Último Passe 

Crédito: Facebook/FC Porto
2017-07-06
Sérgio Conceição e um FC Porto "boom-boom"

Um dos grandes atrativos desta pré-época vai ser ver o FC Porto de Sérgio Conceição. Um FC Porto “boom-boom”. Não só o treinador é um tipo explosivo, em termos de personalidade e liderança, como o futebol das suas equipas costuma ser muito baseado na capacidade de explorar as transições ofensivas. E o plantel vai reforçar-se com elementos capazes de servir este modelo. A dúvida que se coloca é a mesma que deve assaltar neste momento a cabeça do treinador: é possível montar uma equipa candidata ao título em Portugal assente nestes princípios, provavelmente mais dados à competição internacional? A pré-época vai certamente dar-nos pistas a este respeito, mas a ideia com que parto é a de que Conceição ganharia muito, por exemplo, em convencer Abobuakar a regressar. Mesmo depois de todos os desencontros que clube e jogador já protagonizaram.

As equipas de Conceição costumam ser um pouco montadas à imagem do que era o Conceição jogador: velozes, explosivas, genuínas, mas não controladoras ou dominadoras. Já em Braga, por exemplo, ficaram dúvidas acerca da viabilidade de uma equipa que quer estar ao nível dos três grandes jogar este futebol baseado sobretudo em transições ofensivas. O jogo mais visível de Sérgio Conceição como treinador em Portugal – a final da Taça de Portugal, contra o Sporting, em 2015 – terá deixado a nu o problema: a ganhar por 2-0 e com um jogador a mais, por expulsão de Cédric, desde meio da primeira parte, o SC Braga decidiu controlar e deu-se mal, acabando por ceder o empate e perder nos penaltis. A separação de António Salvador teve mais a ver com aspetos de personalidade – a tal explosão sincera e genuína que é tão comum em Sérgio Conceição – mas a questão meramente futebolística merece ser debatida agora que o treinador chega a um grande.

À partida, seria fácil associar o futebol típico de Conceição a um futebol de equipa pequena. Não tem de ser assim. E a diferença está precisamente na capacidade de explosão – daí falar aqui em FC Porto “boom-boom”. Ao contrário de Lopetegui, cuja equipa usava e abusava da posse, Nuno Espírito Santo, por exemplo, é um treinador da escola de Jesualdo Ferreira, um treinador que dá particular atenção às transições ofensivas e que gosta do ataque rápido. E o sucesso, aí, depende de quê? De médios inteligentes, capazes de definir bem o que fazer naqueles cinco segundos após a recuperação da bola (o momento de transição), e de atacantes capazes de explorar o espaço. Qual é o maior problema? É o que resulta do paradoxo-Depoitre: há equipas que, contra os grandes, se expõem tão pouco que obrigam a um jogo quase sempre em ataque organizado. Foi para isso que Nuno Espírito Santo quis Depoitre e foi com o falhanço do belga que o FC Porto anterior se espalhou. Ora a diferença entre esse FC Porto e o de hoje pode estar precisamente na capacidade de meter dinamite na frente.

Para dinamitar o jogo portista, ficam Corona (veloz e repentista), Soares (bem na profundidade) e Danilo (bem a queimar linhas em posse), acrescentam-se Marega (explosivo), Hernâni (veloz e repentista) e Ricardo Pereira (explosivo, sobretudo se a jogar desde posições mais recuadas). E há ainda a possibilidade de também reaparecer Aboubakar (explosivo e combativo), que encaixaria que nem uma luva neste novo FC Porto. Ainda que para tal tivessem de o convencer de que o paradigma mudou e de que, ao contrário do que sucedia com Lopetegui, esta equipa lhe serve as caraterísticas. Era ainda preciso passar uma esponja sobre uma série de coisas que se disseram, de um lado e do outro. Mas isso é uma especialidade do futebol.