96.   -O FC Porto fez apenas oito remates à baliza do Estoril durante os 90 minutos. O valor é um mínimo desde o empate no Restelo, como o Belenenses, que valeu o título ao Benfica na penúltima jornada da temporada passada, mas para encontrar um total tão baixo num jogo em casa é preciso recuar a 6 de Abril de 2014, quando os dragões bateram a Académica em casa por 3-1 rematando as mesmas oito vezes.   - O Estoril vai com cinco jogos seguidos sem sequer marcar golos no terreno dos grandes. Os 2-0 de sábado frente ao FC Porto somam-se aos 4-0 que encaixou na Luz face ao Benfica na abertura desta Liga e a mais três jogos negativos em 2014/15: 6-0 na Luz, 5-0 no Dragão e 4-0 em Alvalade. Tudo a seguir à melhor época da história do clube neste particular, por em 2013/14 ganhou fora a FC Porto e Sporting pelo mesmo resultado: 1-0.   - O Benfica virou frente ao Moreirense, de 0-1 para o 3-2 final. Foi a primeira reviravolta no marcador dos encarnados desde 8 de Março, quando venceram fora o Arouca por 3-1, depois de ter estado a perder por 1-0. Ponto em comum aos dois jogos é Iuri Medeiros, que em Março marcou o golo do Arouca e no sábado foi titular do Moreirense.   - Samaris marcou o primeiro golo com a camisola do Benfica. A última vez que tinha festejado em nome individual foi a 9 de Março de 2013, quando fez o golo do Olympiakos numa derrota (1-2) em Salónica com o PAOK.   - Jonas fez golos nos últimos quatro jogos do Benfica na Luz. Marcou o tento da vitória frente ao Moreirense, mas antes já tinha feito dois nos 4-0 ao Estoril, outros dois nos 4-1 ao Marítimo na festa do último título nacional e um nos 4-0 ao Penafiel. Não fica em branco na Luz desde 26 de Abril, quando o Benfica empatou a zero com o FC Porto.   - Raul Jiménez precisou de apenas dois jogos para marcar um golo no Benfica. No Atlético de Madrid, só marcou ao sétimo: contribuiu para os 4-0 com que os colchoneros ganharam ao Sevilha, a 27 de Setembro. O problema, porém, é que não marcou mais nenhum no que restou da época passada.   - Este Benfica-Moreirense foi fiel à história recente das duas equipas. Já são quatro jogos seguidos para a Liga com o mesmo resumo: o Moreirense marca primeiro e o Benfica acaba por ganhar. Os três jogos anteriores (a última jornada de 2013/14 e as duas partidas de 2014/15) tinham acabado com 3-1 favorável aos encarnados. Desta vez ficou 3-2.   - A última equipa a marcar duas vezes na Luz tinha sido o Sp. Braga, que ali ganhou por 2-1 nos oitavos de final da Taça de Portugal da época passada. Se contarmos só jogos da Liga, a última equipa a consegui-lo foi o Arouca, que ali empatou (2-2), a 6 de Dezembro de 2013.   - Rafael Martins já tinha marcado ao Benfica na última vez que tinha defrontado os encarnados, em Maio de 2014. Se no sábado abriu o placar, nessa altura fez de grande penalidade o golo que valeu o empate (1-1) ao V. Setúbal.   - A vitória do Sporting em Coimbra por 3-1 significa que tanto o clube como Jorge Jesus mantêm a série positiva nas visitas à Académica. Os leões não perdem em Coimbra desde 8 de Maio de 1977, enquanto que Jesus nunca ali perdeu como treinador.   - Aquilani fez de grande penalidade o primeiro golo com a camisola do Sporting. Não marcava desde de 2 de Outubro de 2014, quando abriu o placar numa vitória da Fiorentina em Minsk (3-0), a contar para a Liga Europa.   - Adrien falhou a primeira grande penalidade desde que, a 11 de Maio de 2014, na jornada de despedida da Liga, permitiu a defesa a Vagner (Estoril). Desde então e até acertar agora no poste da baliza de Lee, marcou a Schalke, Estoril, Marítimo, V. Guimarães, Sp. Braga e Tondela.   - O Sporting viu ser-lhe assinalada uma grande penalidade contra pelo segundo jogo consecutivo na Liga. Não lhe acontecia semelhante coisa desde Outubro e Novembro de 2013, quando perdeu (1-3) no Dragão com o FC Porto e ganhou (3-2) em casa ao Marítimo, sempre com golos sofridos de penalti. Ponto em comum é o árbitro Bruno Esteves, que tinha estado nesse Sporting-Marítimo.   - Bruno Esteves nunca tinha assinalado três grandes penalidades no mesmo jogo da Liga, mas já tinha marcado duas. Foi a 4 de Novembro de 2011, num empate caseiro do Sporting com a Naval, em que começou por apontar para a marca dos onze metros quando Evaldo derrubou Marinho, permitindo aos figueirenses empatar a uma bola, mas depois marcou uma mão de Camora na área, que Postiga converteu no 2-2 momentâneo.   - O último jogo com três penaltis na Liga também tinha sido em Coimbra. Foi o Académica-Gil Vicente, a 25 de Abril último, e os gilistas ganharam por 2-1, com golos de penalti de Ruben Ribeiro e Cadu, a responder a outro penalti de Rui Pedro. O árbitro era Soares Dias. Na época passada houve mais dois jogos com três penaltis: o Estoril-Penafiel (apitado por Tiago Martins) e o Paços de Ferreira-V. Setúbal (Luís Ferreira).   - Fernando Alexandre, expulso pelos dois penaltis cometidos, não via um vermelho desde 11 de Setembro de 2011, quando João Ferreira o expulsou imediatamente antes do intervalo de uma derrota do Olhanense, em casa, contra o Feirense (1-2).   - Além de FC Porto e Sporting, há mais cinco equipas que ainda não perderam nesta Liga: Rio Ave, V. Setúbal, Arouca, Paços de Ferreira e Belenenses. Para os vila-condenses não há grande novidade, uma vez que também não tinham perdido nas três primeiras rondas da época passada e, à 3ª jornada, até lideravam a classificação, mas para o Arouca a sensação é de novidade absoluta, pois nunca por tal tinha passado. O Paços de Ferreira tinha conhecido este arranque em 2012 (e acabou a Liga em terceiro lugar), mas os históricos V. Setúbal e Belenenses já mal se lembram de tal coisa. A última vez que tal sucedeu aos sadinos foi em 2007 (três empates a abrir deram um sexto lugar no final), enquanto que os belenenses têm de recuar até 2004 e a uma Liga que acabaram em nono lugar.   - André Claro, do V. Setúbal, foi o único jogador a marcar golos nas três primeiras jornadas da Liga. O último a conseguir fazê-lo tinha sido Jackson Martínez, que na época passada fez golos a abrir a Marítimo, Paços de Ferreira e Moreirense (dois). Mas para encontrar um português que o tenha feito é preciso recuar a 202, quando o benfiquista Simão marcou consecutivamente a Beira Mar, Moreirense e U. Leiria.   - Ao estabelecer o empate do Rio Ave em Setúbal (2-2), o veterano André Vilas Boas marcou o primeiro golo em 124 jogos na Liga. Misturando todas as competições, só tinha um golo na Taça de Portugal, um na II Liga e outro na II Divisão B. O último tinha sido a 20 de Outubro de 2013, na vitória (3-0) dos vila-condenses fora sobre o Esperança de Lagos.   - O Tondela ganhou pela primeira vez na Liga ao terceiro jogo neste escalão, batendo o Nacional por 1-0. Repetiu a performance do último estreante, o Arouca, que também se impôs pela primeira vez à terceira jornada em 2013, batendo na altura o Rio Ave pelo mesmo score. Pior correu a vida ao Trofense, o estreante anterior: perdeu os primeiros cinco jogos, empatou o sexto e só ganhou à sétima tentativa, batendo fora o V. Setúbal por 2-0.   - Bruno Moreira, que fez o golo do Paços de Ferreira no empate frente ao Arouca, não marcava desde que defrontou… o Arouca. Tinha feito dois dos três golos com que os pacenses venceram fora este mesmo adversário (3-1), a 26 de Abril.   - Rafael Bracalli, guarda-redes do Arouca, liderava a única defensa ainda sem golos sofridos na Liga, mas ainda assim falhou por 13 minutos o seu melhor início de época. Ainda que este tenha sido estabelecido quando era suplente do FC Porto e só atuava em partidas da Taça de Portugal e da Taça da Liga. Os 183 minutos em que manteve a baliza do Arouca inviolada até ao golo de Bruno Moreira só são ultrapassados no seu registo pessoal pelos 196 que durou essa mesma imbatibilidade na baliza do FC Porto em jogos com Pero Pinheiro, Académica e… Paços de Ferreira.   - Alan marcou, na vitória (4-0) sobre o Boavista, o seu 50º golo pelo Sp. Braga. Foram 30 na Liga, dez nas provas da UEFA, sete na Taça da Liga e três na Taça de Portugal. O primeiro acontecera a 23 de Outubro de 2008, na vitória por 3-0 sobre o Portsmouth.   - O U. Madeira-V. Guimarães foi o primeiro jogo sem golos na atual Liga. Aconteceu à 27ª partida, no encerramento da terceira jornada. Na época passada tinha sucedido à 18ª, num Moreirense-Sp. Braga que também fechava a segunda ronda (e também a uma segunda-feira à noite). Há dois anos, em contrapartida, o primeiro 0-0 só aparecera ao 42º jogo, um Académica-Arouca da sexta jornada. Para que se faça uma comparação, a Liga espanhola teve quatro 0-0 na primeira jornada e mais dois na segunda, enquanto que na Premier League inglesa o primeiro nulo surgiu na segunda ronda e na Bundesliga alemã tal só aconteceu à terceira. Em Itália, as primeiras duas semanas de competição ainda não proporcionaram nenhum 0-0  
2015-09-01
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Stats

JESUS REVIVE JOGO NO QUAL MARCOU O ÚNICO GOLO À SPORTING   Jorge Jesus não marcou muitos golos na sua carreira de futebolista e, entre os que marcou, só um aconteceu ao serviço do Sporting. Foi numa visita à Académica, a mesma que a equipa leonina vai reviver nesta terceira jornada. Nesse jogo, a 2 de Novembro de 1975, Jesus saiu do banco com Vitor Gomes, quando Juca quis render os dois extremos, Marinho e Chico Faria, a seis minutos do final. O resultado estava em 3-1 favorável aos leões e o jovem médio fez ele próprio o 4-1 final, marcando na baliza de Hélder. Aquele era apenas o quarto jogo que Jesus fazia pelos leões depois de chegar do empréstimo ao Olhanense. Até final da época entrou em apenas mais oito, nenhum deles como titular. O seu caminho como futebolista estava traçado e seria longe de Alvalade: antes de começar a treinar o Amora, em 1989/90, seguiram-se, na sua carreira, Belenenses, Riopele, Juventude de Évora, U. Leiria, V. Setúbal, Farense, E. Amadora, Atlético, Benfica de Castelo Branco e Almancilense. A Académica, porém, voltou a cruzar-se no seu caminho, pois também lhe fez golos com as camisolas do Riopele e do V. Setúbal. Para tornar este jogo ainda mais especial para o atual treinador leonino, resta dizer que Coimbra foi também o palco da despedida do seu pai, Virgolino de Jesus, que se lesionou no último jogo do campeonato, a 8 de Abril de 1945. No Campo de Santa Cruz, o Sporting ganhou o jogo por 2-1, graças a um bis de Jesus Correia, mas o interior direito magoou-se numa perna e não voltou a vestir a camisola verde e branca. Jorge Jesus só nasceria nove anos depois.   - Além disso, as equipas de Jorge Jesus nunca perderam em Coimbra em jogos a contar para a Liga. Em toda a sua carreira de treinador, o amadorense visitou 13 vezes a Académica, ganhando seis e empatando sete. Empatou ali (2-2) com o E. Amadora em 1998/99 e com o V. Guimarães (1-1) em 2003/04. Depois disso, conseguiu lá uma vitória por 4-0, que não chegou para manter o Moreirense na I Liga, em 2004/05, e outra por 3-1, já na U. Leiria, em 2005/06. Pelo Belenenses empatou ali nas duas temporadas (1-1 em 2006/07 e 0-0 em 2007/08), repetindo o empate a uma bola ao serviço do Sp. Braga (1-1 em 2008/09). Por fim, nas seis épocas de Benfica, ganhou quatro jogos (3-2 em 2009/10, 1-0 em 2010/11, 3-0 em 2013/14 e 2-0 em 2014/15) e empatou os outros dois (0-0 em 2011/12 e 2-2 em 2012/13).   - O Sporting sofreu golos nos seus últimos quatro jogos oficiais (Tondela, CSKA, Paços de Ferreira e de novo Tondela), algo que já não lhe sucedia desde Fevereiro. Nessa altura a série foi mesmo de cinco: 1-1 em casa com o V. Setúbal, 3-1 em Arouca, 1-1 em casa com o Benfica, 1-1 com o Belenenses no Restelo e 0-2 em Wolfsburg. E foi interrompida a 22 de Fevereiro na vitória caseira sobre o Gil Vicente (2-0).   - A Académica perdeu os últimos quatro jogos, dois deles ainda referentes à época passada (0-4 em casa com o V. Setúbal, 0-1 em Paços de Ferreira, 2-4 em casa com o V. Guimarães e 2-3 em Paços de Ferreira), e não ganhou nenhum dos derradeiros onze. A última vitória da formação orientada por José Viterbo foi a 15 de Março, um 2-1 caseiro contra o Nacional, graças a golos de Lucas Mineiro e Marcos Paulo, contra os quais de nada serviu um penalti de Marco Matias. Na época passada, a equipa então dirigida por Paulo Sérgio esteve 13 jogos sem ganhar, entre o 1-0 em Arouca a 28 de Setembro e o 1-0 em casa ao Rio Ave (Taça da Liga) a 21 de Janeiro.   - Limitando a pesquisa a jogos a contar para a Liga (porque os onze jogos sem ganhar da corrente série são todos da Liga), a equipa de Paulo Sérgio esteve 15 partidas sem ganhar, desde o tal jogo com o Arouca até à estreia de Viterbo, com uma vitória no Estoril por 2-1, a 22 de Fevereiro.   - Carrillo marcou nas duas últimas visitas a Coimbra, os 4-0 de 2013/14 e o empate a um golo da época passada.   - Este é um jogo especial também para Adrien, que ganhou uma Taça de Portugal pela Académica (na final contra o Sporting) e se estreou na Liga pelos leões a defrontar a Académica: entrou a 1 minuto do fim de uma vitória por 4-1 em Alvalade, a 17 de Agosto de 2007, lançado por Paulo Bento.   - Quatro jogadores do atual plantel da Académica estrearam-se na Liga frente ao Sporting, no empate a uma bola, em Coimbra, na época passada. São eles o brasileiro Iago, o ganês Ofori, o nigeriano Obiora e o jovem português Pedro Nuno.   - A Académica não ganha ao Sporting em Coimbra desde 8 de Maio de 1977, quando um autogolo de Da Costa permitiu à equipa então orientada por Juca levar a melhor, por 2-1, sobre os leões de Jimmy Hagan (Joaquim Rocha e Freire tinham feito os golos na primeira parte). Desde esse dia, os estudantes ganharam três vezes aos leões. Duas em Alvalade (1-0 em 2005/06, com golo de Marcel, e 2-1 em 2009/10, com os tentos de Orlando e João Ribeiro a superiorizarem-se ao marcado por João Moutinho) e uma, mais notória, na final da Taça de Portugal de 2012, por 1-0, com golo de Marinho.   - O árbitro Bruno Esteves nunca viu uma derrota do Sporting, que no entanto empatou três dos sete jogos feitos com ele a apitar. Um dos quais um Sporting-Académica que acabou sem golos, a 29 de Outubro de 2010. A última visita deste árbitro a Alvalade foi o polémico Sporting-Penafiel da época passada, que os leões venceram por 3-2 e que acabou com três expulsões: o leão Tobias aos 11’ e os penafidelenses Dani e Pedro Ribeiro, aos 83’ e 89’.
