Último Passe 

2017-05-13
Um Benfica diferente a justificar o tetra

O Benfica confirmou o esperado tetracampeonato com uma goleada (5-0) ao V. Guimarães, numa partida exemplar em que espelhou as maiores virtudes desta época – acima de todas, o comportamento ativo e pressionante nos momentos defensivos e a inspiração das suas maiores figuras na fase da criação. A forma como Fejsa e Jiménez combinaram para ganhar uma bola a Rafael Miranda na saída de jogo do Vitória, conduzindo ao primeiro golo, marcado por Cervi, foi tão importante no quarto título da série como a solução encontrada por Jonas para marcar o seu primeiro, o 4-0, com um chapéu notável a Douglas. As duas coisas juntas fizeram o título do Benfica.

Este Benfica foi, ainda assim, ligeiramente inferior ao da época passada. Não em termos de processo coletivo, que nesse particular já em 2015/16 se baseava muito na capacidade das suas individualidades – Jonas acima de todos – e esta época até melhorou do ponto de vista defensivo. Mas baixou porque algumas dessas individualidades desapareceram: Jonas passou metade da época lesionado, Renato Sanches e Gaitán saíram antes de começar o campeonato, roubando à equipa a capacidade que o primeiro tinha para esticar o jogo e o cérebro aliado à técnica que o segundo representava em momentos de criação. Mas se a perda de Jonas, sobretudo na primeira metade da época, foi bem colmatada pela passagem de Gonçalo Guedes para o corredor central – mudando o futebol da equipa, pela maior capacidade de morder os calcanhares aos adversários em transição defensiva – a troca de Renato por um Pizzi a assumir mais responsabilidades também levou a um Benfica mais certeiro do ponto de vista tático, com menos buracos por preencher. E se Pizzi não dava à equipa os esticões que Renato proporcionava, essa vertigem acabava na mesma por ser recuperada pela solução que Rui Vitória encontrava para a esquerda, fosse Cervi, Zivkovic ou Rafa, todos eles velozes e capazes de promover roturas.

Este Benfica fez mais jogos fracos do que em 2015/16, é verdade, e por isso mesmo acabará a Liga com menos pontos. Mas se há um ano era uma equipa incapaz de ganhar os jogos grandes – ganhou apenas um de seis nessa primeira época de Rui Vitória – a transformação no sentido de uma maior proatividade defensiva permitiu-lhe passar a ser implacável neste particular. Em 2016/17, o Benfica não perdeu um único jogo com os seus maiores rivais nacionais, chegando à última jornada da Liga com apenas duas derrotas, frente ao Marítimo e ao V. Setúbal. Isso não o impediu de manter o primeiro lugar na tabela desde a quinta jornada, em meados de Setembro. E desde aí muita coisa aconteceu. Grimaldo parou cinco meses; Fejsa esteve de fora durante quase dois; Jonas andou dentro e fora, ao ritmo dos seus problemas físicos; André Horta desapareceu das escolhas para acolher Felipe Augusto; Jiménez ídem, devido à saída fracassada para a China em Janeiro; e Gonçalo Guedes saiu mesmo para o PSG. Mesmo assim, é verdade que por vezes graças a tropeções de um FC Porto que nunca foi capaz de assumir a candidatura a sério, chegou ao título a uma jornada do fim. E se assim foi, é porque o mereceu.