Último Passe 

2015-10-20
Benfica e Sporting: uma guerra sem mãos limpas

O Benfica teve muita sorte na forma como viu a UEFA suspender a pena de um jogo à porta fechada devido às tochas lançadas pelos seus adeptos na direção dos espectadores do Atlético de Madrid, na segunda ronda da Liga dos Campeões, no Vicente Calderon. A opinião não é só minha: manifestaram-na ontem José Ribeiro e Castro e Gaspar Ramos. E se isso não chegar para os radicais, céleres a falar daqueles ex-dirigentes encarnados como oposicionistas, foi também o que presidiu à condenação imediata dos incidentes por parte de Luís Filipe Vieira. Uma condenação que terá sido fulcral na leveza assumida pela pena.

O problema é que falar não basta. A lógica de confrontação existente no futebol nacional de há muitos anos a esta parte, e que neste momento tem o Benfica de um lado e o Sporting do outro, acabará por conduzir a novos problemas, mais cedo ou mais tarde. Do lado do Benfica acusa-se Bruno de Carvalho e o seu discurso hiper-belicista pela escalada do confronto. Com razão. Mas do lado do Sporting acusa-se a estrutura encarnada de fazer o trabalho sujo que permite a Vieira manter a pose de estadista e não se manifestar. E igualmente com razão.

Nesta guerra não há quem tenha as mãos limpas. Há excesso de risco nas sucessivas intervenções de Bruno de Carvalho, muitas delas a roçar a piromania furiosa, e que pelo estilo populista têm tido o suporte da maioria dos sportinguistas. Mas tem havido também silêncio a mais de Luís Filipe Vieira na forma como, por exemplo, o Benfica é há anos convivente com a atuação das suas claques, que nunca se legalizaram no IPDJ mas nunca deixaram de ter apoio do clube, mesmo que ele não seja assumido.

O derbi de domingo até pode acabar sem incidentes. Espero que sim. Mas se assim for, o mérito há-de ser da polícia ou do bom-senso de quem for ao estádio. Porque o que há por aí mais é gente a contribuir para a confusão em nome de outros interesses.