Último Passe 

2017-04-28
André Pinto fecha centro da defesa do Sporting

A contratação de André Pinto é uma boa operação do Sporting, a abrir as hostilidades na janela de mercado estival que vai animar os meses entre o fim desta Liga e o começo da edição de 2017/18. Internacional de segunda linha, o defesa-central do Sp. Braga pode muito bem situar-se no plano de Paulo Oliveira, como alternativa credível a Coates e Semedo, que parecem ser os dois jogadores com mais potencial para serem titulares na posição, e tornar desnecessária a corrida a mais um gigante a recrutar no estrangeiro. Estando ainda por cima o jogador em final de contrato e já afastado por Jorge Simão desde o dia em que em Braga perceberam que o destino dele ia ser Alvalade, a operação tem tudo para não ser tão cara como muitas que depois acabam por se revelar irrelevantes.

Com estes quatro centrais, parecem é ficar fechadas as portas de regresso a jogadores como Tobias Figueiredo – época de charneira fraca no Nacional – ou Domingos Duarte – fez coisas interessantes no Belenenses, e por isso mesmo ainda poderá ter mais um ano de espera antes de ver o clube apostar ou desistir dele. O jovem turco Demiral parece ser uma estrela em ascensão, para já com espaço na equipa B, e quem ficará seguramente fora dos planos é Douglas, o brasileiro que chegou para satisfazer a crónica vontade de Jesus ter jogadores acima do 1,90 metro para esta posição mas nunca se afirmou, acabando por sofrer do mesmo mal que todos os jogadores da sua estatura que não jogam com regularidade: a falta de ritmo. Ora se isso foi um problema para Douglas (1,92m), também pode sê-lo para André Pinto (que tem o mesmo 1,96m de Coates), porque não vejo forma de uma equipa funcionar com os dois lado a lado no centro da defesa. Uma dupla de centrais deve, acima de tudo, completar-se. Se um é alto e pesado, o outro tem de ser ágil e veloz, para ir buscar a profundidade quando isso for necessário – e numa equipa que luta por títulos e por isso mesmo joga muitas vezes com linhas subidas isso é muitas vezes necessário. Claro que um defesa-central pode ser ao mesmo tempo alto, contundente e veloz. Pepe (1,87m) é disso um excelente exemplo. Ruben Semedo, com mais dois centímetros, também – embora lhe falte algumas vezes a regularidade que só a concentração permite.

No meio disto tudo, tenho a certeza de duas coisas. Uma é que com a chegada de André Pinto não há razões para que o Sporting pense sequer em gastar mais dinheiro com aquela posição a não ser que queira manter a economia a mexer. A outra é que quem olhar para o anúncio da contratação a poucos dias de um Sp. Braga-Sporting está à procura de criar um caso onde ele não existe. O próprio António Salvador, presidente do Sp. Braga, disse esta semana que André Pinto lhe comunicara que não ia renovar no início da época. O jogador estava afastado da equipa minhota desde o Ano Novo e tinha todo o direito a assinar por quem quisesse. E se o fez agora foi porque foi agora que o Sp. Braga com ele rescindiu. Simples. Complicado é haver quem não tenha entendido isto no caso da passagem de Carrillo do Sporting para o Benfica e quem não oi entenda agora. E sobretudo que uns e outros sejam pessoas diferentes.