Último Passe 

2016-12-18
Falhas na gestão criam problema ao Sporting

A derrota do Sporting em casa, contra o Sp. Braga, com a agravante de ter perdido o terceiro lugar na Liga para os minhotos e de ter ficado a oito pontos do Benfica, vem chamar a atenção para a gestão em Alvalade. Se Jorge Jesus já viu os primeiros lenços brancos nas bancadas de Alvalade é porque há quem lhe atribuía responsabilidades na forma como o treinador tem gerido o plantel disponível – e desta vez a “capacidade de superação” dos jogadores não chegou para ganhar um jogo em que eles pareceram pouco frescos. Mas só internamente poderá perceber-se um pormenor importante: se Jesus esgotou os 12 ou 13 jogadores que tem usado quase sempre porque os outros não servem, ou se os outros não servem porque o treinador os foi “queimando” semana após semana desta época de grande investimento.

A evidência do jogo foi a de um Sporting fatigado. Os leões tiveram dificuldades para pressionar, para ganhar duelos diretos, para aguentar as arrancadas dos bracarenses, muito bem organizados por Abel Ferreira, o treinador interino que herdou a equipa de Peseiro e a montou com inteligência. Jesus terá cometido erros neste jogo – a colocação de Ruiz ao meio é, insisto, o maior de todos, porque o costa-riquenho não tem vivacidade para jogar ali e falha clamorosamente nas finalizações, pelo que o ideal será sempre tê-lo mais longe da baliza – mas o foco deve ser alargado a toda a temporada. E ainda que se compreenda que a pressão dos insucessos – de Varsóvia para a Luz, da Luz para Setúbal e para o jogo com o Sp. Braga – tenha levado o treinador a apostar sempre nos mesmos, há espaço para se questionar se isso esteve ou não na base da situação que a equipa vive atualmente. Porque num ano em que os leões contrataram tanta gente com nome, é estranho ver sempre as mesmas caras subir ao relvado, sobretudo quando os seus donos estão fisicamente inferiorizados e perdem os jogos por estarem, como diz o próprio treinador, “menos frescos”.

E é aqui que convém perceber-se uma coisa. Beto, Douglas, Petrovic, Elias, Meli, Markovic, Alan Ruiz, André e Castaignos, as aquisições que, juntamente Bas Dost e Campbell, os dois que estão a jogar, encheram os sportinguistas de esperança no Verão, não servem? E não servem porque foram mal escolhidos ou não servem por terem perdido qualidades já depois de terem chegado? Na verdade, acho que há ali gente mal escolhida, uns por falta de qualidade flagrante, outros por não encaixarem naquilo que era o plano de jogo de Jesus, que tinha perdido Slimani e João Mário e recebeu jogadores muito diferentes. Mas outros foram perdendo fulgor à medida que a época seguia o seu curso e eram opção apenas em jogos de menor responsabilidade. Recuperá-los será a tarefa principal do treinador para o novo ano, onde os oito pontos de diferença para o líder não deixam os leões fora mas ao mesmo tempo diminuem a pressão pelo esvaziar do balão da esperança. E disso pode depender também a tranquilidade com que Bruno de Carvalho poderá encarar as eleições de Março.