Último Passe 

2017-01-21
A confiança e a desconfiança na corrida ao título

O empate do Sporting nos Barreiros, frente ao Marítimo, e a vitória do FC Porto frente ao Rio Ave, em casa, veio confirmar à entrada da segunda volta que se há uma equipa em condições de fazer frente ao Benfica na luta pelo título é a de Nuno Espírito Santo. Não só pela cada vez maior distância pontual dos leões para o topo – podem ficar amanhã a dez pontos do primeiro lugar – mas sobretudo pela forma anímica em que se encontram os dois conjuntos: confiante o FC Porto, mesmo num desafio em que teve de suportar um volume de jogo acima do normal do Rio Ave; desconfiado o Sporting, que voltou a comprometer com erros idiotas uma partida da qual devia ter tirado mais.

O FC Porto não fez um bom jogo. Chegou ao intervalo em desvantagem face ao Rio Ave em vários parâmetros estatísticos – posse de bola, ataques… –, apanhou pela frente um adversário sempre forte nos corredores laterais e viu-se mesmo a perder no início do segundo tempo, no seguimento de um penalti infantil de Layun. Mas a equipa de Nuno Espírito Santo foi competitiva. Percebendo que estava a perder o jogo pela falta de controlo a meio-campo aproveitou a lesão de Corona para equilibrar com André André, marcou três golos em bolas paradas laterais e acabou por ganhar com um quarto golo segundos depois de o Rio Ave ter estado à beira do empate. Não é sorte. É confiança. Exatamente a confiança que falta aos jogadores do Sporting neste momento mais conturbado da sua época.

O jogo do Sporting foi um pouco o reverso da medalha daquele que fez o FC Porto: sofreu dois golos de bola parada, com responsabilidades evidentes de Rui Patrício em ambos e da zona central da marcação no segundo, e apesar de ter tido mais volume de jogo do que o opositor ainda viu o Marítimo desperdiçar algumas boas ocasiões para marcar mais. Tudo isso a somar às já habituais noites falhadas de alguns jogadores – nos últimos cinco jogos, Jesus fez oito substituições até ao intervalo e só três delas se deveram a lesões – acabou por custar ao Sporting mais dois pontos e o agravar da crise. A de resultados e a de confiança. Se o sucesso na corrida ao título dependia de ganhar todos os jogos da segunda volta, ele já ficou comprometido: se o Benfica vencer amanhã o Tondela, a distância para o líder crescerá para dez pontos e, mais grave, o FC Porto já está a seis e o Sp. Braga pode alargar a distância para quatro. Qualquer ponto perdido nesta altura já não põe em risco apenas a candidatura ao título.