Último Passe 

2016-12-12
Benfica impõe objetividade ao controlo do Sporting

O Benfica-Sporting de hoje contou várias histórias. O jogo foi bom, colocou frente a frente duas equipas muito distintas na forma de o abordar, e acabou por decidir-se a favor dos tricampeões nacionais sobretudo graças à facilidade que mostraram na chegada à baliza do adversário. Não foi uma questão de finalização, mas sim de capacidade para criar o mesmo perigo com menos volume de jogo.
A estatística final mostrou números mais gordos para o lado do Sporting e não foi só porque os leões passaram mais tempo a correr atrás do resultado. Foi também porque graças ao regresso da construção a três - com recuo de William – o Sporting garantiu mais bola (e mais ataques, mais cantos, mais remates…). O preço a pagar foi o aumento de espaço entre setores, que o Benfica aproveitava para desenhar ataques mais rápidos e objetivos. Assim, mais elaborado e coletivo o futebol do Sporting, mais repentista e veloz o do Benfica, os rivais proporcionaram um jogo intenso e equilibrado em ocasiões de golo.
Já se sabia que as duas equipas vinham em momento psicológico instável – o Benfica com duas derrotas seguidas, o Sporting na ressaca da eliminação europeia – pelo que o primeiro golo seria ainda mais importante do que é habitual. Pelo conforto que daria a quem o marcasse e pelas dúvidas que criaria em quem o sofresse. Fê-lo o Benfica, em contra-ataque, e isso veio naturalmente condicionar o jogo. O 2-0, instantes após um remate de Bas Dost ao poste, logo a abrir a segunda parte, podia ter acabado com a discussão, mas o que se viu aí foi um Benfica outra vez com dúvidas e um Sporting pouco afetado com o que estava a suceder-lhe. Jesus mexeu com o jogo através da entrada de Campbell, Vitória também quando voltou a baixar a equipa numa situação de vantagem, permitindo que a bola passasse a andar mais onde lhe é mais difícil controlar defensivamente as partidas: as trocas de Salvio e Guedes por Danilo e Cervi levaram a um recuo de linhas do Benfica que o Sporting podia ter aproveitado melhor para ainda sacar um ponto na Luz.
Individualmente, os melhores foram Ederson e Rafa no Benfica, Gelson e Bas Dost no Sporting. Sinais de preocupação vieram das laterais defensivas dos dois lados. A diferença aqui é que se Nelson Semedo teve um mau jogo e dele se espera que volte ao nível habitual e se André Almeida é apenas a terceira opção dos encarnados para a lateral esquerda, no Sporting não há no plantel alternativas claramente melhores a João Pereira e Zeegelaar (o ocaso de Jefferson é um mistério). Coisa para se resolver em Janeiro, mas só se o Sporting lá chegar em condições reais de discutir a Liga.