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Benfica Moreirense

Liga Portuguesa

2015-08-29 20:45

BTV
Timidez ofensiva deu títulos a Herzcka, Mortimore e Trap
2015-08-28

Rui Vitória tem enfrentado um início de época muito complicado, com duas derrotas nos três primeiros jogos e, mais ainda, sem ter conseguido fazer golos nesses dois desafios que perdeu (1-0 com o Sporting no Algarve e com o Arouca em Aveiro). O último treinador encarnado a quem tinha acontecido isto foi Giovanni Trapattoni, em 2004: começou por vencer o Anderlecht na Luz por 1-0, na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, mas depois perdeu a Supertaça para o FC Porto (0-1) e saiu vergado de Bruxelas por um 3-0 que significou o adeus prematuro à Liga dos Campeões. No final da época, porém, foi campeão nacional. Como o foram os outros dois treinadores a quem aconteceu arranque semelhante na Luz: John Mortimore e Lipo Herzcka. Ora aí está um desafio da história ao treinador ribatejano. Para imitar os antecessores, terá de melhorar muito a equipa.

A reação da equipa de Trapattoni apareceu logo à quarta partida, ganha fora de casa ao Beira Mar por 3-2, mas com algum sobressalto final, pois chegou a estar a vencer por 3-0. A verdade é que, no final da época, o Benfica acabou por ser campeão, mesmo com 12 derrotas em 51 jogos oficiais e terminando 11 desses 51 desafios sem fazer golos (Anderlecht, Stuttgart, U. Leiria, Sp. Braga, CSKA Moscovo, Rio Ave e Penafiel fora de casa; FC Porto em campo neutro e ainda Sp. Braga, FC Porto e Beira Mar na Luz). Nada mau para quem revelava tanta dificuldade para encontrar as redes adversárias.

Na verdade, não é tão incomum assim o Benfica arrancar de forma lenta: na época anterior a essa (2003/04), a equipa de José António Camacho também venceu apenas um dos três primeiros jogos (V. Guimarães em casa, tendo empatado fora com o Boavista e perdido em Roma com a Lazio), mas pelo menos fez golos em dois deles. Para encontrar arranques ofensivamente tão tímidos como o deste ano e o da época de Trapattoni (dois zeros nos primeiros três jogos) é preciso recuar a 1976, ano em que os encarnados eram treinados por John Mortimore. A época oficial começou a 4 de Setembro com uma derrota por 3-0 face ao Sporting, em Alvalade, prosseguiu a 11 do mesmo mês com um empate caseiro frente ao Sp. Braga (2-2) e a 15 com uma derrota em Dresden (0-2), frente ao Dynamo local, em jogo da ronda inaugural da Liga dos Campeões. Nesse ano, o Benfica voltou a marcar ao quarto jogo (1-1 fora de casa com o Estoril, a 19/9), mas só ganhou pela primeira vez ao quinto (1-0 à Académica, que na altura estava travestida como Académico, na Luz). No final da época, porém, foi campeão nacional, com apenas quatro derrotas em 36 jogos (duas vezes com o Sporting em Alvalade, uma com o V. Setúbal no Bonfim e a tal em Dresden).

Antes desse ano, o Benfica só tinha ficado em branco em dois dos primeiros três jogos da época por mais uma vez. E foi, imagine-se, em 1936/37. Nessa altura, a época começava com o campeonato de Lisboa, disputado de Outubro até ao Natal, e os encarnados começaram por empatar a zero com o Casa Pia no Restelo, e por perder nas Amoreiras com o Sporting por claros 5-0. Ao terceiro jogo marcaram os primeiros golos, ganhando ao Belenenses por 3-1. Esse Benfica, dirigido pelo húngaro Lipo Herzcka, ficou em segundo lugar no campeonato regional, mas acabou por ganhar o campeonato da Liga, goleando por 6-0 o FC Porto na última jornada.

 

- O Benfica é, de longe, a equipa mais rematadora da Liga, com uma média de 25 tentativas por jogo. O Moreirense, em contrapartida, é das que menos procura as redes adversárias: só o fz por 13 vezes, a uma média de 6,5 por jogo que só supera a do Tondela (que rematou em 11 ocasiões).

 

- O Moreirense nunca ganhou na Luz, mas já ali empatou duas vezes para a Liga, sempre a um golo. Foi em Fevereiro de 2003 (Simão “cancelou” o golo inaugural, de Agostinho) e em Fevereiro de 2004 (Demétrius empatou depois de Fernando Aguiar ter colocado os encarnados em vantagem).

 

- Das últimas três vezes que se defrontaram para a Liga, Benfica e Moreirense registaram sempre o mesmo resultado (3-1), com a particularidade de os nortenhos terem marcado sempre primeiro. Fê-lo Vinicius na Luz no encerramento do campeonato de 2012/13 (respondeu o Benfica por Cardozo e com um bis de Lima), repetiu-o João Pedro nas duas partidas da época passada (Eliseu, Maxi e Lima responderam pelos encarnados na Luz; Luisão, Eliseu e Jonas fizeram-no em Moreira de Cónegos).

 

- Todos os quatro golos marcados pelo Benfica na atual Liga surgiram nos últimos 17 minutos de jogo. Além disso, todos os quatro golos sofridos pelo Moreirense na Liga apareceram nos derradeiros 23 minutos de jogo. Condimentos para uma ponta final de jogo entusiasmante.

 

- Júlio César estreou-se na Liga portuguesa frente ao Moreirense, lançado por Jesus na vitória por 3-1 na Luz, a 21 de Setembro do ano passado. João Pedro, que trocou o Moreirense pelo Apollon Limassol, de Chipre, foi o primeiro a marcar-lhe um golo. O único que já o fez no atual plantel dos cónegos foi Iuri Medeiros, mas ao serviço do Arouca.

 

- O médio Vítor Gomes, do Moreirense, estreou-se na Liga portuguesa contra o Benfica. Foi lançado por João Eusébio numa derrota do Rio Ave em casa contra os encarnados por 1-0, a 19 de Março de 2006. O mesmo sucedeu com o avançado Luís Carlos, este ano regressado da Polónia, que se estreou num Gil Vicente-Benfica (2-2), a 12 de Agosto de 2011, lançado por Paulo Alves.

 

- O Benfica ganhou todos os jogos que fez na Liga com o árbitro Jorge Ferreira, o último dos quais em Moreira de Cónegos, na ponta final da época passada: 3-1, com cartão vermelho a André Simões a meia hora do final, numa altura em que o Benfica acabara de restabelecer a igualdade a uma bola. Em contrapartida, o Moreirense nunca ganhou na Liga com ele a apitar: em três jogos, o melhor que conseguiu foi um empate a uma bola em Alvalade, contra o Sporting, com expulsão de Cardozo já nos descontos, pouco depois de os leões terem feito o seu golo.