Último Passe 

2017-04-30
A influência de Dost deixa de ser problema

Jorge Jesus queixou-se uma vez do excesso de influência de Bas Dost nos golos do Sporting. “Não estou habituado a ter um jogador a marcar todos os golos das minhas equipas”, disse nessa altura. Hoje, depois de mais um “hat-trick” do holandês valer ao Sporting a vitória em Braga e a manutenção das distâncias relativamente a FC Porto (segundo, a cinco pontos) e V. Guimarães (quarto, a oito), o treinador não se mostrou incomodado. E não o fez porque tenha passado a gostar de ter um jogador com tamanha influência na produção goleadora da sua equipa. Fê-lo porque o Sporting fez um excelente jogo no ataque e aquilo que verdadeiramente incomodava Jesus no Inverno era o pouco que a sua equipa estava a jogar.

Bas Dost chegou em Braga aos 31 golos em 28 jogos de campeonato. Já garantiu que chegará ao fim da Liga, na pior das hipóteses, com um golo por jogo – e isto se não marcar nas três últimas rondas –, algo que ninguém faz em Alvalade desde que Jardel assinou 42 nas 30 partidas em que participou na conquista do campeonato de 2001/02, com Bölöni. E segue exatamente com metade (50 por cento) dos golos leoninos, percentagem de influência que nenhum jogador do Sporting conseguia também desde esse ano de apogeu de Jardel, cujos 42 golos nessa Liga representaram 56,7% dos 74 feitos pela equipa. Liedson, por exemplo, nunca passou dos 37,8% (25 golos em 66 em 2004/05, com Peseiro) e Slimani dos 34,1% (27 golos em 79, na época passada, já com Jesus). Quem tinha estado mais perto da marca de Jardel até tinha sido van Volfswinkel, que na trágica época de 2012/13 (Sporting fora dos lugares de qualificação europeia) marcara 14 dos 36 golos da equipa na Liga (38,8%).

Ora por aqui se vê que os números nos dizem o que quisermos. Nem o Sporting de 2001/02 foi campeão porque Jardel marcava mais de metade dos golos da equipa nem o de 2012/13 ficou fora da UEFA por causa da influência de van Wolfswinkel. A questão é que a primeira equipa, a que foi campeã, jogava muito, e a segunda, a que ficou fora da Europa, jogava pouco. Como o Sporting dos meses de Inverno nesta Liga que deverá acabar em terceiro. No jogo de Braga, por isso, o hat-trick de Bas Dost e o facto de ele se ter aproximado da percentagem de influência de Jardel não foi um problema, porque o Sporting desenvolveu um futebol atacante vistoso, com influência das acelerações de Podence, dos dribles e da velocidade de Gelson, de uma boa atuação dos dois laterais – coisa rara esta época – e de uma tarde dominadora de William a sair com bola. Quando assim é, Jesus não se importará que um só avançado seque o resto da equipa e faça todos os golos. Até porque dali vai chegar-lhe o único troféu da época, que será o título de melhor marcador nacional e um lugar no pódio dos mehores da Europa.