Último Passe 

2015-09-11
A diferença que faz um golo numa goleada de 6-0

Mudou assim tanta coisa entre o Benfica bloqueado do início de época e o que ganhou por 6-0 ao Belenenses, na abertura da quarta jornada da Liga? As duas semanas de paragem terão permitido por fim que Rui Vitória pusesse a equipa a jogar o futebol que queria? A resposta à primeira questão é sim. Mudou de facto muita coisa, a primeira das quais a eficácia na concretização de uma equipa que já era, de longe, a que mais rematava à baliza, mas sofria horrores para fazer o primeiro golo. Para responder à segunda pergunta, aconselha-se calma.
Contra o Belenenses, com dois golos até aos 17 minutos, após erros crassos de marcação dos jogadores azuis (Tonel no primeiro e André Geraldes no segundo), o Benfica alargou aos 90 minutos (ou pelo menos até faer o sexto golo) o futebol pujante e atrativo que já tinha mostrado na reta final dos jogos com o Estoril e o Moreirense. Futebol esse que já lhe tinha garantido sete golos em dois quartos de hora. A ganhar, esta equipa solta-se, mostra alegria e confiança, o que desde logo lhe permite estar mais próximo do futebol de um campeão.
Claro que também não deve desprezar-se a componente-trabalho. Após uma pré-época muito sacrificada aos interesses financeiros, Rui Vitória teve por fim algum tempo para preparar a equipa e o que se viu foi um Benfica competitivo e muito ambicioso desde os primeiros segundos. Gonçalo Guedes foi uma aposta ganha, porque se mostrou muito mais incisivo e agressivo que os extremos que o antecederam; Mitroglou fez a sua parte, com dois golos; mas os maiores artífices desta goleada foram Gaitán e Jonas. O que é bom sinal ou é pelo menos um sinal de compromisso com uma equipa que até estiveram prestes a abandonar na última janela de mercado, em Agosto.
Com a goleada, o Benfica ganha ainda o lastro suficiente para entrar bem na Liga dos Campeões: a receção ao Astana vai ser já na terça-feira e a equipa enfrenta-a tendo posto de lado as núvens negras deste atribulado início de época. O Belenenses, por seu turno, entrará com mais dúvidas na Liga Europa. Sá Pinto já começou o trabalho de controlo de danos, lançando elogios e manifestações de confiança aos jogadores, mas do que os azuis vão precisar frente ao Lech Poznan, quinta-feira, é de um comportamento diferente do ponto de vista defensivo.