Último Passe 

2015-10-21
A noite em que os detalhes mudaram de cor

A jornada de hoje da Liga dos Campeões prova que é mais fácil a um treinador tirar o golo a um super-craque como Cristiano Ronaldo do que a outro transformar alguns jogadores pouco mais que banais em estrelas de dimensão galática. A derrota do Benfica em Istambul, por 2-1, com o Galatasaray, não adquire dimensão de drama, porque os três pontos conquistados em Madrid na ronda anterior permitem aos encarnados manter uma posição privilegiada, mas a equipa de Rui Vitória ficou a dever a si própria uma excelente oportunidade para deixar as contas do grupo praticamente encerradas. Tê-la-á de novo daqui a 15 dias, na Luz, nessa altura já sem a mesma margem de erro.
A ideia que fica desta equipa do Benfica é a de que há ali material de primeira, mas que os pontos fracos estão à espreita atrás de todas as portas. Em Istambul, depois de um início de sonho, mais uma vez fruto da ligação entre Jonas e Gaitán, as duas maiores estrelas da equipa, os homens que a fazem subir de nível, a equipa do Benfica acumulou erros numa primeira parte em que deixou que o Galatasaray virasse o marcador  e, mesmo melhorando no segundo tempo, foi só graças à boa exibição de Júlio César (a sua terceira estrela) que evitou que o resultado assumisse contornos que podiam deixar sequelas para o derbi de domingo. Rui Vitória teve razão quando destacou que os detalhes ganham e perdem jogos a este nível: e se lhe tinham ganho o desafio de Madrid, perderam-lhe o de Istambul.
O treinador do Benfica tem matéria prima para ir em busca do sonho de construir uma boa equipa. Tem de manter o rumo, a aposta no crescimento da juventude que tem ao dispor (e os 11-1 dos sub-20 na UEFA Youth League deixam-lhe as melhores perspectivas) mas iludem-se os que pensam que já tem essa equipa feita. As grandes equipas levam tempo a construir. Muito mais do que aquele que é preciso para as demolir. Mas isso é conversa para outro dia.