2015-08-29
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Artigo

- O Sporting não ganhava um jogo em período de compensação desde 11 de Janeiro, quando um livre de Tanaka lhe valeu uma vitória por 1-0 em Braga. Para encontrar uma vitória em tempo de compensação com um golo de penalti é preciso recuar até 8 de Fevereiro de 2006, data de um jogo em casa com o Paredes, para a Taça de Portugal, em que o 2-1 final surgiu aos 90+2’ numa grande penalidade convertida por João Moutinho.   - Adrien vai numa série de seis grandes penalidades consecutivamente convertidas. A última vez que falhou foi a 11 de Maio de 2014, na jornada de despedida da Liga, quando permitiu a defesa a Vagner (Estoril). Desde então, marcou a Schalke, Estoril, Marítmo, V. Guimarães, Sp. Braga e Tondela.   - Ao fazer o golo do Tondela, Luís Alberto sucedeu a Bruno Amaro (Arouca), Pinheiro (Trofense), Bruno Fogaça (Naval), João Duarte (Moreirense) e Gamboa (Santa Clara) na honra de fazer o primeiro golo da sua equipa na Liga portuguesa. Dos seis, só Fogaça e João Duarte não o fizeram na baliza do Sporting.   - Ao bisar frente ao V. Guimarães, Aboubakar conseguiu algo que Jackson Martínez nunca foi capaz de fazer na primeira jornada das três Ligas que disputou. O colombiano, aliás, ficou mesmo em branco na abertura de 2012/13, um empate a zero frente ao Gil Vicente, e marcou apenas uma vez na estreia das duas derradeiras Ligas. Mas Jackson tem uma Liga a marcar sempre nas primeiras cinco jornadas e isso Aboubakar ainda terá de tentar.   - O FC Porto obteve a 10ª vitória consecutiva frente ao V. Guimarães no Dragão, um recorde entre as equipas que estão na edição deste ano da Liga. Desde Fevereiro de 2005 que o V. Guimarães não pontua no terreno dos azuis e brancos: na altura empatou a zero.   - Varela fez um o primeiro golo no Dragão desde 19 de Janeiro de 2014. Na altura obteve o segundo de uma vitória que também ficou pelos 3-0 e contra outro Vitória: o de Setúbal. Da equipa do FC Porto que alinhou nesse dia só restaram no jogo de sábado ele, Alex Sandro e Maicon.   - Armando Evangelista entrou na Ligada pior maneira: com uma derrota por 3-0 no Dragão. A última vez que o V. Guimarães estreara um técnico na Liga antes desta correra igualmente mal: em 2011/12, Manuel Machado saiu após a primeira jornada e a equipa ficou entregue ao seu adjunto Basílio Marques, que a 28 de Agosto de 2011 se estreou com uma derrota por 3-0, em casa, com o Beira Mar. Na jornada seguinte entrou em funções Rui Vitória.   - Mitroglu e Nelson Semedo fizeram um golo cada um, na estreia na Liga portuguesa. O último jogador a estrear-se com golo pelo Benfica tinha sido Jonas, que entrou ao intervalo para o lugar de Lima e fez o quarto numa vitória também ela por 4-0 frente ao Arouca, a 5 de Outubro de 2014. Curioso é que também nesse jogo o Benfica só abriu o ativo aos 75’.   - Jonas obteve frente ao Estoril o oitavo bis com a camisola do Benfica. O primeiro deles, aliás, foi mesmo um hat-trick, contra o Sp. Covilhã, na Taça de Portugal (vitória benfiquista por 3-2), naquele que foi o seu segundo jogo pelos encarnados. Desde esse desafio, o brasileiro bisou mais sete vezes, contra Moreirense, Estoril, Nacional, Académica, Belenenses, Marítimo e, de novo agora, Estoril.   - Os 4-0 ao Estoril são o melhor arranque de Liga do Benfica desde 1997, quando a equipa liderada por Manuel José se impôs ao Campomaiorense, na Luz, pelo mesmo resultado (golos de Calado, João Pinto e bis de Paulo Nunes). Para encontrar uma abertura com vitória por mais de quatro golos é preciso recuar a 1975 e a um 9-1 ao Leixões, com cinco golos de Nené, dois de Moinhos, um de Shéu e outro de Toni.   - O Estoril segue numa série horrível de 12-0 em visitas à Luz, depois do empate a um golo que ajudou os encarnados a perder o campeonato de 2012/13. Nas três épocas seguintes, os canarinhos perderam por 2-0, 6-0 e agora 4-0. Aliás, a equipa agora dirigida por Fabiano Soares tem sido freguesa habitual dos grandes sempre que os visita. Desde que, ainda com Marco Silva aos comandos, ganhou em Alvalade ao Sporting na despedida da Liga de 2013/14, vai com uma série de resultados amplos consecutivos: 3-0 em Alvalade, 6-0 na Luz, 5-0 no Dragão e agora 4-0 na Luz. Em todos esses jogos teve um penalti contra…   - Os três grandes ganharam os seus jogos na jornada de abertura na Liga. Algo que não acontecia há 21 anos, desde que, em 1994, o Sporting venceu fora o Farense (2-0, com golos de Juskowiak e Sá Pinto), o Benfica bateu o Beira Mar em Torres Novas (também 2-0, com golos de Paneira e Clóvis) e o FC Porto se impôs em casa ao Sp. Braga (ainda 2-0, com tentos de Rui Filipe e Kostadinov).   - Os 29 golos marcados nos nove jogos da primeira jornada da Liga são o arranque mais goleador desde 1996, quando em igual número de partidas se fizeram 34 tentos. A média de golos por jogo, porém, já tinha vindo a crescer nas últimas duas épocas, tendo há dois anos estado também acima dos três golos por jogo (26 em oito jogos).   - O Sp. Braga conseguiu, frente ao Nacional, a primeira virada da Liga (de 0-1 para 2-1). Curioso é que a última virada do Sp. Braga tinha acontecido no mesmo local e frente ao mesmo adversário: de 0-1 para 3-1 a 28 de Fevereiro de 2015, contra o Nacional, na 22ª jornada da última Liga.   - Gonçalo Brandão marcou ao Rio Ave o seu primeiro golo desde 18 de Outubro de 2003, data em que assinou o tento belenense na derrota em casa frente ao FC Porto, por 4-1. Desde então, além do Belenenses, representou Charlton, Siena, Parma e Cluj, mas nem por uma vez fez um golo.   - Os 3-3 no Restelo assinalaram a terceira época consecutiva do Rio Ave a marcar três golos no campo do Belenenses. Na época passada os vila-condenses tinham ganho por 3-1 e há dois anos por 3-0. Ponto comum às duas vitórias foram golos de Del Valle, o venezuelano entretanto emigrado para o Kasimpasa, da Turquia.   - Espetacular recuperação do Boavista em Setúbal: de 0-2 para 2-2 com um jogador a menos, por expulsão de Idris, aos 69'. O Boavista não recuperava um resultado num jogo que tenha acabado em inferioridade numérica na Liga desde 5 de Novembro de 2005, quando depois da expulsão de Areias, um golo de João Pinto, aos 87', valeu um empate (1-1) ante o Belenenses no Restelo. Na época passada, em casa contra o Rio Ave, também recuperou de 0-1 para 1-1 depois da expulsão de Beckeles, mas o jogo acabou dez contra dez, pois também foi expulso o vila-condense Prince.   - Nuno Coelho (Arouca) abriu em Moreira de Cónegos o caminho à vitória do Arouca, com um golo de cabeça que apenas o segundo na Liga. Sempre que ele marcou, porém, o Arouca ganhou: já tinha sido ele a garantir a vitória em casa ante o V. Setúbal, em Janeiro último (1-0).   - O dérbi da Madeira, com Breitner (U. Madeira) e Briguel (Marítimo) em campo (e não jogava a RFA de 1982…) sorriu à equipa azul e amarela. Não é novidade o Marítimo perder (já tinha saído derrotado nas últimas três visitas ao Nacional. Mas é novidade o U. Madeira ganhar: nos cinco anos que o União passara na I Liga empatara sempre em casa com o Marítimo e perdera nas deslocações aos Barreiros.   - A derrota em Paços de Ferreira significou o 10º jogo seguido sem ganhar na Liga para a Académica de José Viterbo. O treinador, que foi tão importante na recuperação, ganhando três dos primeiros quatro jogos, está ainda a cinco jogos de igualar o recorde de 15 sem vitória que custou o lugar a Paulo Sérgio, antes de ele entrar.
2015-08-17
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Último Passe

Alex Ferguson contou um dia que só com o aparecimento da chamada “classe de 92” pôs em causa uma das verdades absolutas mais antigas do futebol: a de que não é possível ganhar nada com miúdos. Regra geral, isso acontece e é por isso mesmo que vemos os adeptos do Sporting agarrarem-se ao título oficioso de campeão da formação, ignorando por exemplo que muitos dos seus formandos (Simão, Moutinho, Quaresma, Varela, Carlos Martins…) andaram a ser campeões, mas com a camisola dos rivais. A questão é que, tal como Ferguson percebeu ao ter na equipa os dois manos Neville, Beckham, Giggs, Scholes e Butt, não tem de ser assim: o que mais interessa é a qualidade e se quem tem mais qualidade são os miúdos terão de ser eles a jogar.Foi por ser contra qualquer tipo de protecionismo e por saber que a qualidade acaba sempre por se impor que nunca liguei muito às teorias segundo as quais Jorge Jesus ia pulverizar a formação do Sporting. Não tinha de ser assim e nem o histórico do treinador funciona como tendência de sentido absoluto – se até aqui ligou pouco à formação, por exemplo, no Benfica, foi porque lhe iam sempre dando jogadores melhores. E até aqui essa estava a ser também a regra no Sporting. João Pereira é melhor que Esgaio, mesmo para quem admita que durante a época este possa dar-lhe luta; Naldo é melhor que o promissor mas ainda desequilibrado Tobias; Ruiz tem tudo para ser melhor que Mané, que até funciona às mil maravilhas quando sai do banco para abanar os jogos; e, mesmo não metendo formação ao barulho, Teo Gutièrrez é titular da seleção do país de Montero, a Colômbia, de onde se infere que também ele deve ser melhor que o compatriota.A teoria pode ser posta à prova com Kevin Prince Boateng, que vai chegar do Schalke com um salário de top no clube. O germano-ganês ganha a João Mário ou Adrien – presumindo que é para médio centro ofensivo que Jesus o quer – em poder físico e experiência, mas perde em muitos outros parâmetros. Logo à partida no salário, mas também na ascensão na carreira. E quando o que está em causa já é a possibilidade de colocar de lado dois jogadores que andam nas escolhas regulares de Fernando Santos para a seleção nacional, das duas uma: ou Boateng chega e rebenta com o meio-campo de tal maneira que ninguém se arrepende ou o que vai parecer é que mais valia a Bruno de Carvalho investir o dinheiro para garantir as renovações de Carrillo ou Jefferson.
2015-08-04
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