Último Passe 

Crédito: Facebook FC Porto
2018-11-11
Candidaturas entregues em jogo cheio de tática

O FC Porto-SC Braga foi um dos melhores jogos do campeonato, porque teve ritmo, dois adversários que souberam merecer-se um ao outro e sucessivas nuances táticas, a deixar a certeza de que a intervenção de um treinador não se limita ao trabalho durante a semana ou à palestra motivacional antes dos encontros. Partindo de uma base que me pareceu errada, Sérgio Conceição teve a arte de dar a volta ao jogo com mexidas oportunas e inteligentes. Ganhou, isolou-se, bateu com a mão no peito à campeão, mas do jogo saiu mais uma certeza: há que contar com o SC Braga na luta pelo título.
Já aqui tinha escrito que para defrontar o SC Braga convinha ao FC Porto recuperar os três médios. Conceição achou o contrário e levou a jogo a versão vertiginosa do dragão, com Corona e Brahimi nas faixas laterais, Soares e Marega na frente e deixando o meio-campo entregue ao labor de Danilo e Óliver. Abel tinha dois médios mais posicionais na zona central em Fransérgio e Claudemir e contava ainda com as movimentações de Paulinho – mais lesto na aproximação ao meio-campo do que qualquer dos avançados portistas – e de Ricardo Horta – que saía muito da esquerda em busca do espaço interior de modo a abrir caminho ao lateral Sequeira. O resultado foi que após um início naturalmente fulgurante do FC Porto, o SC Braga foi ganhando algum ascendente e pôs-se mesmo por cima do jogo após o intervalo. Prova de candidatura aceite, portanto.
Sérgio Conceição tinha um problema. Para ganhar tinha de equilibrar a equipa com mais um médio. Mas se o fizesse arriscava-se a enviar uma mensagem errada para dentro do campo e até para as bancadas. Como reagiria a equipa – e os adeptos – se a empatar a zero com o SC Braga em casa o treinador do FC Porto trocasse um avançado por um médio? Conceição teve então de dar um passo atrás para dar dois à frente. Começou por dar uma ideia de querer puxar a equipa para a frente, trocando um lateral (Maxi) por um médio (Otávio) e mandando baixar Corona para o quarteto defensivo. Era uma troca de cariz atacante mas tinha a vantagem de deixar a equipa mais próxima do 4x3x3, pois Otávio também procurava mais o corredor central do que o fazia antes Corona. Sérgio Conceição estava a preparar terreno para a entrada de Herrera, que apareceu pouco depois em vez de Brahimi – o FC Porto passou a ter Danilo, Óliver e Herrera no meio, Marega de um lado e Otávio do outro e tomou conta do meio-campo e do desafio. Abel sentiu que tinha de responder e chamou ao jogo Palhinha para trancar o corredor central mas aí, já com o jogo de feição e a dinâmica do meio-campo bracarense afetada (a saída de Paulinho exigia um jogador capaz de ligar o meio-campo e o ataque, algo que Fransérgio nunca conseguiu ser), Conceição pôde voltar a explorar as alas, com a entrada de Hernâni.
Foi dali, do corredor direito, onde estavam Hernâni e Corona, que Otávio sacou um cruzamento extraordinário para a cabeça de Soares garantir o golo da vitória. Mais do que discutir agora se foi justo ou injusto importa lembrar que foi um grande jogo entre duas equipas que vão estar lá na luta por uma Liga que promete ser a mais discutida dos últimos anos. Basta ver que nos quatro jogos entre potenciais candidatos só num (o Benfica-Sporting, que acabou empatado a um golo) não mandou o fator casa. De resto, sempre por 1-0, o SC Braga ganhou ao Sporting, o Benfica bateu o FC Porto e agora o FC Porto impôs-se ao SC Braga. E se Benfica e Sporting vencerem hoje, ao fim de dez jogos teremos os quatro candidatos separados por quatro pontos no topo da tabela. Prometedor!