Último Passe 

2015-09-14
A vitória de Cervi e o desafio da Champions

Franco Cervi chegará em breve à Luz. É um jovem talento, dos melhores que a Argentina produziu nos últimos tempos, que já vi comparado a Di Maria ou a Saviola. Se tiver metade de cada um já será uma boa aquisição, ainda por cima depois da forma como foi conseguida pelo Benfica, ganhando o sprint ao Sporting e lançando a confusão nas fileiras imediatamente debaixo de Bruno de Carvalho. É bom, contudo, que Cervi não valha só por isso – e neste momento estou a lembrar-me de Hanuch, que fez manchetes de jornais quando o Sporting o roubou ao Benfica mas a quem os leões nunca chegaram a dar grandes préstimos. Os tempos são outros, a globalização já é uma realidade, os clubes portugueses conhecem bem e já podem chegar aos melhores jovens da Argentina e estou convicto de que Cervi é aquilo que Hanuch nunca sonhou sequer ser.

No entanto, esgotado o início da temporada e o efeito da mudança de Jesus da Luz para o rival, já vai sendo tempo de os adeptos benfiquistas se alegrarem pelo que têm e não pelo que o adversário do outro lado da segunda circular deixa de ter. A motivação dos benfiquistas não tem de ser o off-the-record das entrevistas de Jesus ou o que este falou ao almoço com Carrillo, numa refeição que se fosse para ser secreta não tinha sido marcada para o Ritz. A motivação dos benfiquistas tem de ser o regresso à Liga dos Campeões, com um jogo em casa, ainda por cima frente a um adversário frágil, o mais fraco do grupo, o Astana, que pode permitir à equipa de Rui Vitória manter o registo super-goleador das últimas partidas no seu estádio. A motivação dos benfiquistas tem de ser a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões, num grupo onde se não tivessem obrigação de passar não seriam cabeças-de-série.

Lembrar que a equipa de Jesus falhou clamorosamente esse objetivo nas últimas duas épocas – e sim, também o enfrentou como cabeça-de-série – é lembrar uma realidade. Mas é uma realidade que não traz agarrado o instinto vencedor de que o Benfica precisa. E se não é para manter a polémica com o rival em cima da mesa é para desculpabilizar antecipadamente a eventualidade de uma terceira falha consecutiva. Ora isso não é boa política.