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FC Porto Marítimo

Liga Portuguesa

2016-01-24 20:30

Sport TV 1
Peseiro, a tradição ganhadora e a dificuldade com Vingada
2016-01-24

O FC Porto-Marítimo terá como principal ponto de atração a estreia de José Peseiro no banco dos dragões. Muito já recordaram que foi contra o Marítimo, numa noite de Janeiro de 2002, que José Mourinho comandou pela primeira vez o FC Porto. Só que não foi o único. Também Lopetegui se estreou à frente da equipa contra os verde-rubros madeirenses que foram sempre a sua “besta negra” em Portugal e aos quais poucas vezes ganhou. Certo é que é preciso recuar muito para se ver um treinador abrir a carreira à frente do FC Porto com outro resultado que não a vitória. À atenção de Peseiro: foi Tomislav Ivic, há mais de 20 anos, em 1993.

Primeiro, as boas recordações. José Mourinho dirigiu pela última vez a U. Leiria a 20 de Janeiro de 2002, num empate a uma bola frente ao Santa Clara, nos Açores, deixando a equipa com mais um ponto que o FC Porto, no quarto lugar da tabela. E no dia 26 estava à frente do onze que venceu o Marítimo por 2-1, nas Antas, com um autogolo de Briguel e um segundo de Postiga a valerem mais que um tento de Alan pelos madeirenses. Mourinho dava ali início a um percurso de dois anos e meio que valeram dois títulos de campeão nacional, uma Taça UEFA e uma Taça dos Campeões Europeus. Só que será precipitado dizer que foi o Marítimo – que agora assinala a estreia de José Peseiro – a funcionar como talismã, uma vez que também Julen Lopetegui, que não ganhou nada em ano e meio, abriu o seu percurso oficial a defrontar a equipa do Funchal. Foi a 15 de Agosto de 2014, e o FC Porto até ganhou com mais à-vontade: bateu o Marítimo no Dragão por 2-0, com golos de Ruben Neves e Jackson Martínez.

A vitória na estreia é, de resto, uma constante para os treinadores contratados pelo FC Porto nos últimos anos (excluem-se deste artigo os interinos). Paulo Fonseca, que passou sem grande sucesso pelo Dragão em 2013/14, também ganhou o primeiro jogo, levando logo para casa a Supertaça, fruto dos 3-0 aplicados em Aveiro ao V. Guimarães, com golos de Licá, Jackson Martínez e Lucho González. Antes dele, também Vítor Pereira se estreara a ganhar uma Supertaça ao V. Guimarães: 2-1 em Aveiro, em Agosto de 2011, graças a um bis improvável de Rolando, ao qual respondeu o brasileiro Toscano. A Supertaça, de resto, era nessa altura uma constante para a estreia dos treinadores portistas. André Villas-Boas fez o primeiro jogo como responsável máximo em Agosto de 2010, batendo o Benfica por 2-0 em Aveiro: golos de Rolando e Falcao. E o próprio Jesualdo só não se estreou na Supertaça porque foi contratado muito tarde, já com 2006/07 em curso, para substituir Co Adriaanse, sendo Rui Barros a comandar a equipa nesse jogo de 2006, com o V. Setúbal. Jesualdo estreou-se só uma semana depois, ganhando por 2-1 à U. Leiria (marcaram Adriano e Quaresma para o FC Porto e Sougou para os leirienses).

Um ano antes, o holandês Co Adriaanse tinha-se estreado a liderar o FC Porto a ganhar por 1-0 ao E. Amadora (golo de Ricardo Costa). E nem na confusa época pós-Mourinho, em 2004/05, houve estreias sem vitória. Luigi Del Neri foi contratado e despedido antes do início da época competitiva. Victor Fernández teve a estreia mais usual: a ganhar uma Supertaça ao Benfica. Um golo de Ricardo Quaresma valeu a vitória (1-0) ao FC Porto, em Coimbra. Como o espanhol não chegou ao fim da época, foi contratado José Couceiro, que em Janeiro de 2005 abriu a sua etapa no FC Porto com uma vitória por 2-1 no Estoril – golos de Bosingwa e Quaresma para os dragões e de Felahi para os canarinhos. Antes de Mourinho, em 2001, Otávio Machado estreara-se a golear o Barry Town por 8-0, na fase de qualificação da Liga dos Campeões. E Fernando Santos abriu os três anos de azul e branco com uma vitória por 1-0 frente ao Sp. Braga, na Supertaça de 1998. Aliás, o mesmo score e o mesmo troféu ganho por António Oliveira em 1996, com a diferença que o adversário de Oliveira nessa Supertaça foi o Benfica.

