Último Passe 

2015-10-11
Maturidade emocional em jogo na visita à Sérvia

Fernando Santos só se entusiasmou uma vez na conferência de imprensa que antecedeu o último jogo de qualificação de Portugal rumo ao Europeu de 2016. Foi quando alguém lhe sugeriu que na visita à Sérvia, feita com apuramento e primeiro lugar garantidos, já não estaria nada em jogo. “Está em jogo o mais importante, que é o nome de Portugal”, atalhou o técnico nacional, a quem só faltou o tradicional “ainda-bem-que-me-faz-essa-pergunta” antes de dar o sermão que certamente seria o seu objetivo do dia: “Estão em jogo a hipótese de conseguirmos a sétima vitória consecutiva e pontos no ranking da FIFA”, disse ainda. Fazendo a leitura das palavras do selecionador, o que está em jogo é ainda outra coisa: a maturidade emocional da equipa.

Em talento, a Sérvia, último adversário da equipa nacional, é a única seleção do grupo que pode bater-se com a portuguesa. Não está a lutar pela qualificação por duas razões: os incidentes na receção à Albânia, que lhe custaram seis pontos (os três que deixaram de ganhar e os três que lhes foram subtraídos), e as deficiências organizacionais quando se trata de formar uma equipa, que lhe custaram outros seis, fruto de duas derrotas contra a Dinamarca, uma equipa que é o seu inverso, com muita organização e pouco talento. Chegar à Sérvia com o primeiro lugar no bolso e dispensar quatro titulares absolutos – Ronaldo, Tiago, Ricardo Carvalho e Coentrão – é o suficiente para deixar os nervos do anfitrião em ebulição. Se o orgulho sérvio já poderia ver o jogo contra o vencedor do grupo como uma forma de provar que merecia mais, o facto de esse mesmo vencedor do grupo vir com o plantel desfalcado pode até ser visto como despeito e levar ainda mais à exaltação do poderio nacional.

Foi contra isso que Fernando Santos se bateu. Naquela resposta em particular, não estava a falar para os jornalistas ou para os leitores, ouvintes e telespectadores a quem eles servem de intermediários. Naquela resposta, Fernando Santos estava a falar aos seus jogadores e a dizer-lhes que terão de dar mostras que são os melhores do grupo, exibindo um claro upgrade ao talento que tem a Sérvia e à organização que mostraram Dinamarca e Albânia. Mas estava ainda a falar aos sérvios, tentando de certa forma arrefecer o vulcão que a ausência de Ronaldo neles possa ter provocado. Mais logo se verá se o conseguiu.