Último Passe 

2017-02-03
As escolhas para um clássico definidor

O FC Porto-Sporting vai definir que campeonato teremos a partir de Fevereiro. As equipas chegam ao clássico em posições inversas relativamente ao igualmente decisivo desafio da época passada, mas com muito mais jornadas por disputar, o que somado à derrota recente do Benfica em Setúbal permite acalentar esperanças a ambas de ainda terem alguma coisa a dizer na luta pelo título. A esperança é, aliás, a palavra-chave para os que hoje forem ao Dragão.

Os portistas vão na esperança de saírem de lá líderes à condição – o Benfica só joga no domingo. E se há um mês estavam a seis pontos de diferença do líder, já não estão na situação de olhar para cima e não ver ninguém desde o jogo de abertura desta Liga, quando foram os primeiros a somar três pontos, com a vitória em Vila do Conde sobre o Rio Ave. Os sportinguistas, por sua vez, vão na esperança de pelo menos manter a distância para o topo – são sete pontos neste momento, os tais que o FC Porto tinha de desvantagem há um mês – e reduzir a que os separa do segundo lugar, para voltarem a entrar na discussão.

Ambos os treinadores têm a noção de que o futebol é o momento. E a questão é que o momento não tem sido muito favorável a nenhum dos dois. O FC Porto até vem de três vitórias seguidas depois do empate em Paços de Ferreira que parecia condenar a equipa a uma segunda metade de época sem ambição, mas não tem sido convincente no plano exibicional. No Estoril, por exemplo, a equipa só ganhou asas quando o treinador adicionou homens de ataque a um onze inexplicavelmente tímido de início. Uma das dúvidas acerca de que FC Porto vamos ter prende-se com as opções para acompanhar André Silva. Só Diogo Jota, com Herrera, Oliver e André André é curto, como se viu na Amoreira. É verdade que o treinador vinha escaldado pelos dois golos consentidos em casa ante o Rio Ave e pode ter sido impelido a escolher uma equipa mais conservadora, mas entre Corona e Brahimi, pelo menos um tem de estar de início. Ou até os dois, com Jota de fora.

Jesus já dissipou a maior dúvida no onze leonino, que tinha a ver com o homem escolhido para substituir o castigado William Carvalho. Joga Palhinha, igualmente forte fisicamente mas menos desequilibrador no passe e naturalmente menos à vontade com a importância de um jogo como este. Logo aí se deve esperar um Sporting menos virado para o ataque, mas a opção fundamental prende-se com a escolha do homem que vai acompanhar Bas Dost na frente. Em 2015/16, Jesus ganhou com “chapa três” na Luz e no Dragão com dois avançados puros – Slimani e Gutiérrez – mas este é um Sporting diferente, logo à partida por não ter a capacidade de luta do argelino, que era ao mesmo tempo primeiro atacante e primeiro defesa. Os dois clássicos desta época tiveram de início Bruno César e Bryan Ruiz a alternar entre a esquerda e o centro e deverá ser assim também no Dragão, onde lá mais para a frente Jesus pode recorrer a Geraldes e Podence, os dois moreirenses que tão moralizados ali chegam.