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FC Bayern Benfica

Liga dos Campeões

2016-04-05 19:45

RTP1
Benfica tenta impedir quinta meia-final do Bayern
2016-04-05

A tarefa que espera o Benfica nos quartos-de-final da Liga dos Campeões é gigantesca. Pela frente, a equipa de Rui Vitória tem uma das mais poderosas formações da Europa, um Bayern Munique que procura atingir a quinta meia-final consecutiva nesta competição. Se o fizerem, os bávaros não atingirão um recorde, mas entram no lote restrito de clubes que já o conseguiram, que para já está limitado a Barcelona e Real Madrid.

O Bayern esteve nas últimas quatro meias-finais da Liga dos Campeões. Em 2010/11, a última época em que lá não chegou, caiu nos oitavos-de-final, eliminado pelo Inter Milão, mas depois foi sempre a aviar: em 2011/12 eliminou o Ol. Marseille nos quartos-de-final, perdendo depois a final nos penaltis para o Chelses; em 2012/13 chegou à meia-final afastando a Juventus, vindo depois a ganhar na final ao Borussia Dortmund; em 2013/14 afastou nesta fase o Manchester United, mas caiu na meia-final face ao Real Madrid; por fim, na época passada, eliminou o FC Porto nos quartos-de-final, caindo depois na eliminatória seguinte ante o Barcelona. Ora o Barcelona é precisamente a equipa com maior número de meias-finais consecutivas na Liga dos Campões – esteve em seis, nunca falhando esta fase entre 2007/08 e 2012/13, sendo na época seguinte afastado nos quartos-de-final pelo Atlético Madrid.

As quatro meias-finais consecutivas do Bayern Munique não são exclusivo europeu na atualidade, nem sequer a melhor série em curso. O Real Madrid lutará pela sexta presença seguida nos últimos quatro clubes a disputar o troféu, depois do falhanço de 2009/10, época em que foi eliminado pelo Lyon, nos oitavos-de-final. A verdade é que, com o alargamento da Liga dos Campeões a mais de um clube por país, ficou mais fácil aos mais fortes das grandes potências chegarem tão longe. Antes do novo formato da Liga dos Campeões, o recorde pertencia ao Inter Milão, que chegou à meia-final por quatro anos seguidos, de 1963/64 a 1966/67. Também a Juventus tem quatro meias-finais consecutivas, mas já com o formato “Champions”, de 1995/96 a 1998/99. Ao Benfica resta sempre o peso da história e de ser o clube português com mais meias-finais consecutivas: três, de 1960/61 a 1962/63, com duas taças para recordar.

 

Ponto a favor do Benfica é a sua corrente série de resultados: ganhou 19 dos últimos 20 jogos, sendo a única exceção a derrota na Luz contra o FC Porto (2-1), a 12 de Fevereiro. E nesses 20 jogos fez sempre golos: a última vez que o seu ataque ficou em branco foi a 15 de Dezembro do ano passado, no empate a zero contra o U. Madeira.

 

Consequência dessa série extraordinária, o Benfica está a atravessar a melhor sequência de jogos fora de casa em toda a sua história. Quando entrar no relvado do Allianz Arena fá-lo-á com o peso de onze vitórias consecutivas fora do seu estádio: 1-0 ao V. Guimarães, 4-1 ao Nacional, 2-1 ao Estoril, 1-0 ao Oriental, 6-1 e 4-1 ao Moreirense, 5-0 ao Belenenses, 3-1 ao Paços de Ferreira, 1-0 ao Sporting, 2-1 ao Zenit e 1-0 ao Boavista.

 

Jonas marcou nas últimas três partidas do Benfica. Bisou nos 4-1 em casa ao Tondela, fez o golo solitário no sucesso no Bessa ante o Boavista (1-0) e voltou a marcar nos 5-1 ao Sp. Braga, na Luz. Naquela que já é a sua melhor época europeia de sempre (já leva 32 golos), o brasileiro fez dois tentos na Liga dos Campeões, ainda assim aquém dos cinco que marcou nesta mesma competição pelo Valencia em 2012/13. Nessa temporada, marcou a todos os adversários europeus do Valencia (Lille, Bate Borisov e Paris Saint Germain) à exceção do Bayern Munique, que defrontou duas vezes, na fase de grupos.

