Último Passe 

2015-09-19
Ideias de Lopetegui e Vitória para o clássico

O FC Porto-Benfica apresenta uma série de aliciantes que vão muito para além de saber quem está mais forte e mais bem colocado para ganhar (o que corre sérios riscos de contraditório no confronto com a verdade) ou de antecipar, pressionando, como correrá a noite ao árbitro. A mim, nenhum debate me interessa tanto como o de perceber os onzes que os dois técnicos irão apresentar.
De um lado, Julen Lopetegui tem mostrado duas facetas do FC Porto, consoante lhe apetece privilegiar a segurança ou optar pelos desequilíbrios. Tendo em conta o grau de dificuldade do jogo, a versão adotada no início do jogo de Kiev e no final do desafio em Arouca (quando já estava na frente no marcador) parece a mais provável na cabeça do treinador espanhol, pelo que a inclusão de André André no papel duplo de quarto médio e terceiro avançado me parece aposta segura. O ex-Vitória de Guimarães sabe escolher bem os momentos em que tem de abrir no corredor ou aparecer frente à área e depois, após a perda de bola, é capaz de pressionar mas também de baixar para compor a segunda linha defensiva, pelo que me parece evidente que surgirá no onze com Brahimi e Aboubakar. Resta definir quem estará no meio-campo, onde tenho duas apostas firmes em Danilo e Imbula. Se o terceiro homem será Ruben Neves ou Herrera já tenho mais dúvidas, embora me incline para o jovem português.
Quanto ao Benfica, Rui Vitória não tem margem para sentar Jonas, que tem estado a par de Gaitán na influência no jogo ofensivo da equipa, mas também já viu, na Supertaça, contra o Sporting, que o brasileiro não rende isolado na frente. Parece-me seguro que Jonas terá a companhia de Mitroglou ou até de Jimenez, jogador mais móvel e mais capaz de defender que o grego. Só que aí Vitória é bem capaz de compensar a presença de dois avançados com uma opção mais conservadora atrás. Creio que Fejsa aparecerá ao lado de Samaris, deixando a Gaitán o corredor esquerdo. E não tenho certeza de que o médio direito seja o jovem Gonçalo Guedes, ainda que ele tenha estado bem nos últimos jogos: admito perfeitamente a opção por Pizzi como forma de ocupar o espaço no corredor central, pedindo ao transmontano que jogasse em diagonais e trocas posicionais constantes com os avançados, de modo a impedir que o espaço entre os dois médios e esses mesmos avançados seja tão grande a ponto de a ligação se tornar impossível, como na primeira parte do jogo com o Astana.
Na verdade, certezas só amanhã ao final do dia. Mas estas apostas fazem sentido.