Último Passe 

2016-12-17
O dilema de Vitória entre corredores e definidores

O regresso de Jonas aos relvados foi a boa notícia da noite para os benfiquistas que viram a sua equipa vencer à justa o Estoril, por 1-0. O brasileiro entrou na ponta final do jogo, já com o resultado feito, mas em meia dúzia de intervenções mostrou que muda tudo à sua volta, pela inteligência que lhe permite adivinhar o epílogo de cada lance, pela capacidade técnica e a tomada de decisão que o leva a defini-lo melhor que os colegas. E no entanto, como o segundo golo não entrou, também foi com ele em campo que o Benfica mais perto esteve de consentir o empate. Porque com Jonas – e com Mitroglou em vez de Jiménez – muda também a capacidade do Benfica para controlar os jogos e gerir vantagens curtas. E aqui Rui Vitória corre o risco de ser apanhado entre dois fogos, entre os corredores e os definidores.

Já vi atribuírem a quebra do Benfica no final do jogo da Amoreira ao cansaço. É possível que sim, porque a primeira metade da época está a ser muito exigente para um plantel que tem sido fustigado por lesões permanentes. Os que permanecem de pé têm sido sugados até ao tutano e devem precisar desta pausa natalícia que aí vem como de ar para respirar. A questão é que esta não é uma tendência nova. É uma realidade constante nos momentos em que o Benfica decide segurar o resultado e muda as zonas de pressão. Nos momentos em que Rui Vitória opta por juntar mais gente atrás, com as entradas de Samaris, Danilo ou Celis e o sacrifício de um dos homens da frente, o Benfica passa a permitir mais facilidades na construção adversária e não consegue depois ser tão eficaz nas manobras para estancar a chegada à área de Ederson. E isso já não tem a ver com cansaço, mas sim com a definição estratégica acerca do local onde a equipa deve colocar o seu foco a cada momento dos jogos.

Claro que nem Gonçalo Guedes e Jiménez, dois corredores por excelência, dois homens que trabalham mais sem bola do que com ela, conseguem durar 90 minutos ao mesmo ritmo. Aliás, a primeira parte do jogo mostrou isso mesmo: o Estoril quase nem saiu da sua área antes da meia-hora, porque nessa altura a pressão do Benfica era eficaz e compacta, mas dividiu o jogo nos últimos 15’ antes do intervalo, porque aí, já mais fatigados, os jogadores das linhas da frente do Benfica já não conseguiam pressionar de forma tão compacta. A questão é que, depois, Jiménez sai muito da área e Gonçalo continua a ser sofrível na definição dos lances. Os dois funcionam muito bem em vários parâmetros mas não dão à equipa a mesma facilidade goleadora de Jonas e Mitroglou. Com o brasileiro e o grego, na época passada, o Benfica não defendia tão bem desde a sua primeira linha, mas também não precisava disso, porque muitas vezes quando o opositor começava a pensar em chegar-se à frente já o fazia com o desânimo de dois ou três golos na sua baliza.

Esta será a grande dúvida de Rui Vitória na ideia de equipa para depois do Ano Novo. O que está a provar-se que causa dificuldades é começar a construir resultados com os corredores e meter os definidores quando é altura de os defender.