Último Passe 

2015-10-11
Vitória na Sérvia mostra profundidade e resultadismo

A vitória de Portugal na Sérvia (2-1), a sétima consecutiva da seleção nacional em partidas de competição (um recorde em quase 100 anos de história) e a primeira de sempre em Belgrado, permitiu a Fernando Santos manter o registo 100 por cento bem-sucedido aos comandos da equipa e veio provar duas coisas. Que Portugal tem um grupo com a profundidade necessária para encarar o futuro com otimismo e, sobretudo, que nada se sobrepõe ao resultadismo desta seleção. É que mesmo em jogos onde não está bem, como foi o caso de hoje no Partizan Stadion, Portugal acaba por ganhar. E isso é fundamental.

Fernando Santos correu um grande risco ao abdicar de várias primeiras escolhas. Pepe e Coentrão ficaram em casa lesionados, Ricardo Carvalho, Ronaldo e Tiago foram dispensados da viagem até ao frio e à chuva de Belgrado, William Carvalho está a regressar de lesão e não foi convocado, enquanto que Cédric, Moutinho e Bernardo Silva começaram a partida no banco. No decorrer do jogo, Santos ainda abdicou de Danny e Bruno Alves, deixando em campo uma equipa onde só Patrício, Nani e o suplente utilizado Moutinho tinham colado a eles o rótulo de habituais titulares. A exibição não foi muito boa, Portugal esteve durante grande parte do jogo à mercê de uma Sérvia interessada em deixar uma declaração acerca da injustiça que foi o seu afastamento administrativo do lote de equipas que lutou até ao fim pela qualificação, mas chegou para ganhar por 2-1, com dois golos contra a corrente do jogo.

O início desconcentrado de Portugal foi premiado com um golo a frio, numa desatenção da Sérvia num momento de contra-transição, no qual, no entanto, se percebeu que a equipa nacional trazia a lição bem estudada. Danny trabalhou bem entre os centrais, não bateu Stojkovic com o remate que fez mas o ressalto encontrou Nani, que abriu o marcador. O golo abalou a Sérvia e permitiu que se visse o melhor de Portugal durante uns 20, 25 minutos. Avançados criativos, defesas seguros e médios ativos na pressão e na capacidade de ganhar segundas bolas entre as linhas do adversário. À medida que o jogo foi avançando, porém, a Sérvia foi empurrando Portugal para trás e, quando empatou, já o merecia amplamente. Fernando Santos reagiu com a entrada de Moutinho e foi aí, quando parecia que o jogo balançava entre o empate e um eventual segundo golo sérvio, que veio à tona o resultadismo português: Eliseu ganhou uma bola na esquerda, descobriu Moutinho e este, à entrada da área, encontrou o buraco junto ao poste mais distante da baliza de Stojkovic, metendo-lhe a bola em arco nas redes.

Moutinho fez em quatro dias tantos golos como tinha feito em quase dez anos de seleção (dois) e mostrou que continua a ser fundamental para esta equipa, pela forma como a uniu e a levou para longe da sua área. Portugal terá perdido a oportunidade de trabalhar mais uma vez a compatibilidade da equipa com as armas ofensivas de Ronaldo mas deu pelo menos provas da tal maturidade emocional que Fernando Santos lhe reclamava. A rever na fase final do Europeu, quando aparecer a oitava partida competitiva da seleção de Fernando Santos. Na qual entrará necessariamente em busca da oitava vitória.