Último Passe 

2015-09-17
Os miúdos não estão prontos e o Sporting defende mal

Quando Jorge Jesus decidiu lançar no jogo contra o Lokomotiv de Moscovo os jovens Tobias, Gelson e Carlos Mané, sabia que estaria a conseguir uma de duas coisas. Ou corria bem e tinha a aposta nos miúdos como cortina de fumo para justificar a exclusão de Carrillo – afinal, não seria o único titular a ficar de fora, como o próprio treinador vinco no final – ou corria mal, toda a gente percebia que os miúdos ainda não estão prontos e a ausência do peruano voltava à ribalta. Confirmou-se a segunda hipótese. A derrota por 3-1 frente aos russos não permitiu sequer ver o Sporting que até já desenha bons movimentos ofensivos, quando o faz com velocidade (que ontem só se viu no início da segunda parte), mas escancarou as portas para que toda a gente visse uma equipa que continua a defender muito mal: onze golos sofridos em oito jogos não deixam dúvidas.

Carlos Mané até esteve no lance do golo de Montero, mas de Gelson pouco ou nada se viu a ponto de justificar 90 minutos em campo e Tobias terá feito a pior exibição de um defesa-central de que há memória nos tempos mais próximos em Alvalade: foi mais lento que Samedov a reagir ao ressalto que deu o primeiro golo; escapou à expulsão pouco depois, ainda na primeira parte, por entrada de sola sobre N’Dinga; não atacou a bola que permitiu ao mesmo Samedov fazer o segundo golo (em dois para cinco na área) e deixou Niasse virar-se, ainda fora da área, antes de o senegalês arrancar para o 3-1 final. Jesus era acusado na Luz de não dar oportunidade aos miúdos, ao mesmo tempo que Marco Silva era criticado em Alvalade pela inconstância nos resultados de uma equipa em que eles eram opções principais. Afinal, mudam-se os treinadores, mas não as realidades.

A primeira derrota em casa em toda a sua história na fase de grupos da Liga Europa, além disso, deixa o Sporting em posição delicada para lutar pela qualificação numa prova em que o técnico afirmara de véspera ser candidato a uma presença na final. Perder em casa com outro dos candidatos ao apuramento significa que estes pontos terão de ser recuperados em algum lado. A primeira oportunidade será já a saída até Istambul, o inferno onde joga o Besiktas. E para sair de lá com um bom resultado vai ser preciso resolver o problema defensivo que tem afetado esta equipa desde o início da época. Este Sporting até tem sabido defender na frente, sobretudo nos jogos que lhe correm melhor. É uma questão de acerto posicional ou de agressividade dos homens que jogam mais atrás: sempre que o adversário passa aquela primeira zona de pressão, o Sporting treme. E a tremer assim, Jesus pode ter os objetivos que só ele sabe na cabeça, mas nem o campeonato estará ao seu alcance.