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Sérvia Portugal

Euro 2016 - Qualificação

2015-10-11 17:00

RTP1
Quanto vale Portugal sem Cristiano Ronaldo
2015-10-10

Mesmo estado ausente, dispensado por Fernando Santos, Cristiano Ronaldo é incontornável na visita da seleção nacional à Sérvia. É dele que se fala, é dele que os sérvios querem saber. Afinal, o que vale Portugal sem Ronaldo? A verdade é que, em termos numéricos, vale menos, mas não vale assim tanto a menos.

O exercício é simples de fazer: anda-se para trás e vão buscar-se os últimos 20 jogos que Portugal fez sem Ronaldo. É preciso recuar Setembro de 2008. Desses 20 jogos, a equipa ganhou apenas dez (50%), empatando cinco (25%) e perdendo outros cinco (25%). Como todas as estatísticas, esta só é válida se houver um termo de comparação. Há então que ver que resultados fez Portugal nesse mesmo período com o CR7 em campo. Ora desde a vitória em Malta por 4-0, na qualificação para o Mundial de 2010, na qual Ronaldo esteve ausente, a equipa portuguesa jogou 65 partidas com ele em campo, ganhando 38 (58%), empatando 16 (25%) e perdendo onze (17%). O que diz a frieza dos números é que, sem Ronaldo, Portugal tem menos oito por cento de hipóteses de ganhar à Sérvia em Belgrado.

Os números não explicam tudo, porém. Há depois uma série de fatores subjetivos a ter em conta, tais como o grau de dificuldade dos jogos. E a verdade é que muitas vezes Ronaldo tem estado fora de jogos menos exigentes: metade destas 20 ausências foram em particulares, percentagem que sobe para 70 por cento se olharmos apenas para as últimas dez ausências do CR7. É verdade que na última falta de Ronaldo Portugal até ganhou à Itália (resolveu um golo de Éder), num particular em campo neutro, mas antes disso o panorama não era muito animador: derrota com Cabo Verde (0-2) e com a Albânia (0-1), vitória no último suspiro frente ao México (1-0) e empate com a Grécia (0-0) na antecâmara do Mundial 2014. Dois golos marcados nos últimos cinco jogos sem Ronaldo, portanto.

Antes disso, ainda assim, a equipa reagia melhor ofensivamente à falta de Ronaldo. Nos três jogos de 2013 em que ele faltou, houve duas vitórias (3-0 ao Luxemburgo e 2-0 ao Azerbaijão) e uma derrota compreensível (1-3 no Brasil). Em 2012, na sua única ausência – a excursão ao Gabão – não foi o ataque que falhou, num jogo que acabou empatado a duas bolas. E em 2011, o CR7 só faltou a dois particulares, em Março, que redundaram numa vitória (2-0) sobre a Finlândia e num empate (1-1) face ao Chile. Antes disso, é que veio o pior e o melhor da história recente sem Ronaldo. Em 2010, no rescaldo do desentendimento com Carlos Queiroz, que aqueceu a fase final do Mundial, Ronaldo esteve ausente no empate (4-4) com Chipre e na derrota com a Noruega em Oslo (0-1), que redundaram na troca de selecionador. Em 2009, porém, tinha sido sem ele que a equipa se reencontrou e garantiu a qualificação para a África do Sul: Ronaldo não esteve nas duas vitórias do play-off com a Bósnia (ambas por 1-0) nem no último jogo do grupo de apuramento (4-0 a Malta) como já não tinha estado nos particulares com o Liechtenstein (3-0) e a Estónia (0-0). Completam o lote das derradeiras 20 ausências de Ronaldo a derrota caseira com a Dinamarca (2-3) e a tal vitória (4-0) em Malta, a 6 de Setembro de 2008.

 

- Portugal procura a sétima vitória seguida em jogo de competição, algo que nunca obteve em toda a sua história. A atual série, de seis vitórias consecutivas (contra Dinamarca, Arménia, Sérvia, outra vez Arménia, Albânia e mais uma vez Dinamarca), todas pela margem mínima, só encontra paralelo na estabelecida pela equipa que chegou às meias-finais do Mundial de 2006. Na altura, dirigido por Luiz Felipe Scolari, Portugal ganhou os dois últimos jogos de qualificação (Liechtenstein e Letónia) e os quatro primeiros na fase final (Angola, Irão, México e Holanda). Empatou à sétima partida, com a Inglaterra, mas apurou-se na mesma, ganhando nas grandes penalidades.

 

- A Sérvia também ganhou os dois últimos jogos de competição: 2-0 em Novi Sad à Arménia e 2-0 à Albânia em Tirana. Ainda assim, não ganha um jogo em Belgrado desde Setembro de 2011 (dois empates e três derrotas desde uns 3-1 às Ilhas Faroé) e vem com uma série repetitiva de alternância entre vitórias e derrotas nos últimos oito jogos: perdeu com a Dinamarca, ganhou à Grécia; perdeu com Portugal, ganhou ao Azerbaijão; perdeu outra vez com a Dinamarca, ganhou à Arménia; perdeu com a França, ganhou à Albânia. É a vez de perder de novo.

 

- Num jogo sem nada por decidir, Fernando Santos pode adicionar mais algumas estreias ao lote de jogadores aos quais deu a primeira internacionalização. O guarda-redes Ventura (Belenenses), o lateral Nelson Semedo (Benfica), o ala Ricardo (Nice) e o avançado Rui Fonte (Sp. Braga) esperarão ser o 15º estreante da era Fernando Santos, depois de Cédric, João Mário, Raphael Guerreiro, Tiago Gomes, José Fonte, Adrien Silva, Anthony Lopes, André Pinto, Paulo Oliveira, Bernardo Silva, Danilo, André André, Ukra e Carriço.

 

- Portugal nunca perdeu com a Sérvia, mas também só ganhou uma vez, precisamente nesta fase de qualificação (2-1, na Luz). Os dois jogos de apuramento para o Euro’2008 acabaram empatados a um golo: Tiago e Jankovic marcaram em Belgrado; Simão e Ivanovic fizeram-no em Portugal. Em Março, na Luz, Ricardo Carvalho e Coentrão marcaram por Portugal e Matic fê-lo pelos sérvios. Mais equilibrado foi o confronto entre portugueses e jugoslavos: três vitórias para Portugal; duas para a Jugoslávia. Os jugoslavos levaram a melhor no apuramento para o Europeu de 1960 (5-1 em cada depois de perderem 2-1 fora) e verificou-se uma vitória para cada lado em particulares, a portuguesa em 1932, a jugoslava em 1984. O desempate fez-se a favor de Portugal nos Jogos Olímpicos de 1928.

 

- Adem Ljajic marcou nas três vitórias da Sérvia em 2015, fazendo sempre o segundo golo da sua equipa nos 4-1 ao Azerbaijão, nos 2-0 à Arménia e nos 2-0 à Albânia.

 

- Fejsa, Eliseu e Nelson Semedo jogam todos no Benfica, mas não são casos únicos de colegas de clube que poderão estar em lados opostos da barricada neste jogo. Tosic e Quaresma são colegas no Besiktas; Cédric, José Fonte e Tadic alinham no Southampton. E se olharmos para o passado haveria ainda mais casos.