Último Passe 

2017-01-07
A organização defensiva e os adversários abertos

Quando Pep Guardiola disse que a organização defensiva do Benfica era “digna de uma equipa de Arrigo Sacchi” não tinha visto a forma como os encarnados ganharam em Guimarães, superando um dos obstáculos mais complicados no caminho que pretendem seja o do inédito tetracampeonato. Mais uma vez a equipa de Rui Vitória marcou primeiro e pôde depois sentar-se no cadeirão a gerir a vantagem, conseguindo a proeza rara para um grande de ter sempre mais espaço no ataque do que o adversário – algo que teria dado muito jeito ao FC Porto em Paços de Ferreira, onde não foi além de um empate a zero.

Quando um clube grande joga, o normal é ter pela frente equipas fechadas. Isso não acontece tantas vezes com o Benfica e leva muitas vezes os adeptos a insinuar que estes adversários se abrem quando defrontam os tricampeões. Mas não é assim. É que com o Benfica, há dois fatores-extra a ter em conta. Primeiro, o comportamento da equipa nas transições: agressividade na transição defensiva, que permite recuperar a bola mais vezes, mais cedo e mais perto da área adversária; e velocidade na transição ofensiva, levando-a a uma percentagem maior de ataques rápidos e contra-ataques do que os outros grandes, forçados a cair mais vezes em organização ofensiva e a defrontar defesas mais bem posicionadas e organizadas. Neste aspeto, o futebol do Benfica é menos trabalhado no ataque posicional que o do Sporting ou do FC Porto – vale-lhe o facto de fazer por que isso quase nunca lhe faça falta.

Depois, os níveis de eficácia na finalização benfiquista permitem que a equipa se coloque quase sempre em vantagem antes de o adversário poder marcar e dão-lhe a oportunidade de fazer o jogo de que gosta. Não é um jogo defensivo, mas é um jogo defensivamente competente, com um posicionamento impecável em organização defensiva, onde se vêem as tais duas linhas bem juntas, entre as quais Guardiola dizia que não cabia sequer “um cabelo”. Não será bem assim, sobretudo quando ali falta Fejsa. Ter Samaris não é a mesma coisa, pela forma como o grego não é capaz de antecipar as ideias do adversário para equilibrar. Em Guimarães, mesmo sem Fejsa durante quase todo o jogo, o Benfica manteve as redes de Ederson a zeros, mas esse já não foi tanto um triunfo da organização como foi da ocasião.