Último Passe 

2015-09-22
Solidário ou responsável no caso Carrillo

Toda a gente viu nas declarações de Jorge Jesus, a dizer que está “100 por cento ao lado do presidente” nas decisões que este toma na defesa dos interesses do Sporting, uma manifestação de sintonia total entre ele e Bruno de Carvalho. É verdade. Mas aquelas declarações, na verdade, nem seriam necessárias porque, conforme disse entretanto o ex-candidato à presidência dos leões José Dias Ferreira “quem manda é o presidente, não é o treinador”. E como diz o ditado, “manda quem pode, obedece quem deve”.

As declarações de Jorge Jesus acerca do caso Carrillo têm, assim, outro alcance. Por outras palavras, o que Jesus disse foi: não fui eu que afastei Carrillo. Fosse o treinador outro e já aqui se encontrariam motivos mais do que suficientes para se especular acerca de uma alegada falta de solidariedade do treinador para com os interesses do clube, de um “sacudir água do capote” próprio de quem não quer assumir esses mesmos interesses superiores.

A verdade é que uma coisa é ser solidário e outra é ser responsável. No caso Carrillo, ao ser solidário, Jesus está a dizer que não é responsável. E que a responsabilidade tem de ser assumida por outros – os que mandam. E a verdade, também, é que estando eu convencido de que o Sporting não ganha nada com o afastamento de Carrillo, tenho a certeza absoluta de que com o que não ganha mesmo é com o eternizar deste caso no espectro mediático. De onde ele só vai sair quando tudo for claro.

É por isso que, depois de Jorge Jesus ter sido claro ao dizer que é solidário – e por inerência não é responsável – alguém devia clarificar a situação. Porque as perguntas não vão desaparecer. E porque enquanto não houver respostas o “ponto final” que o treinador quis colocar na polémica vai sempre soar a reticências.