Último Passe 

2015-09-21
Mané e Montero eclipsam Carrillo e pedem minutos

Um golo de Montero, após jogada de Carlos Mané, pôs termo à resistência heroica de um Nacional a jogar com dez homens desde a meia-hora e deu ao Sporting a primeira vitória em casa nesta Liga e a possibilidade de se colar ao FC Porto na liderança da tabela, quatro pontos à frente do Benfica. Foi, simultaneamente, a primeira vitória dos leões desde a eclosão do caso-Carrillo, o extremo peruano que vinha sendo a maior arma ofensiva da equipa e que ontem viu a partida num camarote por não ter aceite renovar contrato. E do jogo veio uma chamada de atenção para Jorge Jesus: Montero e Mané pedem mais minutos em campo. Mais ainda se Carrillo não voltar.

O primeiro zero na baliza de Rui Patrício nesta Liga teve a ver com o facto de a equipa de Manuel Machado se ter visto privada de um homem ainda na primeira parte, por expulsão de Sequeira, o que lhe reduziu o potencial de ataque, mas também com a diminuição da vertigem atacante do Sporting no jogo. Continuam os movimentos dos alas em sentido contrário à linha do fora-de-jogo, na busca do espaço nas costas das defesas adversárias, vê-se ainda a enorme projeção ofensiva dos dois laterais, mas o Sporting que enfrentou o Nacional parecia ter acusado o 1-3 contra o Lokomotiv e por isso mesmo temer desequilibrar-se. Tudo somado ao facto de o Nacional ter encostado as duas linhas defensivas mais do que o normal – reduzindo assim o espaço entre elas – resultou num futebol ofensivo muitas vezes inconsequente dos leões, que giravam a bola, cruzavam, mas não conseguiam ocasiões claras de golo.

E é aqui que entram Montero e Mané. Gelson é a grande coqueluche dos adeptos leoninos, mas o seu futebol mais feito de drible, procura de linha de fundo e cruzamento não me parece neste momento mais indicado para a equipa que o jogo de Mané, mais prático e com mais golo nas botas. Teo Gutièrrez foi uma das aquisições mais sonantes desta época, mas continua a parecer um pouco perdido em campo em vez de ocupar os espaços que o jogo vai pedindo, como faz Montero. Por alguma razão, os dois golos que o Sporting fez nos últimos dois jogos nasceram de penetrações de Mané, a que se seguiram finalizações irrepreensíveis de Montero.

Ontem, foi graças a eles que o Sporting ganhou e evitou um problema maior para o presidente, que teria maior dificuldade em convencer os sportinguistas não brunistas de que a decisão de afastar Carrillo da equipa não se destina apenas a salvar a própria face no infeliz epílogo de um caso que há muito devia estar resolvido. E foi graças a eles também que Jesus pôde manter a tranquilidade no final da partida, quando teve de justificar a decisão de manter Carrillo de fora.