Último Passe 

2017-06-09
Dupla para a vitória sem brilho e em gestão

A seleção nacional não foi brilhante em Riga, mas acabou por ganhar com naturalidade por 3-0 à Letónia, mantendo a pressão sobre a Suíça na corrida ao Mundial de 2018. A equipa não mostrou a mesma pujança que no particular frente a Chipre, por exemplo, mas a verdade é que o adversário era mais complicado, tanto por fatores ambientais como táticos. No fim, valeu a já tradicional aliança entre Cristiano Ronaldo e André Silva: dois golos do primeiro e um do segundo elevaram o total conjunto dos dois para 17 golos em cinco jogos e meio (CR7 faltou na primeira partida da qualificação), um rendimento de que não há memória em nenhuma dupla de pontas-de-lança da equipa nacional.

Em Riga, Ronaldo marcou à terceira, depois de ver o guarda-redes Vanins negar-lhe o golo nos primeiros dois remates, que equivaleram às duas únicas situações de golo criadas pela equipa nacional na primeira parte. Surpreendida, não pela acumulação de gente atrás dos letões ou pela opção básica destes baterem a bola longa na frente para a corrida dos seus dois atacantes, mas mais pelo 5x3x2 do adversário, a equipa portuguesa tardou a entrar no jogo. A Letónia bloqueava bem o corredor central e, em vez de optarem pelo natural dois para um que podiam criar nas alas, os portugueses interiorizavam muitas vezes Gelson e André Gomes, abandonando os laterais à sua sorte. O resultado foi um jogo de muitos cruzamentos feitos de trás, que sem muita gente na área – o próprio Ronaldo recuava muito à procura do espaço entre linhas – eram muitas vezes pera doce para os corpulentos centrais letões. E até ao golo, quando já cheirava a intervalo, só duas iniciativas individuais de Ronaldo permitiram a Portugal ameaçar Vanins com alguma contundência.

Em vantagem, Portugal tinha feito o mais difícil. Mas o jogo da primeira volta já tinha mostrado que um golo pode não chegar – nessa altura, depois de se colocar em vantagem e perder até um penalti, a equipa nacional permitiu o empate já a segunda parte ia a meio e teve até alguma fortuna na forma como respondeu tão rapidamente com o 2-1. Só o segundo golo podia evitar a administração de adrenalina a conta-gotas que este resultado ia fornecendo aos letões. E só com a entrada de Quaresma esse golo chegou: o extremo do Besiktas continua a ter essa rara capacidade para usufruir de uma festa mesmo chegando a meio e, certamente com indicações claras do treinador para abrir o jogo, ganhou a linha e, é certo que beneficiando de um desvio em Jagodinskis, deu o 2-0 a Ronaldo. A Letónia já assumira mais o 3x5x2 do que o 5x3x2, com o adiantamento permanente dos dois laterais para ir à procura do empate, e as limitações técnicas dos centrais na saída de bola acabaram por permitir a André Silva o terceiro golo, após pressão sobre Gorkss.

Resultado feito, Portugal limitou-se a gerir até final. A cabeça, nessa altura, já estava na Taça das Confederações. E, vistas bem as coisas, esse decréscimo de rendimento que a equipa mostrou hoje nem terá sido assim tão mau. É que numa prova de média/longa duração jogada no final de época, como é a Taça das Confederações, entrar com muita força não costuma ser bom. Veja-se o que sucedeu há um ano no Europeu.