Antes de Oliveira, em Janeiro de 1994, Bobby Robson abrira a fase no FC Poto a ganhar por 2-0 ao Salgueiros, para a Taça de Portugal. E o último a estrear-se sem ser a ganhar foi Tomislav Ivic, que chegou em Agosto de 1993 para suceder a Carlos Alberto Silva e coeçou a perder com o Benfica, na Supertaça, por 1-0. Ivic, no entanto, tinha a seu favor o facto de estar a regressar, depois de uma primeira passagem pelas Antas em que tinha sido campeão nacional e ganho a Taça Intercontinental de 1988.

 

- José Peseiro já abriu o último desafio desta dimensão a ganhar. Quando chegou ao Sporting, em Agosto de 2004, estreou-se a ganhar em casa ao Gil Vicente, por 3-2, graças a um bis de Liedson e a um autogolo de Marcos António, que mais tarde haveria de marcar também na baliza leonina. Fábio fez o segundo dos gilistas. Mais tarde, no Sp. Braga, começou com um empate na Luz frente ao Benfica: 2-2 em Agosto de 2012.

 

- O Marítimo também estreia um treinador, no caso Nelo Vingada, que regressa ao clube doze anos e meio depois de de lá ter saído, em Março de 2003, na sequência de um empate a uma bola, em casa, frente ao Santa Clara. Peseiro era nessa altura treinador do Nacional, pelo que os dois já se conhecem muito bem.

 

- Não deixa de ser curioso que tenha sido Nelo Vingada a “despedir” José Peseiro do Sporting. A 16 de Outubro de 2005, a Académica de Vingada venceu em Alvalade por 1-0 e o resultado foi o suficiente para que os leões decidissem separar-se do treinador, substituindo-o por Paulo Bento.

 

- Desde esse jogo, os dois nunca mais se defrontaram, ainda que tenham andado por caminhos muito semelhantes, pela Ásia. Antes, há uma vitória para cada lado e dois empates a zero. O primeiro confronto foi um Nacional-Marítimo, com Peseiro nos alvi-negros e Vingada nos verde-rubros, e acabou empatado a zero, em Setembro de 2002. Depois disso, em Fevereiro de 2003, o Nacional de Peseiro foi ganhar aos Barreiros por 3-2. E já com Peseiro no Sporting, Vingada manteve em mais dois jogos a inviolabilidade das suas equipas em visita a equipas de Peseiro, empatando a zero com a Académica em Alvalade, em Março de 2005, e ganhando lá por 1-0 ao Sporting em Outubro do mesmo ano.

 

- O FC Porto regressa a casa, depois de quatro jogos em viagem, com duas vitórias sobre o Boavista e derrotas consecutivas frente a V. Guimarães e Famalicão. A equipa portista precisa de ganhar para manter o contacto com os dois primeiros e para evitar acumular pela segunda vez esta época três jogos seguidos sem vitória – já lhe aconteceu no último suspiro de Lopetegui, que perdeu com este mesmo Marítimo (1-3) e com o Sporting (0-2) antes de empatar com o Rio Ave.

 

- Além disso, os dragões não ganharam nenhuma das duas últimas partidas no seu estádio: 1-3 com o Marítimo e 1-1 com o Rio Ave. Desde Dezembro de 2014 que a equipa não passava dois jogos seguidos sem ganhar em casa – na altura 1-1 com o Shakthar e 0-2 com o Benfica. Mas para se encontrarem três partidas seguidas sem vitória caseira há que recuar muito mais. Na verdade, até Fevereiro e Março de 2005, quando o FC Porto empatou com o V. Guimarães (0-0), com o Inter Milão (1-1), com o Benfica (1-1) e perdeu com o Nacional (0-4).