 

Ribery fez no sábado o golo da vitória do Bayern sobre o Eintracht Frankfurt (1-0). Foi o primeiro golo do francês em 2016: não marcava desde 5 de Dezembro, quando regressou de lesão e ajudou à vitória sobre o Borussia M’Gladbach, por 3-1.

 

Quem anda de pé quente é o polaco Lewandowski, que ficou em branco contra o Eintracht mas já leva 36 golos esta época, oito dos quais na Liga dos Campeões, competição na qual marcou em todos os jogos do Bayern em casa: assinou um hat-trick nos 5-0 ao Dynamo Zagreb, marcou uma vez nos 5-1 ao Arsenal, outra nos 4-0 ao Olympiakos e ainda mais uma nos 4-2 (após prolongamento) à Juventus.

 

Esse jogo com a Juventus foi o primeiro em casa na Liga dos Campeões que o Bayern não ganhou em 90 minutos desde 29 de Abril de 2014, quando foi batido em casa pelo Real Madrid, por contundentes 4-0. Depois desse descalabro, a equipa bávara alinhou dez vitórias seguidas no Allianz Arena: 1-0 ao Manchester City, 2-0 à Roma, 3-0 ao CSKA Moscovo, 7-0 ao Shakthar Donetsk, 6-1 ao FC Porto, 3-2 ao Barcelona, 5-0 ao Dynamo Zagreb, 5-1 ao Arsenal, 4-0 ao Olympiakos e 4-2 (o tal, ganho no prolongamento) à Juventus.

 

O Benfica nunca ganhou um jogo ao Bayern Munique, tendo obtido apenas dois empates em seis partidas, ambos na Luz: 0-0 em Março de 1976 e em Outubro de 1981. Empatou, curiosamente, nos dois únicos jogos em que não fez golos, porque sempre que jogaram no velho Estádio Olímpico de Munique os encarnados acabaram por marcar uma vez. Ali perderam por 5-1 em Março de 1976 (o golo de Nené não chegou para os bis de Dürnberger e Müller, aos quais se somou mais um de Karl Heinz Rummenigge), por 4-1 em Novembro de 1981 (mais uma vez Nené a amenizar um hat-trick de Dieter Höness e um golo de Breitner) e outra vez por 4-1 em Novembro de 1995 (golo de Dimas face ao histórico póquer de Klinsmann).

 

Ainda assim, mesmo só tendo ganho duas vezes em 20 visitas à Alemanha, o Benfica pode gabar-se de o ter feito recentemente: bateu o Stuttgart por 2-0 em Fevereiro de 2011 e o Leverkusen por 1-0 em Fevereiro de 2013. O paraguaio Cardozo foi o ponto em comum às duas vitórias em solo alemão, pois marcou em ambos os jogos.

 

Já houve duas equipas portuguesas a conseguirem um resultado positivo em Munique contra o Bayern: o FC Porto empatou, ainda no velho Estádio Olímpico, a um golo, em Março de 1991 (golo de Domingos, a responder a um primeiro, de Bender) e o Sporting levou um 0-0 já do Allianz Arena, em Outubro de 2006. Curiosamente, dragões e leões foram também as equipas submetidas às maiores goleadas do Bayern a equipas portuguesas, nas últimas duas vezes que se deslocaram a Munique: o Sporting encaixou 7-1 em Março de 2009 e o FC Porto 6-1 em Abril do ano passado.

 

O Bayern, de resto, só perdeu duas vezes contra uma equipa portuguesa e essa foi o FC Porto, que se impôs aos bávaros por 2-1 na final da Taça dos Campeões de 1987 (golos de Madjer e Juary, após um primeiro tento de Kögl) e depois por 3-1 nos quartos-de-final da Champions do ano passado (bis de Quaresma e golo de Jackson contra um de Thiago Alcântara). Em 24 jogos contra portugueses, o Bayern cedeu ainda oito empates, a FC Porto (dois), Benfica (dois), V. Setúbal, Boavista, Sp. Braga e Sporting.