Último Passe 

2017-04-22
Um empate que ninguém soube desfazer

O Sporting-Benfica não foi um grande jogo, confirmando que as duas equipas estão esta época um patamar abaixo do que mostravam na época passada. No final, ambos os treinadores vieram puxar para o seu lado a justiça de uma vitória pela qual, na verdade, nunca fizeram muito. Jorge Jesus apresentou como argumento as duas ocasiões de golo flagrantes perdidas por Bas Dost, mas não disse que o golo com que o Sporting se adiantou lhe foi oferecido logo de início num erro idiota de Ederson. Rui Vitória esgrimiu com o maior domínio do Benfica sobre a partida, mas também não reconheceu que com mais bola e a necessidade de correr atrás do resultado durante boa parte do jogo a sua equipa só foi capaz de testar Rui Patrício de bola parada. A verdade é que o empate assenta bem às duas equipas.

A forma como o jogo decorreu mostrou boas exibições no plano individual – os quatro centrais, Pizzi e Gelson acima de todos – e uma melhor reação do Benfica aos episódios do jogo: o Sporting pareceu anestesiado pela vantagem madrugadora e demorou muito a reagir ao golo do empate. Os leões até entraram melhor, marcaram antes mesmo de poderem justificá-lo, mas nunca souberam cavalgar a onda da vantagem, permitindo que, aos poucos, o Benfica fosse tomando conta das operações a meio-campo: fosse pelo recuo de Rafa, pela derivação frequente de Salvio e Cervi para zonas mais interiores ou pelo que me pareceu um mau posicionamento de William, os encarnados marcaram superioridade nesse setor até ao intervalo e encaminharam quase sempre o jogo na direção da baliza de Rui Patrício. Faltava-lhes, depois, arte na frente, pois mesmo ganhando muitas vezes aos desastrados laterais leoninos, os desequilibradores benfiquistas não pareciam capazes de transformar esse ascendente em situações de perigo.

Na segunda parte, provavelmente com posicionamentos corrigidos pelo treinador durante o intervalo, o Sporting apareceu melhor e teve as tais ocasiões de golo que Bas Dost não costuma perder mas que, desta vez, perdeu. Manteve o jogo no 1-0 e acabou por sofrer o golo do empate, num livre magistral de Lindelof. Vitória já tinha feito a equipa evoluir para o 4x4x2 com dois avançados claros – Mitroglou e Jiménez – mas nem por isso o Benfica tinha melhorado em termos de produção atacante. Só que ao sofrer o golo, o Sporting voltou a vacilar e os minutos que se seguiram foram, a par do final da primeira parte, os melhores dos tricampeões nacionais. Jesus demorou a mexer, mostrando mais uma vez alguma falta de confiança no único revulsivo que tem neste momento a sair do banco – Podence devia ter entrado mais cedo – e só quando Vitória decidiu trancar o jogo com a entrada de mais um médio – Filipe Augusto – e o sacrifício de um dos dois avançados é que os leões voltaram a estar mais perto da baliza de Ederson. Tem sido uma tendência desta época: quanto mais atrás defende, mais o Benfica sofre.

O empate acaba por ser justo e deixar benfiquistas e postistas moderadamente satisfeitos face ao que falta jogar nesta Liga. Os benfiquistas sentem que passaram o obstáculo mais difícil e sabem que ganhando as quatro partidas que lhes faltam serão tetracampeões. Os portistas julgam que o Benfica não está a jogar enormidades e que pode bem voltar a vacilar – assim a equipa de Nuno Espírito Santo tenha capacidade para aproveitar uma eventual escorregadela. Ambos têm razão para ter confiança. A Liga nos dirá quem ri no fim.