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Último Passe

Depois de levar o FC Porto a ganhar uma Taça UEFA num 4x3x3 pressionante e ofensivo, José Mourinho entendeu que para ter igual sucesso na Liga dos Campeões teria de mudar e adotou um 4x4x2 mais conservador e dado aos equilíbrios, com Pedro Mendes e Costinha a darem à fotografia um ar mais ponderado e menos rebelde. Os tempos são outros, como os jogadores também, mas a busca de sucesso feita por Sérgio Conceição parece destinada a seguir o caminho inverso: como se viu frente ao Lokomotiv, é no 4x3x3, com Danilo, Óliver e Herrera, que o FC Porto se torna realmente competitivo, pelo menos quando os rivais elevam o nível.A recente eclosão de Óliver no onze titular é uma notícia extraordinária para o portismo: o espanhol pensa e executa rápido e a tudo isso junta precisão, como se viu no momento sublime do terceiro golo, aquele que acabou com quaisquer esperanças que o Lokomotiv pudesse ter de discutir o resultado. Antes, porém, Herrera já tinha deixado a sua marca, fazendo em nome próprio o primeiro e indo descobrir Marega na ode à retribuição que foi o segundo. O mexicano diz que com Marega as coisas são simples, que é só meter a bola no espaço a solicitar a profundidade que o atacante vai lá buscá-la e ganha o duelo a quem quer que seja, mas a forma como ele definiu os ritmos do jogo nos momentos entre estes pontos altos mostra que a equipa terá de contar com ele, quer acabe por renovar ou mantenha a “ameaça” de partir a custo zero no final da época. Os dois, suportados por um Danilo de passada larga e com o explosivo Otávio a funcionar como revulsivo para as ocasiões, são fundamentais para o sucesso da equipa portista frente a opositores que queiram também jogar e não apenas acantonar homens à frente da baliza, porque é esse o momento mais duvidoso a respeito deste FC Porto.Quando Sérgio Conceição encostou Herrera e o sacrificou a um 4x4x2 com dois extremos e dois pontas-de-lança fê-lo com a ideia de que podia suprir o défice de qualidade a definir através da quantidade de definidores. É que Marega é um bulldozer capaz de cumprir as promessas que Herrera e Óliver descobrirem nele, mas não é um exemplo de precisão. Como o não é Aboubakar quando regressar de lesão e como o não é Soares. Tendo o camaronês ou o brasileiro, o treinador até pode resolver a equação encostando Marega à direita e mantendo um 4x3x3 em que um dos extremos funciona quase como segundo ponta-de-lança (da mesma forma que o outro, no caso Brahimi, aparece como quarto médio, a explorar o espaço interior no meio das linhas adversárias). Até lá, veremos um FC Porto com um meio-campo despovoado em alguns jogos, mas nunca naqueles que contam verdadeiramente.A prova virá já no sábado, na cimeira pela liderança frente ao SC Braga. Herrera e Óliver serão as armas principais de Conceição nessa noite no Dragão.
2018-11-07
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