Último Passe 

2015-10-01
Sporting mantém-se vivo na reinvenção do futebol à Jesus

O empate do Sporting em Istambul com o Besiktas (1-1) não foi um resultado mau de todo, mas acabou por ser muito pior do que aquele que poderia ter obtido uma equipa leonina que vem repetindo jogos de mais a menos e que cada vez faz mais pensar nas implicações da reinvenção daquilo a que poderia chamar-se “estilo Jesus”. Mantendo a distância de três pontos para o Besiktas, que ainda vão receber no seu estádio, e numa altura em que encaram a jornada dupla com os albaneses do Skenderbeu, a equipa mais fraca do grupo, os leões só têm de pensar que, suceda o que suceder nos desafios entre os turcos e o Lokomotiv, duas vitórias na terceira e quarta jornadas provavelmente os colocarão em lugar de apuramento com duas jornadas por disputar.

Resta saber se o desinvestimento que Jorge Jesus tem vindo a fazer na Liga Europa, poupando jogadores importantes, permitirá a obtenção dessas vitórias fundamentais para as aspirações do leão europeu. “Mas isso nem é novidade”, argumentarão os que conhecem o histórico de Jesus no que toca a rotatividade em jogos europeus face à ausência do onze de Jefferson, Adrien ou Slimani, além do lesionado Paulo Oliveira. E não é, de facto. A única novidade quando se compara este Sporting com equipas de Jesus tem sido a baixíssima intensidade com que este Sporting está a jogar as segundas partes. Em Istambul, mais uma vez, o Sporting teve ocasiões mais do que suficientes para resolver a partida – tarde muito desastrada de Téo Gutiérrez, que perdeu três golos cantados – e acabou com o credo na boca para segurar o empate que lhe permitiu manter-se vivo.

Na segunda parte, o que se viu foi uma equipa desligada, a jogar devagar, com espaços enormes entre linhas a facilitar o ataque turco à área de Rui Patrício e perdas de bola no início da fase de construção quase sempre não provocadas por um Besiktas que parece perfeitamente ao alcance dos leões. Não ajudou, nessa altura, ter em campo jogadores que até são taticamente cultos e rápidos a pensar mas lentos nas movimentações, como Ruiz ou Aquilani. Mas é aí que aquilo que tem sido o processo de construção deste Sporting de Jesus leva a pensar que o treinador está a reinventar o seu estilo – e não é só por de repente ter começado a lançar miúdos da formação. Se a substituição do futebol vertiginoso que jogava o Benfica por um jogo muito mais contemporizado tem a ver com a presença de Aquilani e Ruiz entre as opções, ainda se percebe: com eles não dá para se jogar a 200 à hora. Mas quando a velocidade e o sentido de baliza que Carlos Mané voltou a mostrar em Istambul é constantemente ignorada, já permite que se desconfie que a ideia seja programática.