Último Passe 

2017-04-29
Mais duas finais e a questão do estofo

Benfica e FC Porto ganharam os seus jogos da 31ª jornada e mantiveram as distâncias no corpo-a-corpo que vêm disputando pelo título de campeão nacional. Boa notícia para os tricampeões, que superaram mais uma das “finais” de que fala Rui Vitória, mas também para os aspirantes, que saíram sem um arranhão de uma das deslocações que se anteviam mais complicadas e até o fizeram com reforço de moral, uma vez que ganharam mais facilmente em Chaves do que o Benfica o fez na receção ao Estoril. Nas três últimas jornadas, vai colocar-se como nunca a questão do “estofo de campeão”, que entre outras coisas é a capacidade que uma equipa tem para ganhar jogos empatados. E aí, o Benfica tem sido mais forte.

Hoje, nenhum dos dois jogou com particular brilhantismo. O Benfica agradece os três pontos a Jonas, que tirou a equipa do buraco em que esta se colocara com um início de segunda parte catastrófico, no qual o Estoril fez um golo mas podia bem ter feito mais dois ou três. No fim, dirão os adeptos, isso não interessa nada, ou pelo menos não interessa tanto como os três pontos somados com a vitória por 2-1. Já o FC Porto voltou a fazer um jogo de menos a mais: arranque cinzento, sem grande fulgor mesmo na melhor fase, mas vitória segura a partir do momento em que fez o primeiro golo do 2-0 a um Chaves que nunca chegou sequer perto da baliza de Casillas. Até final da época, os encarnados sabem que continuam a poder empatar um jogo – têm, portanto, direito ao erro. Já os dragões desbarataram esse direito com os tais empates nos jogos em que não estiveram tão bem, em que deixaram que o medo da liderança os atrofiasse e lhes retirasse a capacidade de conquista, como foi o caso dos recentes desafios em casa com V. Setúbal e Feirense.

Esta questão volta a assumir particular importância esta semana, porque os dois candidatos ao título enfrentam as deslocações previsivelmente mais difíceis até final da temporada. Os adversários são o Marítimo (para o FC Porto) e o Rio Ave (para o Benfica), duas equipas cuja competência se demonstra pelo facto de estarem a lutar pelo sexto lugar e cuja necessidade de vencer fica bem à mostra quando se junta à discussão que esse sexto lugar dará acesso à pré-eliminatória da Liga Europa. Mais do que a luta pela vaga europeia que falta atribuir, contudo, interessará destacar que o FC Porto joga primeiro e que em vez de jogar para manter a distância relativamente ao Benfica, como hoje em Chaves, joga para assumir a liderança do campeonato, ainda que à condição. No Funchal, no sábado, se verá qual é o estofo da equipa portista. E se ela responder bem, no dia seguinte, em Vila do Conde, será altura de novo teste à estrutura de campeão deste Benfica. Temos campeonato!