Último Passe 

2017-01-10
Benfica muda mas continua a ganhar

O que espanta na forma fácil como o Benfica voltou a vencer o Vitória em Guimarães no Minho e se qualificou para a Final Four da Taça da Liga não é tanto o facto de Rui Vitória ter trocado oito jogadores na equipa inicial, porque também Pedro Martins apresentou uma equipa alternativa na repetição do jogo de sábado. O que espanta mais é a forma diferente como o Benfica jogou: apresentou como denominador comum a velocidade nos momentos ofensivos, mas trocou desta vez a dupla Jonas-Mitroglou por outra, muito mais móvel, com Rafa e Gonçalo Guedes. O que vale, ali, é a ideia.

Claro que o sistema continuou a ser o 4x4x2. Mas os jogadores que o serviam hoje eram muito diferentes. Carrillo não é Salvio, Zivkovic até se aproxima do jogo de Cervi, mas sobretudo nem Rafa nem Gonçalo Guedes são jogadores de presença constante na área como é Mitroglou. E se Guedes ainda tem um histórico recente a ocupar as zonas prediletas de Jonas – mesmo que de forma radicalmente diferente, com mais dinâmica, mas muito menos intuição e capacidade de antecipação dos acontecimentos – foi Rafa quem surgiu no apoio. E até aí o Benfica mudou, pois foi quase sempre o segundo avançado a procurar a profundidade, tendo Guedes recolhido para, por exemplo, marcar os dois golos. Tudo diferente, a dificultar o processo defensivo do Vitória, pela imprevisibilidade, mas também a tornar mais difícil de prever a capacidade de resposta dos jogadores.

Na Final Four da Taça da Liga, onde já não há FC Porto nem Sporting, com um sorteio favorável na Taça de Portugal e seis pontos de avanço na Liga, este Benfica continua a perseguir um póquer histórico – começou a época a ganhar a Supertaça. E isso tanto pode ser um aspeto de que Rui Vitória venha a servir-se para motivar os jogadores como um fator descompressor, que permita ao plantel meter um maior foco na competição internacional. Mesmo com todos os perigos que isso encerra, uma equipa com esta capacidade de se transfigurar pode ter a tentação de ir por aí. Essa é a grande decisão a tomar nos tempos mais próximos.