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Último Passe

Em véspera de um FC Porto-SC Braga que é uma cimeira pela liderança da Liga, Sérgio Conceição não resistiu a lembrar o incidente que protagonizou na época passada com Abel Ferreira e que levou a que os dois não se cumprimentassem no final da partida entre as respetivas equipas. O treinador campeão resumiu o caso ao facto de ter dito há nessa altura que considerava o SC Braga um candidato ao título, mas é mais ou menos evidente que a questão primordial terá nascido quando ambos trabalhavam no Minho, Sérgio como técnico principal dos arsenalistas, Abel na equipa secundária. De qualquer modo, o “soundbyte” não serviu para mais do que para abrir as hostilidades em termos de “mind games”, porque o fundamental é mesmo que se reconheça que este SC Braga é um real candidato ao título. E aqui Sérgio Conceição acertou no ponto quando referiu um dos principais argumentos a favor dos arsenalistas: estão fora da Europa. Basta olhar para a performance do clube liderado por António Salvador nos últimos anos para o entender. Recuando uma década, só por uma vez a equipa minhota ficou a menos de dez pontos do campeão: foi em 2009/10, quando Domingos Paciência a colocou em segundo lugar, a cinco pontos do Benfica de Jesus e a discutir matematicamente o título até à última jornada. Ora essa foi precisamente uma das duas épocas em que, nesta década, os bracarenses não estiveram na Europa, tendo sido afastados de forma mais ou menos escandalosa pelos suecos do Elfsborg, ainda em Agosto, na pré-eliminatória – a outra foi, curiosamente, no ano que Sérgio Conceição lá passou (em 2014/15), na sequência de um modesto nono lugar obtido na Liga anterior. E é bom que se diga que nestes dez anos o SC Braga foi liderado por vários treinadores que já eram ou que se tornaram referências no futebol nacional ou Europeu, como Jorge Jesus (ficou a 20 pontos do topo em 2008/09), Leonardo Jardim (a 13 pontos em 2011/12), José Peseiro (a 26 pontos em 2012/13), Jesualdo Ferreira (a 37 pontos em 2013/14), Sérgio Conceição (a 27 pontos em 2014/15), Paulo Fonseca (a 30 pontos em 2015/16) ou o próprio Abel Ferreira (a 13 pontos na época passada). Rejeitar a ideia de que o afastamento europeu precoce fortalece uma candidatura ao título é negar que o treino tenha influência no rendimento das equipas. Porque aqui, atenção, o que está em questão não é o dizer popularucho segundo o qual os jogadores são profissionais e têm mais é que aguentar jogar de três em três dias. Porque é claro que aguentam. O que está em questão não é sequer uma eventual superioridade física de uma equipa que não jogou a meio da semana sobre outra que teve de fazê-lo, ainda por cima num relvado pesado pela carga de água que tem caído. O que está em questão é a superioridade potencial de uma equipa que passou a semana a preparar-se para um jogo sobre outra que teve outros afazeres pelo meio. E isso, se o treino for de qualidade, tem de refletir-se muito para lá da fadiga que os jogadores possam ou não sentir. É também por aí – além de ter um excelente onze – que o SC Braga pode afirmar-se como candidato ao título. Resta perceber se começa a gritar essa afirmação já hoje.  
2018-11-10
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Último Passe

A derrota do Sporting em casa, contra o Sp. Braga, com a agravante de ter perdido o terceiro lugar na Liga para os minhotos e de ter ficado a oito pontos do Benfica, vem chamar a atenção para a gestão em Alvalade. Se Jorge Jesus já viu os primeiros lenços brancos nas bancadas de Alvalade é porque há quem lhe atribuía responsabilidades na forma como o treinador tem gerido o plantel disponível – e desta vez a “capacidade de superação” dos jogadores não chegou para ganhar um jogo em que eles pareceram pouco frescos. Mas só internamente poderá perceber-se um pormenor importante: se Jesus esgotou os 12 ou 13 jogadores que tem usado quase sempre porque os outros não servem, ou se os outros não servem porque o treinador os foi “queimando” semana após semana desta época de grande investimento. A evidência do jogo foi a de um Sporting fatigado. Os leões tiveram dificuldades para pressionar, para ganhar duelos diretos, para aguentar as arrancadas dos bracarenses, muito bem organizados por Abel Ferreira, o treinador interino que herdou a equipa de Peseiro e a montou com inteligência. Jesus terá cometido erros neste jogo – a colocação de Ruiz ao meio é, insisto, o maior de todos, porque o costa-riquenho não tem vivacidade para jogar ali e falha clamorosamente nas finalizações, pelo que o ideal será sempre tê-lo mais longe da baliza – mas o foco deve ser alargado a toda a temporada. E ainda que se compreenda que a pressão dos insucessos – de Varsóvia para a Luz, da Luz para Setúbal e para o jogo com o Sp. Braga – tenha levado o treinador a apostar sempre nos mesmos, há espaço para se questionar se isso esteve ou não na base da situação que a equipa vive atualmente. Porque num ano em que os leões contrataram tanta gente com nome, é estranho ver sempre as mesmas caras subir ao relvado, sobretudo quando os seus donos estão fisicamente inferiorizados e perdem os jogos por estarem, como diz o próprio treinador, “menos frescos”. E é aqui que convém perceber-se uma coisa. Beto, Douglas, Petrovic, Elias, Meli, Markovic, Alan Ruiz, André e Castaignos, as aquisições que, juntamente Bas Dost e Campbell, os dois que estão a jogar, encheram os sportinguistas de esperança no Verão, não servem? E não servem porque foram mal escolhidos ou não servem por terem perdido qualidades já depois de terem chegado? Na verdade, acho que há ali gente mal escolhida, uns por falta de qualidade flagrante, outros por não encaixarem naquilo que era o plano de jogo de Jesus, que tinha perdido Slimani e João Mário e recebeu jogadores muito diferentes. Mas outros foram perdendo fulgor à medida que a época seguia o seu curso e eram opção apenas em jogos de menor responsabilidade. Recuperá-los será a tarefa principal do treinador para o novo ano, onde os oito pontos de diferença para o líder não deixam os leões fora mas ao mesmo tempo diminuem a pressão pelo esvaziar do balão da esperança. E disso pode depender também a tranquilidade com que Bruno de Carvalho poderá encarar as eleições de Março.
2016-12-18
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