Último Passe 

2015-10-10
Dispensa de Ronaldo é uma oportunidade perdida

As dispensas de Ronaldo, Tiago e Ricardo Carvalho da viagem à Sérvia, às quais se soma a ausência de Coentrão, por lesão, podem ser vistas de muitas formas. Os mais condescendentes acharão que é justo, que há jogadores mais veteranos ou massacrados pela competição e que por isso mesmo, com o apuramento no bolso, Fernando Santos pode dispensá-los deste jogo e ver alternativas em funcionamento. Os mais críticos dirão que é uma vergonha, que se estão em condições têm é de ajudar a equipa, porque na seleção não pode haver filhos e enteados. Eu digo só uma coisa: é uma oportunidade perdida.

Percebo a razão dos dois grupos, o dos que veem o copo sempre meio cheio e o dos que olham para ele sem conseguir perceber outra coisa a não ser que está meio vazio. Por um lado, há que fazer a gestão do grupo, dar minutos de competição a jogadores menos utilizados e permitir o repouso aos que estiverem mais fatigados – e para isso ninguém como a equipa técnica saberá quem precisa de jogar e quem precisa de repousar. Mas por outro, o jogo de domingo, em Belgrado, apresenta vários pontos de interesse: pode dar uma sétima vitória consecutiva que seria inédita em toda a história da seleção nacional; pode garantir pontos no ranking da FIFA e um importantíssimo lugar de cabeça de série na fase final do Europeu. Além de que visitar a Sérvia e prescindir voluntariamente de três jogadores que foram titulares sempre que estiveram disponíveis pode ser visto como uma falta de respeito pelo adversário.

Francamente, sou sensível a todos estes argumentos. Aos positivos e aos negativos. Mas aquilo que mais me preocupa é que, mais ainda se acreditarmos no objetivo que Fernando Santos teima em apresentar como seu – o de ser campeão europeu – o caminho não está finalizado. Está a menos de meio. E para lá chegar será necessário aperfeiçoar a equipa que vai competir na fase final, algo que nunca se fará tão bem como em competição. A equipa está afinada até ao mais ínfimo detalhe? Claro que não está. Sim, ganhou os últimos seis jogos de competição, mas ainda não encontrou a forma de jogar com Ronaldo. Aquilo que se viu nos últimos dois jogos, com o CR7 abandonado aos centrais adversários, a jogar muito de frente para a equipa e de costas para a baliza, pode até agradar aos tais observadores que veem sempre o copo meio vazio, pois conseguem rejubilar ao ver a estrela anular-se em prol da equipa, mas não me agrada a mim.

Jogar com Ronaldo ali é como ir para um engarrafamento de Ferrari. É desistir de aproveitar as armas que fazem dele o melhor goleador do Mundo. Não é fácil encontrar a fórmula certa e, dentro dela, o jogador certo para libertar Ronaldo sem desequilibrar a equipa. Mas de uma coisa tenho a certeza: se alguma vez Fernando Santos a encontrar não será com o capitão a celebrar o apuramento em Marraquexe.