Último Passe 

2016-11-29
Todos os problemas ao mesmo tempo

Uma equipa que passa 430 minutos sem fazer um golo, como acontece atualmente com o FC Porto, pode queixar-se de muita coisa. Porque quem não marca um golo em mais de sete horas de futebol não tem apenas um problema de criatividade na organização do ataque, de ineficácia na finalização, de falta de qualidade de alguns elementos ou até de infelicidade face a algumas decisões. Tem esses problemas todos ao mesmo tempo. E no segundo 0-0 consecutivo contra o Belenenses de nada serviu a Nuno Espírito Santo recuperar Brahimi e Ruben Neves, cuja presença até vinha sendo reclamada há algum tempo, porque lhes faltou o contexto.

Além de ser uma equipa mal trabalhada do ponto de vista do ataque organizado, a este FC Porto já lhe falta confiança em cada movimento, nota-se-lhe a indisponibilidade para assumir o risco de muitos jogadores, que com medo de falhar preferem jogar seguro a procurar o desequilíbrio – e nesse particular Brahimi até foi dos poucos que chamou a si as decisões de risco, acabando até por meter alguns bons cruzamentos na área. A questão é que essa predisposição para o risco também não é ajudada pela presença em campo de jogadores que estão num patamar claramente inferior de qualidade. E aqui, falo por exemplo de Depoitre. Porque quanto mais vejo jogar este lento e complicativo avançado belga mais me confunde que, mesmo com toda a sua altura, possa ser ele o reforço de ataque para uma equipa que quer ganhar a Liga e chegar longe na Champions. Não me recordo de um FC Porto com um avançado tão fraco desde que Tomislav Ivic “inventou” o comprido Vinha para a frente quando queria desbloquear jogos. E Vinha até chegou a fazer alguns golos, como os fará inevitavelmente Depoitre se continuar a jogar. Mas não resolveu, como não resolverá Depoitre, por mais que o treinador o faça jogar.

O empate, mais um a chamar lenços brancos às bancadas onde estão adeptos portistas, pode até deixar Nuno Espírito Santo com vontade de acordar cedo para continuar a trabalhar amanhã, mas diminui-lhe ainda mais a margem de manobra e pode deixá-lo em breve sem razões profissionais para se levantar da cama. Contra o Sp. Braga e o Leicester, os adversários que aí vêm, só duas vitórias interessam, porque só ganhando aos minhotos os dragões regressam ao Top 3 da Liga e só batendo o segundo terão a certeza de seguir para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões sem depender do resultado entre Copenhaga e Brugges. E para isso são precisos golos.