Último Passe 

2016-12-15
Muita segurança e outra vez Brahimi

Pinto da Costa já fez a sua parte ao vir dizer que a dupla de centrais formada por Felipe e Marcano é das melhores que alguma vez viu na sua longa permanência à frente do FC Porto – e nisso terá tido o seu quê de exagero. Mas, não sendo entusiasmante no plano ofensivo, esta equipa de Nuno Espírito Santo raramente se desequilibra e fundou na segurança defensiva de 746 minutos de jogo consecutivos sem sofrer golos o regresso a sério à luta pelo título. Nisso e no regresso de Brahimi, o proscrito que passou a servir que nem uma luva nas ideias atacantes do treinador.

Djoussé pôs termo à longa imbatibilidade portista, que já durava desde o golo de Lisandro López no clássico com o Benfica, no Dragão, e fê-lo precisamente num lance em que bateu os dois centrais portistas, um após o outro. Não são piores jogadores por isso, mas há que reconhecer que grande parte da segurança defensiva desta equipa tem a ver com a opção por Danilo – em vez de Ruben Neves, por exemplo, que é um jogador ofensivamente muito mais entusiasmante mas menos imponente nos duelos – ou com o facto de os laterais – sobretudo Layun e Teles – terem como motivação fundamental a manutenção da posição, procurando muito o desequilíbrio desde trás em detrimento de uma maior projeção no meio-campo adversário. Se é verdade que as equipas se constroem desde trás, então Nuno Espírito Santo está a fazer bem.

As vitórias, porém, só começaram a surgir quando o treinador contrabalançou tanta contenção com mais criatividade na frente, através das entradas de Corona e Brahimi no onze. O primeiro nunca esteve verdadeiramente fora, mas acabou por ganhar a posição a jogadores mais contidos, como Herrera ou André André. O segundo estava com pé e meio fora da equipa, com guia de marcha anunciado para Janeiro, antes de contribuir com três golos nos três últimos jogos. Contra o Marítimo, foi ele que desbloqueou o marcador com um golo de autor, como foi ele que depois colocou André Silva na cara do guarda-redes para o 2-0. Janeiro, se é preocupação, será sobretudo por causa da perda de Brahimi, que nessa altura seguirá para a seleção para jogar a Taça de África das Nações e dará outra vez o lugar a Otávio.