Último Passe 

2016-11-27
Jiménez chama o Pizzi goleador

Toda a gente que viu o Benfica ganhar ao Moreirense enaltecerá a prestação de Pizzi, autor dos primeiros dois golos dos encarnados. Mas para se perceber como é que um homem que joga como segundo médio consegue ser um dos melhores marcadores da equipa de Rui Vitória é preciso colocar os olhos mais à frente, na mobilidade de Raul Jiménez e Gonçalo Guedes. Sobretudo do primeiro, que foi a novidade apresentada hoje pelo treinador encarnado. É que a relação de Pizzi com o golo cresce exponencialmente com o mexicano em campo.

Pizzi tomou parte em 19 partidas do Benfica nesta temporada, entre Supertaça, Liga, Liga dos Campeões e Taça de Portugal. Nelas, contabiliza 1603 minutos em campo e sete golos marcados. Mas comecemos então a detalhar as coisas. Destes 1603 minutos, 1071 foram com Mitroglou na frente e apenas 284 com Jiménez (há ainda a registar 23 minutos com os dois avançados em simultâneo e 225 sem nenhum deles). Ora a questão é que com Mitroglou à sua frente Pizzi fez três golos (um a cada 357 minutos), tendo marcado os outros quatro com Jiménez (um a cada 71 minutos). Os números explicam aquilo que os olhos vêem. Isto é, que Jiménez é um ponta-de-lança muito mais móvel, que sai mais da zona de finalização, dessa forma permitindo a entrada dos médios até junto do golo. Foi o que aconteceu no lance do primeiro golo do Benfica hoje, por exemplo, uma jogada que nasce em Jiménez na esquerda e acaba com remate de Pizzi na cara do guarda-redes.

Mais a mais depois da quase crucificação de Mitroglou pela ocasião falhada em Istambul, que podia ter dado ao Benfica o 4-1, seria demasiado fácil concluir desde já que os encarnados deviam jogar com o mexicano em vez do grego. Mas não. O que estes números mostram não é que seja melhor para o Benfica jogar com Jiménez. Mostram, sim, que a entrada do mexicano muda a forma de atuar de Pizzi, que lhe pede outras responsabilidades, e que o transmontano, sendo um jogador inteligente, não lhes foge como podia fazer. E mostram ainda que o Benfica tem mais de um método para chegar ao golo, o que, mesmo tendo em conta a predileção encarnada pelas conclusões em transição e ataque rápido, acaba por ser um ponto a favor do trabalho de Rui Vitória.