Último Passe 

Crédito: Facebook Seleções de Portugal
2018-11-16
A resposta que falta acerca de Ronaldo e da seleção

Pode muito bem ter sido apenas para pôr termo ao assunto, do qual está farto de falar, mas a forma como Fernando Santos se referiu hoje à ausência de Cristiano Ronaldo na lista de jogadores que amanhã vão lutar por deixar já sentenciada a presença portuguesa na fase final da Liga das Nações foi diferente do que vinha sendo o discurso oficial desde a saída do Campeonato do Mundo. Se até aqui o que se ouvia era quase sempre um adiamento para uma próxima vez da chamada daquele a que o selecionador nacional se refere sempre como “o melhor jogador do Mundo”, agora Santos foi mais seco e evasivo e, questionado por uma jornalista italiana acerca da hipótese do CR7 vir a dar o contributo à equipa a partir de Março, nas eliminatórias do Europeu de 2020, limitou-se a afirmar: “nessa altura veremos”.
No mês de Outubro, quando rebentou o caso da acusações de violação a Ronaldo, Santos dissera que o jogador continuava “focado em jogar pelo seu país” e assegurara que não via “nada contra”. Antes, quando a ausência de Ronaldo na primeira chamada pós-Mundial veio surpreender meio mundo, o treinador também tinha sido mais afirmativo acerca de um regresso do capitão: “Por causa de tudo aquilo que é o processo de adaptação [à Juventus], entendemos que nesta janela não faria sentido que ele estivesse connosco”, justificou, dando a entender que assim que a adaptação estivesse completará o capitão iria voltar. Tudo bem diferente do que disse hoje e o suficiente para que seja importante que se fale com clareza deste assunto. Não em termos futebolísticos – porque nesse âmbito os resultados têm sido sempre excelentes e o selecionador também tem dito que nenhuma equipa pode ser melhor sem o melhor jogador do Mundo – mas em termos daquilo que vai ser o futuro próximo da equipa nacional e a ligação ao seu capitão.
Se ideia da adaptação a Turim era complicada de defender – houve mais gente a mudar de clube e de país –, a tese da renovação de um grupo envelhecido também não não é a mais certa para acabar com as perguntas, sempre repetidas a cada vez que Portugal prepara um jogo, porque neste grupo têm continuado jogadores como Pepe e a ele regressou agora José Fonte, por exemplo. Fernando Santos tem todo o direito do Mundo a chamar quem quiser, mais ainda se for ganhando jogos, como vem sendo o caso. Mas quando quem fica de fora é aquele a quem chama de forma reiterado o “melhor do Mundo”, o jogador que é a cabeça de cartaz do campeonato do país onde a seleção vem jogar, não poderá estranhar que lhe perguntem pelas razões da sua ausência. Pelo menos enquanto não a explicar de forma a que todos a entendamos e ninguém responder, preto no branco, a duas coisas muito simples. Voltará Ronaldo a jogar pela seleção? E a que se deveu a sua ausência nos jogos da Liga das Nações?