Último Passe 

2015-11-12
Duas coisas que nos provam as esperanças que só ganham

Restam poucas dúvidas acerca do que espera mais uma geração nacional de sub-21 anos. Os 4-0 aplicados à Albânia, somados a idêntico resultado na Grécia, aos 6-1 aos albaneses em Tirana e aos 2-0 contra a Hungria querem dizer simplesmente que só uma surpresa, que só mesmo uma hecatombe inesperada impedirá Portugal de desempenhar papel principal em mais um Europeu da categoria, depois de ter perdido a final de 2015 nos penaltis. Faltam seis jogos da qualificação, mas isso pouco parece importar para a seleção que já não perde há quatro anos. Há duas gerações.

Tudo isto vem recordar-nos duas coisas que muita gente ainda insiste em desvalorizar ou em desvirtuar. A primeira é que ainda se forma bem em Portugal. As carpideiras do reino andam constantemente a dizer que é uma vergonha termos tantos estrangeiros a jogar nos escalões de formação, que os quadros competitivos são ridículos, que os espanhóis é que sabem porque só introduzem a competição nacional mais à frente ou que os ingleses é que sabem porque metem a competição nacional mais cedo, mas quem dá cartas nesta matéria é Portugal. Sim, a grande vantagem competitiva destas seleções tem a ver com a inclusão das equipas B na II Liga, o que foi um golpe de mestre da FPF, mas isso de nada serviria se as bases estivessem erradas. Não estão – e aí o golpe de mestre é dos clubes, que mesmo que o façam por interesses competitivos próprios e se calhar nada saudáveis, resistem sempre aos pedidos para facilitar a vida aos meninos com a limitação de estrangeiros que só iria atrasar a sua entrada num quadro de competição mais exigente. Na verdade, é assim, nesse panorama mais exigente, sem recurso a protecionismos, que eles crescem.

A segunda é que Rui Jorge tem de ver o seu trabalho reconhecido de outra forma. Rui Jorge é um tipo tímido, de “low profile”, que não se põe em bicos de pés – pelo contrário, muitas vezes até se encolhe. E isso se calhar até é bom, porque lhe permitirá andar com um grau de satisfação elevado pelos sub21 enquanto a seleção A estiver entregue a Fernando Santos. Aliás, do que dele conheço, acho que lhe permitirá até desejar que a liderança do engenheiro dure largos anos. Mas como líder destas (para já…) três gerações que não perdem um jogo competitivo para amostra, é impossível não olhar para ele no momento em que se pensar a sério na sucessão. Desde André Almeida, Cédric ou Danilo, todos da equipa que falhou o Europeu de 2013 por um golo, aos atuais Ronny Lopes, Bruno Fernandes, Carlos Mané ou Ruben Vezo, com passagem pelos jogadores da geração intermédia, como Bernardo Silva, William Carvalho, João Mário ou Paulo Oliveira, todos asseguram o futuro da seleção nacional. E é claro que, pelo conhecimento que dele têm ou que ele tem deles, asseguram também o futuro de Rui Jorge como técnico da FPF.