Último Passe 

2016-11-18
O risco de ter Brahimi a ver um ataque desinspirado

O facto de ter sido André Silva, sempre um dos melhores da equipa, a falhar o último penalti na eliminação do FC Porto da Taça de Portugal, em benefício do Desp. Chaves, pode até retirar um pouco de peso à decisão tomada por Nuno Espírito Santo, que antes mandara Depoitre bater a penúltima grande penalidade, tendo o belga também permitido a defesa a António Filipe. Não concordo com Jorge Simão, treinador dos flavienses, que reduziu o desfecho de um desempate por penaltis à sorte – e creio que o guardião do Chaves, que defendeu três remates, também não concordará – mas o que se espera do FC Porto numa eliminatória como esta é que não deixe as coisas chegar tão longe. E, nesse aspeto, bem mais penalizadora que a escolha do até aqui desastrado Depoitre me pareceu a decisão de Nuno Espírito Santo não chamar ao jogo Brahimi, cuja criatividade poderia ter ajudado a desfazer o 0-0 que durou 120 minutos, a segunda metade dos quais com o FC Porto quase sempre instalado no ataque.

Hoje estão de parabéns o Chaves e Jorge Simão, como é evidente. Mas este Chaves não me pareceu sequer tão forte como tinha demonstrado contra o Benfica, num jogo que perdeu com alguma infelicidade – o que é diferente de tê-lo perdido por azar. Não creio que tenha sido o Chaves a piorar, admito que tenha sido o FC Porto a bloquear sempre bem as saídas venenosas do adversário, o que lme eva a não ser capaz de dizer que os dragões tenham jogado mal. O FC Porto foi a melhor equipa em campo e, mais, a partir dos 60’, foi a única com andamento para chegar à baliza adversária. Fosse por incapacidade física, técnica ou tática, o Chaves – que tinha mostrado boas ideias no arranque do jogo – deixou de conseguir sair a jogar e aceitou o papel de saco de boxe: desde que o FC Porto não marcasse no processo, tudo estaria bem para os donos da casa. E a verdade é que o FC Porto não marcou.

Nuno começou em 4x3x3, com dois extremos velozes e diretos: Varela de um lado e Jota do outro. Passou durante o jogo para um 4x4x2, com Depoitre perto de André Silva, motivando um jogo mais direto. Mais tarde chamou Evandro e Layun, mas deixou no banco Brahimi, que é possivelmente o mais criativo de todos os jogadores do plantel. Quando pela frente tinha uma equipa que baixava as linhas, que fechava todos os espaços de acesso à sua baliza e o importante era conseguir um golpe de prestidigitação, o FC Porto abdicou do seu jogador mais incontrolável. A não ser que existam fatores extra-rendimento desportivo desconhecidos de quem está de fora a justificar o constante ostracismo ao argelino, tudo parece resumir-se precisamente à imprevisibilidade do jogador, ao facto de ele ser tão incontrolável para os adversários como é para o seu próprio treinador. Mas é uma decisão de risco. E é uma decisão que não creio que Nuno Espírito Santo mantenha em Copenhaga, na terça-feira, se chegar a estar perante a possibilidade de se atrasar na obtenção de mais um objetivo, que é a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.