Último Passe 

2016-12-07
Invenção e embaraço mudam pressão no dérbi

Que o Sporting tenha sido afastado da Liga dos Campeões, num grupo onde teria de ultrapassar Real Madrid e Borussia Dortmund, foi natural. Mas que o Sporting tenha depois ficado fora da Liga Europa, afastado por um Legia Varsóvia que tem apenas dois ou três jogadores acima do razoável e que há mais de 20 anos não ganhava uma partida sequer na Champions já é uma anormalidade que só a falta de estatuto europeu e uma invenção de Jorge Jesus na Polónia pode explicar. Se a ideia era ficar fora da Europa para se centrar nas competições nacionais, Jesus bem podia ter levado a equipa B e poupado os titulares para o dérbi com o Benfica que aí vem. Assim, entrará na Luz com uma equipa cansada, desmoralizada e com mais pressão em cima da cabeça.

No dia em que o FC Porto se juntou ao Benfica nas 16 melhores equipas europeias, algo que o futebol português só tinha conseguido uma vez, à entrada de 2009, o Sporting voltou a mostrar ao Mundo que lhe falta aquilo que é preciso para vingar a este nível. E tudo começou na equipa montada por Jorge Jesus. Repetiu os três defesas-centrais que tinha escalado em Dortmund – com o mesmo resultado, a derrota por 1-0 – mas desta vez juntou a essa originalidade a colocação de Bruno César a ala direito, de Gelson mais por dentro e de um também cada vez mais inexplicável Markovic nas costas de Bas Dost. O resultado foram 45 minutos oferecidos aos polacos, com um Sporting à procura de si mesmo, lento por falta de referências e incapaz de compreender a melhor forma de ocupar os espaços, como se viu no golo polaco, marcado em inferioridade numérica na área leonina. É verdade que, depois de dar avanço, Jesus corrigiu e o Sporting melhorou, tendo ficado perto de empatar – André falhou dois golos cantados – mas nem isso serve para atenuar o embaraço que é não ter conseguido fazer um único golo a uma equipa que tinha encaixado 24 nas cinco partidas anteriores da Champions.

Fora da Europa em Dezembro, o Sporting terá agora condições para repetir a época que fez sob o comando de Leonardo Jardim, na qual se concentrou na competição interna e fez alguma sombra ao Benfica de Jesus. Este desfecho, porém, vem na pior altura, pois os leões perderam hoje a vantagem emocional que teriam sobre um Benfica que entra no dérbi com duas derrotas seguidas. Quando subirem ao relvado da Luz, no domingo, os jogadores leoninos não estarão apenas fatigados e desmoralizados: vão com a noção de que não podem falhar, porque jogam ainda mais ali do que seria de prever nesta altura do ano. É menos provável, porém, que Jesus repita os três centrais.