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Liga Portuguesa

2016-04-17 20:30

Sport TV 1
Nacional é a besta negra de José Peseiro
2016-04-17

É sempre com um misto de alegria e gratidão que os dirigentes e adeptos do Nacional encaram José Peseiro, o treinador do FC Porto, que levou o clube insular da II Divisão B à I Divisão. O sentimento, porém, não tem sido recíproco. É que o técnico de Coruche perdeu todos os jogos que fez contra o seu antigo clube desde que, em 2003, o trocou por um lugar como adjunto de Carlos Queiroz no Real Madrid. E alguns custaram-lhe bem caro.

Peseiro regressou de Madrid em 2004 para se ocupar do Sporting, o primeiro clube grande que treinou. Nessa época, em que chegou à final da Taça UEFA e fez figura de favorito na luta pelo título até à penúltima jornada (derrota com o Benfica por 1-0), Peseiro perdeu as duas partidas contra o Nacional: 3-2 na Choupana a 16 de Janeiro de 2005 e 4-2 em Alvalade, a 22 de Maio do mesmo ano. Esta última derrota foi difícil de digerir, porque o Sporting vinha de uma semana complicada: perdera o campeonato num fim-de-semana, na Luz (derrota por 1-0 com o Benfica), e a Taça UEFA na quarta-feira (1-3 com o CSKA Moscovo), em Alvalade; de regresso a casa, os leões foram batidos pelo Nacional, na última jornada, e falharam o segundo lugar e o acesso direto à Liga dos Campeões, condicionando desde logo o trabalho de Peseiro na nova época. Em 2005/06, Peseiro ainda dirigiu o Sporting até meados de Outubro. Nesse período, porém, ainda teve tempo para perder uma terceira vez com o Nacional: 2-1 na Choupana, a 19 de Setembro de 2005, no primeiro confronto com Manuel Machado desde uma vitória num Sporting-V. Guimarães da época anterior, em que a vitória leonina (1-0) deixara os leões no topo da tabela, a duas rondas do fim.

Depois de sair do Sporting, Peseiro fez um tirocínio pelo estrangeiro, só voltando a Portugal em 2012, para comandar o Sp. Braga. Defrontou por mais duas vezes o Nacional, perdendo ambas: 3-2 na Choupana, a 12 de Janeiro de 2013, e 3-1 em Braga, a 11 de Maio de 2013. Quer isto dizer que os últimos três confrontos entre José Peseiro e Manuel Machado – o outro treinador a marcar lugar na história recente do Nacional – foram favoráveis ao professor minhoto. Essa é, aliás, uma tendência que Peseiro só conseguiu contrariar no Sporting, quando Machado estava no V. Guimarães. Em 2004/05, o tal ano completo no Sporting, Peseiro ganhou duas vezes a Machado, por 4-2 no Minho e por 1-0 em Alvalade, de certa forma exorcizando o fantasma que lhe restava do ano da subida do Nacional à I Divisão: nessa altura, perdendo por 5-1 com o Moreirense de Manuel Machado na penúltima jornada, o Nacional de Peseiro teve de esperar pelo último dia para poder carimbar o passaporte.

 

Manuel Machado é um dos treinadores mais experientes da Liga e vai para o 31º confronto com o FC Porto. Dos 30 anteriores, quatro foram com o Moreirense (um empate e três derrotas), oito com o V. Guimarães (uma vitória, dois empates e cinco derrotas), dois com a Académica (ambos perdidos), um com o Sp. Braga (mais uma derrota) e 15 com o Nacional (duas vitórias, dois empates e onze derrotas). Ao todo, ganhou quatro vezes, empatou cinco e perdeu 21, entre elas as duas em que esteve mais próximo de levar um troféu para casa, sempre aos comandos do V. Guimarães: perdeu por 6-2 na final da Taça de Portugal de 2010/11 e por 2-1 na Supertaça de 2011/12.

 

O FC Porto perdeu os últimos dois jogos: 0-1 em casa com o Tondela e no terreno do Paços de Ferreira. Esta é já a terceira vez que os dragões perdem dois jogos seguidos esta época, uma com cada treinador que passou pelo banco. Julen Lopetegui perdeu contra o Marítimo (1-3 em casa, na Taça da Liga, em Dezembro) e o Sporting (0-2, em Alvalade, em Janeiro), sendo demitido após o terceiro jogo, o empate em casa com o Rio Ave (1-1). Rui Barros foi batido fora de casa por V. Guimarães (0-1, em Janeiro) e Famalicão (0-1, também em Janeiro, para a Taça da Liga). José Peseiro, que pegou na equipa após as duas derrotas de Barros e ganhou ao Marítimo, por 1-0, tem de novo a responsabilidade de interromper a série.

 

Os dragões já perderam cinco vezes em casa esta época: 1-3 com o Marítimo para a Taça da Liga, 1-2 com o Arouca e 0-1 com o Tondela para a Liga, 0-2 com o Dynamo Kiev para a Champions e 0-1 com o Borussia Dortmund para a Liga Europa. Esta já é a época com mais derrotas em casa desde 2001/02, quando foram batidos no velho Estádio das Antas por Belenenses, Sparta de Praga, Sp. Braga, Beira Mar e Real Madrid. Para se encontrar pior é preciso ir a 1971/72, quando ali ganharam o Benfica, o Nantes, o Atlético, a Académica, o V. Guimarães e o V. Setúbal.

 

Depois de uma fase negra – doze jogos sem ganhar em Dezembro e Janeiro – o Nacional parece ter entrado nos eixos, tendo obtido cinco vitórias nas últimas seis partidas. A única exceção foi a derrota por 2-0 com o Marítimo, no dérbi do Funchal, a 2 de Abril, porque de resto a equipa de Manuel Machado ganhou ao Paços de Ferreira (3-0), ao Boavista (1-0), ao Rio Ave (1-0), ao V. Guimarães (3-2) e ao Estoril (4-1).

 

Brahimi, que não joga por estar suspenso, marcou nas duas últimas vitórias do FC Porto sobre o Nacional. Fez o segundo golo nos 2-0 de Novembro de 2014, no Dragão, repetindo a graça nos 2-1 de Dezembro de 2015, na Choupana. Em Março de 2015 o argelino ficou em branco e o Nacional não foi além de um empate a uma bola no terreno do adversário.

 

Sequeira, o lateral esquerdo do Nacional, pode fazer no Dragão o 50º jogo com a camisola do clube, pelo qual se estreou oficialmente neste mesmo estádio, alinhando a tempo inteiro no empate a uma bola de 23 de Novembro de 2013. Esse foi também o seu jogo de estreia na Liga.

 

O Nacional já ganhou quatro vezes no terreno do FC Porto, três delas a contar para o campeonato: 2-1 (de virada) em Outubro de 1990, 4-0 em Março de 2005 e 3-0 em Maio de 2008. A quarta vitória, que foi a mais recente, aconteceu em Janeiro de 2011, a contar para a Taça da Liga (2-1). Desde esse jogo, o FC Porto soma quatro vitórias e um empate nas receções aos alvinegros do Funchal.

 

Nos últimos 13 anos, sempre que fez golos no Dragão o Nacional conseguiu evitar a derrota. Desde Novembro de 2002 que não lhe acontece marcar ali e perder. Nessa altura, Adriano e Rossato marcaram, o Nacional – que era comandado por José Peseiro – chegou a estar em vantagem sobre o FC Porto de José Mourinho mas saiu derrotado por 5-2.