Último Passe 

2016-12-10
Nove questões para lançar o dérbi

Os momentos que antecedem o Benfica-Sporting foram marcados pela mais profunda normalidade. Sem fogo cruzado, ainda que com os dois treinadores empenhados em manter alguma incerteza acerca das equipas que vão fazer subir ao relvado da Luz. Sem provocações e com pedidos para se falar de futebol. Vamos a isso então, com a resposta a nove perguntas acerca do dérbi. 
1 – O jogo pode ser decisivo para o campeonato? Não. Uma coisa era o Benfica receber o Sporting com cinco pontos de avanço e a possibilidade de alargar a vantagem para oito. Outra completamente diferente é entrar em campo dois pontos à frente. Mesmo uma vitória do Benfica não deixa os leões fora da corrida. Um empate acentua a noção de que a Liga volta a ser uma corrida à três, sobretudo se antes o FC Porto tiver ganho ao Feirense. E uma vitória do Sporting deixa os leões com vantagem pontual e psicológica para o que resta de campeonato, sobretudo tendo em conta que também já não estão na Europa e podem concentrar-se nas provas internas. 
2 – Assim sendo, quem tem mais a perder com o jogo? Mesmo tendo em conta que até pode jogar com dois resultados (o empate deixá-lo-ia como a única equipa a ganhar um clássico na primeira volta), é o Sporting quem arrisca mais em caso de derrota. Porque o Benfica é o campeão em título, mas também porque o fracasso europeu aumentou a pressão sobre Jorge Jesus e Bruno de Carvalho. 
3 – Quais são as maiores armas do Benfica? A forma como a equipa de Rui Vitória reage à perda da bola, condicionando muito a saída de bola dos adversários desde a primeira linha de pressão, graças à disponibilidade física e mental dos quatro homens da frente (aumentada se for Jiménez a jogar em vez de Mitroglou). Os problemas do Benfica começam se essa primeira zona de pressão falha a estancar o jogo adversário, porque depois disso a equipa de Vitória tem problemas tanto no controlo da largura (por vezes inferioridade numérica nas alas, por vezes espaço para progredir com bola após variações rápidas e certeiras de flanco) como da profundidade (Luisão não a garante como Jardel). 
4 – E do Sporting? A organização ofensiva continua a ser a fase mais forte do jogo leonino, mesmo tendo a equipa de Jesus perdido controlo com a saída de João Mário e capacidade para criar espaço entre as linhas adversárias com a saída de Slimani, cuja busca incessante da profundidade era a melhor forma de encontrar espaço para Ruiz ou Adrien. Ainda assim, o crescimento de Gelson deu a Jesus uma força em lances de um para um que a equipa não tinha na época passada. 
5 – Haverá surpresas nos onzes? Não acredito. Presumindo que o Sporting vai mesmo ter Adrien e Gelson, penso que Jesus vai entrar com Bryan Ruiz e Bruno César, desta vez com este na esquerda para, com menos diagonais, condicionar a ação de Nelson Semedo. No Benfica, A dúvida é entre Jiménez e Mitroglou, sendo que em condições ideais acredito mais na titularidade do grego, mais jogador de área, porque com Guedes, Salvio e Cervi a equipa não precisa tanto da capacidade de pressão do mexicano. 
6 – E Jonas? Assumindo que está em condições, talvez possa entrar perto do fim, mas só se o Benfica estiver desesperado ou com a vitória garantida. Caso contrário, parece-me que os 80/20 enunciados por Rui Vitória terão sido apenas para manter Jesus em dúvida acerca da possibilidade de o brasileiro poder aparecer. 
7 – As derrotas europeias terão influência no jogo? É possível. No Benfica porque vem de duas derrotas seguidas, ainda que o facto de ter conseguido na mesma o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões possa servir de atenuante. No Sporting, o fracasso total, a incapacidade de atingir até à Liga Europa, pode ter levado a equipa a duvidar de si mesma, sobretudo porque o treinador não abdicou dos titulares no jogo com o Legia. Aqui falará mais alto a capacidade de Jesus para instigar uma resposta por parte dos jogadores. 
8 – E a fadiga pode ser importante? Pode. Porque além de ter tido menos 24 horas de repouso, o Sporting teve de enfrentar uma longa viagem de regresso e um ambiente diferente, com temperaturas muito baixas. 
9 – Que resultado convém mais ao FC Porto? Sem dúvida o empate. Porque lhe permite ganhar pontos aos dois, porque não moraliza Benfica nem Sporting.