Último Passe 

2017-01-28
Conservadorismo e as opções para o clássico

Foram bem diferentes as dificuldades sentidas por FC Porto e Sporting para vencerem os seus jogos da 18ª jornada da Liga, na antecâmara do clássico que vai complicar muito mais a vida a um deles – ou até a ambos, se empatarem. Os dragões voltaram a ver-se em défice ofensivo, fruto da recuperação da opção conservadora por parte do treinador, Nuno Espírito Santo, que começou por tentar vencer o Estoril com a equipa muito atrás. Os leões sentiram um défice defensivo quando já ganhavam por 3-0, quando Adrien começou a proteger-se face à hipótese de ver um amarelo que o afastasse da próxima jornada e Jorge Jesus deixou que o seu próprio conservadorismo se manifestasse quando tardou em retirá-lo de campo.

No fundo, a história devia ser a de duas vitórias claras. Não foi assim, porém. Na Amoreira, o FC Porto só desbloqueou o 0-0 aos 82 minutos, quando um penalti de André Silva permitiu a Nuno Espírito Santo um suspiro de alívio que as suas opções iniciais dificultaram. A equipa começou com André Silva como ponta-de-lança, Diogo Jota a apoiá-lo e com a missão de cair na esquerda, e com André André e Herrera como médios-ala que frequentemente procuravam o espaço interior. Afinal de contas são essas as suas caraterísticas. As consequências eram duas: falta de largura e falta de gente na frente. Quando Brahimi se levantou do banco para entrar, ainda na primeira parte, não me passou pela cabeça que o sacrificado pudesse ser Jota. O problema manteve-se até que pouco depois da hora de jogo surgiu finalmente a opção atacante, com as entradas de Corona e Rui Pedro com a saída de dois médios. O mexicano dava largura, Rui Pedro acentuava a presença na frente, tirando o foco da defesa estorilista um pouco de cima de André Silva e os golos apareceram.

Esse problema, de desbloqueio do jogo, não o teve o Sporting, que marcou cedo e aos 35’ já ganhava por 3-0. Com Gelson de regresso às noites boas, Schelotto a ajudá-lo ofensivamente, Alan Ruiz a desenhar trajetórias menos previsíveis no apoio ao imperturbável Bas Dost, a equipa parecia no caminho de uma vitória tranquila até ao minuto 45. Nessa altura, William Carvalho viu um cartão amarelo que o afastava do clássico de sábado próximo e a situação afetou Bruno César e – sobretudo – Adrien Silva, os outros dois jogadores leoninos que estavam a um cartão da suspensão. O que se viu no regresso para a segunda parte, na qual me surpreendeu até que Adrien tenha sequer reentrado em campo, foi um Sporting defensivamente passivo. Quando não há Adrien – e face ao risco assumido, naquele início de segunda parte foi quase como se não houvesse – o Sporting deixa de funcionar defensivamente. O Paços também sabia disso e Whelton aproveitou para fazer dois golos que, antes do bis de Bas Dost, colocaram o resultado em risco.

A dúvida que vai alimentar a semana que aí vem tem a ver com as opções para o clássico. Irá Nuno Espírito Santo repetir a equipa sem pontas e com aposta no meio-campo que titubeou ante o Estoril? Não creio, porque isso equivalerá a dar a iniciativa ao Sporting. E quem irá Jorge Jesus utilizar no lugar de William? Palhinha entrou tímido no jogo com o Paços, mas teve contra ele uma equipa que naquela altura já duvidava muito, e deve ser ainda assim a melhor aposta. A outra opção – Adrien com Bruno César – viria impedir aquele que parece ser o Plano A leonino, no qual Bruno César deverá ser, como foi em Madrid ou na receção ao FC Porto, na primeira volta, simultaneamente segundo avançado e terceiro médio. Porque se é verdade que na época passada Jesus foi à Luz e ao Dragão com dois atacantes (Gutièrrez e Slimani), ganhando ambos os jogos com clareza, as circunstâncias atuais são muito diferentes.