Último Passe 

Crédito: Facebook/Seleções de Portugal
2017-06-18
A jogar "Master Mind" com o onze de Portugal

Chega-se ao dia de estreia numa grande competição e a tentação maior é a de descobrir a equipa com que Portugal vai começar. E as maiores dúvidas – únicas, na verdade – estão nas alas do meio-campo/ataque. Sem hipótese de ver os treinos, há que recorrer ao pensamento normal do selecionador, que nos conta duas histórias. Primeiro, e fundamentalmente, que com Santos costuma jogar um ala mais dado a labor de centrocampista e outro com mais caraterísticas de extremo, para que o 4x4x2 possa transformar-se com 4x3x3 sempre que a equipa assim o entender. E depois que cada um destes alas tem geralmente um corredor preferencial, sendo raramente tidos em conta para o lado oposto. É por isso que, se tivesse de responder agora, ainda sem qualquer informação privilegiada mas numa espécie de jogo do “MasterMind”, arriscaria dizer que Fernando Santos vai começar com Bernardo Silva à direta e André Gomes à esquerda.

Nove-onze-avos da equipa que mais daqui a pouco vai defrontar o México está definida. São eles: Rui Patrício, Cédric, Pepe, José Fonte, Guerreiro, William, Moutinho, André Silva e, claro, Ronaldo. Restam depois os dois lugares nas alas. Aplica-se o primeiro princípio do “Santismo” e separam-se os seis jogadores que podem jogar nas alas em dois grupos. De um lado, por um dos lugares, lutam os que têm caraterísticas de terceiro médio: André Gomes, Pizzi, eventualmente Bernardo Silva. Do outro, pela outra vaga no onze, lutam os que têm caraterísticas de terceiro avançado: Nani, Quaresma, Gelson e eventualmente Bernardo Silva, que assume uma espécie de papel dúplice por força da ausência de João Mário. Quer isto dizer que, a não ser em situações de vantagem, dificilmente se verá um Portugal tão conservador que junte em campo Pizzi e André Gomes nas duas alas. Mas também será difícil que, exceção feita a momentos em que seja preciso ir à procura do golo, vejamos ao mesmo tempo uma equipa tão ofensiva a ponto de somar Quaresma e Nani nas alas, por exemplo.

Aqui chegados, antes de se aplicar o segundo princípio do “Santismo” vai-se buscar o senso comum. E o senso comum diz-nos várias coisas. Que Gelson, por exemplo, ganhou o lugar à direita pelo que fez depois de entrar ao intervalo no particular contra Chipre, no qual Bernardo Silva tinha estado mais discreto, mas que depois não confirmou essa tendência de crescimento contra a Letónia em Riga. Que Quaresma entrou bem em Riga, mas que Santos gosta de o ter perto dele no banco, graças a essa capacidade rara que o extremo do Besiktas tem para entrar bem em qualquer jogo que não faz de início. E que Nani, um fixo desta equipa, estará a regressar ao melhor momento depois da lesão que lhe roubou protagonismo, mas ainda não confirmou esse crescimento em campo – e a concorrência na seleção nacional é cada vez mais dura. É à luz destes conhecimentos que deve aplicar-se então o segundo princípio do “Santismo”. E este diz que André Gomes e Nani jogam sempre à esquerda e que Pizzi, Bernardo, Quaresma e Gelson partem sempre da direita.

Agora é aplicar a lógica “santista” e completar as vagas. Neste momento, antes de chegar ao estádio ou de ter contacto com alguém que saiba algo de concreto, diria que Portugal começará hoje contra o México com Bernardo Silva à direita e André Gomes na esquerda, ambos à procura do espaço interior, dando mais projeção aos dois laterais. Que, depois, se começar com Quaresma não joga Bernardo Silva. E se começar com Nani não joga André Gomes. Mas que me parece improvável que a equipa arranque na partida com dois extremos tão claramente pronunciados como são Quaresma e Nani, a somar a Ronaldo e André Silva, estes seguros na frente, pela complementaridade que asseguram e pelo rendimento que têm dado.