Último Passe 

2015-08-02
José Mourinho, a medalha e os hábitos

O facto de José Mourinho ter atirado a medalha de vencido na Supertaça inglesa para a bancada foi apenas uma excentricidade, que nem sequer é inédita na carreira do treinador português do Chelsea. Mourinho não o fez com mau perder, foi até simpático no gesto para com o jovem adepto do Arsenal e embora pareça evidente que estava a esnobar a competição pelo facto de a ter perdido, o ato acaba por ser tão sintomático como a explicação que Cech deu aos seus agora colegas de equipa acerca do lado para onde tinham de virar o troféu na foto oficial, para ele brilhar com a luz do sol. É que uns estão habituados a ganhar e outros não. Mourinho e Cech têm esse hábito; os rapazes do Arsenal nem por isso.
Jorge Jesus também é um homem de hábitos – ou não tivesse ele quase sido traído por um lapsus linguae que o ia levando a elogiar a massa associativa do Benfica no final da vitória do Sporting no Troféu Cinco Violinos. E o hábito dele nos últimos anos tem sido liderar a equipa do Benfica, que na mesma conferência de imprensa disse já jogar de olhos fechados, fruto de seis anos de trabalho. Houve quem visse nessa frase de Jesus uma tentativa de passar a ideia de que ele ganharia sempre, porque na Supertaça portuguesa ou vence o Benfica que Jesus trabalhou durante seis anos ou o Sporting que ele trabalha agora. Mas até Jesus sabe bem que não é assim. No domingo, no Algarve, ele só ganha se conseguir derrotar a máquina que ajudou a montar, mas que entretanto já tem coisas de Rui Vitória, o seu sucessor. E, por muita coisa que tenha ganho nos últimos anos, se não o conseguir nem vale a pena pensar em deitar fora a medalha. Ia cheirar a déjà vu.