Último Passe 

2017-05-02
Alô Zurique! Aqui é o Cristiano

O hat-trick de Cristiano Ronaldo ao Atletico Madrid, na primeira mão das meias-finais da Liga dos Campeões, fez mais do que escancarar as portas da final de Cardiff ao Real Madrid – aquilo a que assistimos foi ao goleador português a colocar a mão em cima de mais uma Bola de Ouro e praticamente a assegurar a igualdade a cinco com Leo Messi. Argumentarão muitos que ainda é cedo, que só estamos em Maio e que o argentino até foi a estrela maior do clássico Real-Barça de há semana e meia, mas estas coisas têm timings e eventos próprios para se decidirem. E o timing e o evento exatos são estes.

Ronaldo nem tem estado a fazer uma época tão boa como as anteriores, nem sequer como algumas nas quais não chegou à Bola de Ouro, sobretudo porque nessas desperdiçava muitas vezes trunfos quando eles eram menos necessários. Com menos golos, com menos jogos, com menos influência numa equipa que até já faz algumas partidas internas sem ele por opção, para Ronaldo está a aparecer nesta fase final da época cheio de energia e de capacidade para resolver os jogos mais importantes. Fez cinco golos em dois jogos ao Bayern nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, já vai com três na primeira mão das meias-finais, contra o Atlético, e ainda tem a segunda mão, provavelmente a final de Cardiff e a Taça das Confederações para dar o remate final na candidatura.

Em contrapartida, o que sobra a Messi ou Neymar? Podem até ser campeões espanhóis – ainda que o Real esteja no lugar do condutor e mantenha a maior dose de favoritismo, mesmo tendo perdido o clássico – mas estão fora da Europa e nem Argentina nem Brasil vão figurar na Taça das Confederações. Messi pode até ganhar a Bota de Ouro – segue na frente, pelo menos… – e arrancar na próxima época em grande estilo e com muitos golos na fase de grupos da Liga dos Campeões. Mas o que vale uma fase de grupos? Esta Bola de Ouro, Messi já dificilmente poderá ganhá-la. Só Ronaldo é que pode perdê-la.