Último Passe 

Crédito: Facebook Sporting
2018-11-25
Primeiro Sporting de Keizer ainda está perro

A primeira aparição do Sporting de Marcel Keizer não foi brilhante – muito longe disso – mas deu para ver aquilo que o treinador holandês quer da equipa. Um futebol de matriz-Ajax, assente no dogma do 4x3x3, na construção elaborada desde trás e na colocação de boa parte dos seus elementos em zonas avançadas do terreno, mesmo quando em ação defensiva. As dificuldades que os leões tiveram durante uma hora para se superiorizarem ao modesto Lusitano de Vildemoinhos tiveram muito a ver com esta transformação e com o tempo que ela vai levar a ser assimilada por um plantel habituado a jogar de outra forma. Numa Liga tão renhida como está a ser esta, o risco que Keizer corre é o de perder o presente para tentar ganhar o futuro.

Os defeitos a apresentar ao Sporting no jogo de Viseu foram simples. Lentidão a circular a bola, própria de quem começou agora a treinar uma nova forma de o fazer, de quem trocou as verticalizações mais súbitas por um jogo mais apoiado, e que portanto não sente a segurança necessária para acelerar, e erros posicionais ou de intensidade da primeira linha de pressão, deixando as linhas recuadas mais expostas às transições ofensivas rápidas do adversário. Pode dizer-se que a estrutura não apresentou grandes diferenças, introduzindo Bruno Fernandes mais cedo no jogo para abrir vaga a Wendel como segundo avançado (e terceiro médio), restando perceber se foi o ritmo mais baixo do brasileiro a influenciar o jogo coletivo ou se ele foi vítima de uma equipa toda ela mais insegura na construção e, depois, na entrada em zonas de criação. A verdade é que durante uma hora o Sporting foi tendo quase sempre a bola mas poucas vezes a usava para desequilibrar um Lusitano bem organizado em 4x1x4x1 e sempre capaz de ocupar bem os espaços.

E a questão é que se o Sporting não usava os cerca de 70 por cento de posse que tinha para criar situações de perigo, o adversário ainda ia tendo atrevimento e capacidade para ir com perigo até à área leonina, muitas vezes beneficiando do adiantamento geral do favorito. Já se sabe que a escola holandesa manda defender alto, para diminuir o espaço que há a fazer entre o momento da recuperação e a chegada à área adversária, mas o que se viu foi um Sporting pouco agressivo em transição defensiva e, depois, vulnerável sempre que o adversário esticava o jogo, com os centrais ora muito abertos ora fixos no espaço interior, com avenidas abertas nas alas por via da projeção dos dois defesas-laterais em simultâneo.

É todo um novo jogar que pode fazer do Sporting uma equipa mais atrativa, mas que por enquanto apenas o transforma num coletivo mais inseguro e até um pouco incoerente. Keizer precisa de tempo. Resta perceber se o decurso normal da Liga lho dará.