Último Passe 

2015-08-03
O desastre da pré-época do Benfica

Uma das coisas mais complicadas para um treinador que enfrenta um Mundial ou um Europeu é manter o foco de um grupo de jogadores em ambiente que lhes é estranho durante três, quatro, cinco semanas, ainda por cima num sistema de semi-reclusão. E se isso é difícil quando as equipas têm à frente a perspetiva da glória suprema que é vencer um campeonato dessa magnitude, é fácil de compreender que se torna muito mais complicado quando tudo o que está em jogo é um conjunto de jogos de preparação ou de torneios de pré-época, como sucedeu nas últimas semanas com o Benfica de Rui Vitória.
A pré-época do Benfica tem sido desastrosa e nas palavras de Rui Vitória após os 3-0 encaixados frente ao Monterrey, modesto 12º classificado do recente Torneio Clausura do campeonato mexicano, nota-se tanto arrependimento em relação ao plano de trabalho desenhado como preocupação acerca daquilo que a equipa possa vir a render no futuro próximo. O Benfica de Rui Vitória joga menos do que jogava o Benfica de Jorge Jesus, é verdade. A equipa perdeu intensidade, perdeu aquela mudança de velocidade própria de quem estava ligado à corrente de alta voltagem, com isso perdendo também profundidade, mas nem só isso explica os fracos resultados da longuíssima digressão pela América do Norte – quase três semanas longe do seu habitat e sem qualquer pote de ouro no final do arco-íris. E, mesmo tendo alguma razão nos seus argumentos, ao recorrer à explicação da saturação e antever com esperança o regresso ao que chamou o “habitat natural” da equipa, o treinador está a elevar a exigência já para domingo, quando jogar a Supertaça frente ao Sporting.
Luís Filipe Vieira não costuma ser homem para ver as convicções abaladas por resultados em jogos amigáveis nem para se precipitar nas decisões. O arrependimento que mostrou depois de despedir Fernando Santos após a primeira jornada da Liga, em 2007, ainda lhe estará bem vivo na memória. Mas é inegável que se a pressão já era elevada depois da saída de Jorge Jesus, ela ficou ainda maior depois desta pré-época. A Supertaça subiu ainda mais de cotação na Luz.