Último Passe 

2016-12-14
Jesus e a "capacidade de superação dos jogadores"

Apanhado entre duas frentes, Jorge Jesus decidiu optar por “acreditar na capacidade de superação” dos seus jogadores. E fez bem, porque ganhou com toda a justiça o direito a seguir para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Mas o mais importante no facto de ter entrado no Estádio do Bonfim, para defrontar o V. Setúbal, com o melhor onze disponível, mudando apenas um elemento relativamente à equipa que alinhou de início contra o Benfica no domingo não é o facto de contrariar aquilo em que o treinador acredita há anos: que ninguém é capaz de render ao mais alto nível quando joga de três em três ou de quatro em quatro dias. É o facto de nesta escolha ter ficado bem à vista que ele não transpira confiança nas segundas escolhas.

É verdade que os leões ficaram fora das provas europeias, mas essa ausência de desgaste só se fará notar lá para Fevereiro, quando em condições normais seriam chamados a jogar para a Liga Europa. Para já, a realidade é o calendário nacional, sempre muito congestionado por Dezembro e Janeiro, de forma a que se encontre espaço para a breve pausa de Natal e para a fase de grupos da Taça da Liga. Durante anos se viu Jesus poupar jogadores até antes de se chegar a esta fase. Já esta época, o mesmo Jesus veio justificar a opção de ter resguardado momentaneamente homens como Coates ou Bas Dost com o facto de, sendo jogadores pesados, terem mais dificuldades de recuperação. É uma teoria diferente da seguida, por exemplo, por Rui Vitória, mas é uma teoria cientificamente validada. Desta vez, porém, a importância do momento levou Jesus a ter fé na tal “capacidade de recuperação dos jogadores” – e alguns, como Adrien, estiveram uns furos abaixo do habitual.

Acontece que, mesmo não tendo o treinador gostado que lhe fizessem a pergunta logo na flash-interview, o facto de ter ficado fora da Europa veio aumentar a exigência relativa à carreira na Taça de Portugal. Ainda por cima numa Taça de Portugal onde já não estão FC Porto e Sp. Braga mas que pode levá-lo a novo duelo com o Benfica. Como veio aumentar a exigência relativa à carreira na Liga, onde a derrota no dérbi deixou o Sporting a cinco pontos dos encarnados. Só que este ciclo infernal – Legia, Benfica, V. Setúbal, Sp. Braga e Belenenses em 16 dias e sem direito a errar mais – ainda está longe de acabar e o mais certo é Jesus ter nos próximos dois jogos de continuar a acreditar na capacidade de superação dos 12 homens que neste momento contam para ele, que são os onze titulares de ontem, mais Bryan Ruiz (Markovic está lesionado, tal como Schelotto). E num ano em que o Sporting até investiu mais do que o habitual no reforço do plantel, era boa altura para se perceber se os restantes não contam por problemas de gestão de recursos humanos ou se foram apenas erros de casting.